Olá a todos,
No nosso último post falámos-vos acerca dos excelentes dias que passámos em São Miguel e do quão encantados ficámos com os Açores! De São Miguel, partimos em direção ao Faial. Tal como vos contámos, esta viagem foi muito atribulada, afinal de contas um voo que era suposto ter demorado 25 min, transformou-se em 3 voos. Resultado? Perdemos uma tarde a fazer biscates pelas diferentes ilhas do grupo central do arquipélago dos Açores.
Chegámos ao Faial já passava das 7pm. Depois de levantarmos o carro no aeroporto, dirigimo-nos para o apartamento que tínhamos reservado, o qual foi uma agradável surpresa! Foi dos melhores apartamentos em que ficámos ao longo dos últimos meses. Para além de estar muito bem decorado, era extremamente confortável e prático.
Depois de um banho revigorante, saímos a pé para jantar. Já passava das 9.30 pm, o que dificultou a nossa tarefa (os Açoreanos jantam cedo). Encontrámos um bar estilo naval onde fomos muito bem recebidos e “devorámos” um hambúrguer artesanal com batatas frita caseiras. A carne nos Açores é fantástica, o que transforma qualquer hambúrguer num verdadeiro pitéu.
Apesar de estarmos bastante satisfeitos, ainda sobrava espaço para um docinho. Assim, decidimos partilhar um dos tão famosos gelados de máquina (nos Açores há imenso este conceito, é um verdadeiro sucesso). Estreámo-nos com o sabor a cappuccino e estava muito bom! Posteriormente, fomos visitar o famoso Peter Cafe Sport (é um verdadeiro marco histórico e cultural do Faial, existindo uma réplica em Lisboa). Terminámos a noite a caminhar pela cidade da Horta, a qual percorremos inteiramente a pé. É uma cidade onde impera o iatismo e o turismo naval, a marina tem inúmeros veleiros atracados, de todos as formas e feitios. Cruzámo-nos com dezenas de estrangeiros, o que nos deixou surpresos. Mais tarde percebemos que existiam 102 velejadores retidos no Faial (devido à Covid 19).

Era dia 30 de junho, acordámos bem cedo e sedentos por novas aventuras. Assim, depois de uma rápida visita à Padaria Popular e a uma mercearia local (que estavam mesmo ao fundo da rua do nosso estúdio), tomámos um excelente pequeno-almoço e partimos à descoberta. A primeira paragem foi no Vulcão dos Capelinhos, o qual nos deixou encantados. A pedra vulcânica, as dunas de areias, os enormes rochedos, o mar, tudo fascinante! Rapidamente nos tele-transportámos até ao Vale de la Luna em São Pedro de Atacama (no Chile). As semelhanças eram inúmeras, mas com uma grande diferença: o mar como pano de fundo. Subimos até às ruínas do Posto de Vigia, onde estivemos mais de 10 min a apreciar aquele postal. Ainda tivemos oportunidade de realizar uma breve visita ao Centro de Interpretação do vulcão.

Voltámos ao carro e fomos em direção à Caldeira (também conhecida como Cabeço Gordo), o ponto mais alto da ilha do Faial. Esta elevação faz parte do vulcão, abrindo-se aqui a grande cratera vulcânica da ilha. Quando lá chegámos, o nevoeiro era tão cerrado que não conseguíamos ver nada, absolutamente nada. Ficámos desiludidos e recordámos o nosso karma com vulcões: tentámos visitar o Teide em Tenerife e eu fiquei sem um sapato (tivemos de desistir), tentámos visitar o Arenal na Costa Rica e estava nevoeiro cerrado (não vimos nem uma sombra do mesmo) e agora, era o Vulcão dos Capelinhos, no Faial. Resignados com o nosso fado, fomos até à praia da Fajã. Uma praia sem areia (como aliás a maioria das praias Açoreanas), mas com uma envolvente muito bonita.
Já passava das 2.30pm quando fomos almoçar, o que foi um desafio. Os restaurantes já estavam todos a fechar e não nos atenderam. Acabámos por almoçar num café no centro da Horta. Comemos umas ervilhas com ovo escalfado muito básicas e que não estavam nada de especial. Ainda assim, o guloso do Diogo decidiu pedir uma fatia de bolo de chocolate que estava maravilhosa e compensou o resto da refeição.
Da parte da tarde, visitámos o Farol da Ponta Ribeirinha, bem como o Miradouro do Ribeiro Seco e o Miradouro da Nossa Senhora da Conceição. À semelhança de São Miguel, as deslocações pelas estradas do Faial são fantásticas. As paisagens são muito bonitas, ora vemos longos e verdes campos, ora vemos um oceano imenso.
Como somos teimosos, decidimos voltar à Caldeira e, guess what, tivemos sorte! Conseguimos ver a Caldeira! Estava muito menos nevoeiro que da parte da manhã. No entanto, como ainda existiam algumas nuvens apenas vimos um rasgar da Caldeira.
O dia não podia ter terminado melhor, diríamos mesmo que deixámos o melhor para o fim (embora o Vulcão dos Capelinhos também seja fantástico). Assim, fomos até ao Monte da Guia, onde ficámos absolutamente encantados com as vistas. A vista sobre a baía da Praia do Porto Pim é de cortar a respiração. Tivemos sorte, pois não havia uma nuvem no céu.

Depois de entregarmos o carro, fomos a pé até à praia do Porto Pim. Já passava das 7pm, mas o sol ainda estava longe de se pôr e estavam mais de 23 graus. Havia imensa gente a tomar umas cervejas no único bar junto à praia, tudo num ambiente “sunset party”. A fome começou a aparecer, tínhamos reserva no Kabem Todos, restaurante que nos foi indicado por uma Açoreana (que aliás nos deu inúmeras e valiosas dicas para toda esta viagem). Assim, depois de um belo banho, caminhámos cerca de 15 min até ao restaurante. Comemos o melhor atum das nossas vidas! Um belo lombo, com cebola caramelizada e pimento, acompanhado com bolo lêvedo caseiro. Estava inacreditável.
Tínhamos prometido que nos iríamos deitar cedo, pois se por um lado estávamos exaustos (tínhamos acordado bastante cedo), por outro, no dia seguinte tínhamos de acordar as 6am, visto que tínhamos barco para a Ilha do Pico. Contudo, isto não aconteceu. Depois do jantar perdemo-nos a caminhar pelas ruas da Horta, e ainda ficámos “retidos” à conversa com uns trabalhadores do Porto da Horta (os Açoreanos são mesmo simpáticos e adoram receber turistas, principalmente do continente. É bom ver que, sendo maioritariamente pessoas humildes e honestas, são verdadeiramente felizes e têm muito orgulho nos Açores). Resultado? Dormimos apenas 5 horas. Acordámos já cansados e caminhámos quase 3 km com as nossas mochilas às costas. Não tínhamos saudades nenhumas desta parte da viagem!
A viagem entre o Faial e o Pico foi breve, foram apenas 30 min de travessia. Eram 7.55am do dia 1-Jul quando atracámos na famosa Ilha do Pico. Fomos recebidos pela Débora, que nos aguardava com uma placa com o nosso nome. A Débora entregou-nos o carro que tínhamos alugado e deu-nos algumas dicas rápidas sobre a Ilha. Do porto da Madalena foram cerca de 30 min de viagem até ao nosso alojamento, a Casa do Comendador. Este foi dos melhores hotéis que ficámos desde que iniciámos a nossa lua de mel. Uma casa antiga, muito bem decorada, com apenas 8 quartos. O seu estilo e decoração é muito parecido com o local onde nos casámos, a Casa do Ribeirinho no Porto, o que nos trouxe recordações do dia mais feliz das nossas vidas. Adicionalmente, ainda tinha uma fantástica vista sobre o mar e a Ilha de São Jorge. O Rodrigo (responsável pela gestão da casa), recebeu-nos muitíssimo bem, tendo-nos deixado fazer o check-in às 8.30am e tendo-nos instalado no melhor quarto da casa. Éramos os únicos hóspedes da casa (o Rodrigo contou-nos que costumam estar sempre cheios, mas desde que o Covid apareceu que têm recebido muitos poucos turistas).
Começámos por visitar as Piscinas de São Roque do Pico, umas piscinas naturais muito bonitas. Como tínhamos pouco tempo, não conseguimos entrar na água, o que nos deixou com pena pois estava um dia de sol quente. Daqui, fomos até ao Lajido da Criação Velha, onde tirámos imensas fotografias e apreciámos as belas paisagens.


Posteriormente, visitámos a Lagoa do Capitão. Bem, chegar a esta lagoa foi um desafio. A estrada estava cheia de vacas e bois (sim, no Pico as vacas andam em plena estrada e não no campo). Assim, lá fomos nós, sempre buzinando e com medo de levar com uma vaca em cima.

Percorremos a maior reta do país, 15 km seguidos, sem nenhuma curva! Do lado esquerdo tínhamos uma fantástica vista sobre a Montanha do Pico, o ponto mais alto de Portugal, do lado direito, os campos verdes e o Oceano Atlântico. Tivemos muita sorte com o tempo, estava sol e céu azul, com poucas nuvens, o que nos permitiu ter uma perspetiva completa sobre a Montanha do Pico.

Visitámos o Hotel da Aldeia da Fonte, um hotel cuja arquitetura retrata uma aldeia construída com rocha vulcânica. Este hotel está em cima do mar. O contraste do cinza antracite das casas, com o azul turquesa do mar cria uma paisagem belíssima.
Partimos em direção às Lajes do Pico, onde visitámos uma região que, no passado, vivia da caça ao cetáceo. Passámos mais de uma hora no Museu dos Baleeiros, onde tivemos oportunidade de conhecer uma parte importante da história da Ilha do Pico, bem como a indústria relacionada com a Caça à Baleia.
Demos por nós esfomeados, afinal de contas tínhamos acordado às 6am e só tínhamos comido um pão sem mais nada! Eram 2.30 pm quando chegámos à Madalena. Almoçámos muitíssimo bem no Caffe Cinq, um café com uma decoração muito gira. Comemos um delicioso Donner Kebab (sim, estávamos nos Açores, mas era o prato que mais saía e o mais rápido). Percebemos o sucesso deste kebab quando demos a primeira garfada: delicioso!
Revigorados, caminhámos cerca de 1h pela cidade da Madalena. Fomos até ao Museu do Vinho, mas infelizmente não tivemos oportunidade de o visitar. Tínhamos uma degustação de vinhos agendada para as 4pm e o Museu do Vinho fechava às 5pm (tivemos de fazer opções!). Assim, lá fomos nós até à Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico. Provámos vários tipos de vinho, nomeadamente: 2 brancos (destaque para o Verdelho), 3 tintos (destaque para o Terras de Lava), 1 rosé, 2 licorosos (destaque para o 10 anos) e 1 “vinho de cheiro” (o Cavaco). Uma curiosidade acerca deste “vinho de cheiro”, o comércio deste tipo de vinho apenas é permitido em 2 locais do mundo, os Açores e uma pequena região da Áustria. O seu comércio foi banido devido à presença de malvina, a qual é nociva para a saúde. Nós, como turistas curiosos, tivemos de provar. De cor vermelha viva, sabor a frutos vermelhos e elevada acidez, tem um sabor muito distinto dos restantes vinhos. Eu não gostei, mas o Diogo achou muito interessante!
Depois de 1h30 de prova, fomos passear até à beira-mar. Mesmo em frente ao Porto da Madalena, vimos um quiosque em madeira com uma fila enorme, era um quiosque de gelados. A reação foi única: “temos de provar” (por experiência sabemos que sítios com fila são quase sempre bons, basta pensar na fila da Taberna Belga em Braga ou da Rio de Mel em Lisboa). Optámos por um gelado de máquina (o único que vendem, os Açoreanos são mesmo viciados nisto), com sabor a pistachio, coberto de caramelo quente, crocante de amendoim e raspas de chocolate. Uma bomba calórica digna das suas calorias. Foi um ótimo lanche.
Continuámos a caminhar (tínhamos de abater o gelado ahahah) e fomos até ao supermercado comprar alguns mantimentos para o dia seguinte, afinal de contas íamos escalar a Montanha do Pico. Fomos à cadeia Solmar, detida pelo Pingo Doce (conseguindo ser ainda mais confuso que o próprio Pingo Doce).
Já no carro, fomos até à Gruta das Torres, que também já tinha fechado (tal como os restantes locais turísticos que são fechados, encerra às 5pm). Posteriormente, fizemos o percurso circular da Madalena até à Ponta Sul (conhecido como “Paisagem da cultura da vinha da ilha do pico”). Apreciámos uma bela paisagem: luz de pôr do sol a bater no mar e nos longos quilómetros de vinhas.
Chegámos ao hotel já perto das 8.30pm. Tomámos um banho rápido e saímos para jantar. Tentámos ir ao restaurante A Montanha, que nos tinha sido recomendado pelo Rodrigo. Quando lá chegámos, perto das 9.30pm, a cozinha ia fechar e já não havia praticamente nada. Metemo-nos no carro e entrámos no primeiro café que vimos, o Snack Bar Aço. Que desastre, foi o primeiro barrete gastronómico que metemos nos Açores. Pedimos um caldo verde e um prego em pão. Estava tudo péssimo. Ficámos desconsolados.
O dia D chegou, dia 2-Jul, o dia em que estes dois malucos decidiram escalar a Montanha do Pico, o ponto mais alto de Portugal, localizado a mais de 2.300 metros acima do nível mar. Acordámos às 8am, estava um belo dia de verão, tomámos um enorme (e ainda bem que assim foi) pequeno-almoço e partimos em direção à Casa da Montanha. Antes de mais, para subir o Pico é necessário reservar com alguma antecedência (pode ser feito online no site da Casa da Montanha). Por dia, podem subir no máximo 40 pessoas (no ano passado, subiram em média 33,3 pessoas/dia, se bem que eu dira mais “malucos/dia”). Levámos connosco sapatilhas de montanha, casaco térmico, protetor solar, 1 bastão de caminhada para cada, 1 litro de água para cada, 2 maçãs, 2 pães simples, 2 pães com compota, 2 pacotes de 200ml de leite, 1 pacote de bolachas e 1 chocolate. Queríamos levar o menor peso possível. Depois de nos terem falado acerca das recomendações, nomeadamente do facto do resgate custar 1.500€ por pessoa (caso tenhamos culpa), entregaram-nos um aparelho com telefone e GPS. Este aparelho está ligado à Casa da Montanha e aos Bombeiros Voluntários, permitindo que estas 2 entidades conheçam a nossa localização a cada momento, e permitindo aos alpinistas o contacto em caso de emergência. Adicionalmente, explicaram-nos que o percurso devia ser feito pelas rochas e que até ao Pico eram 47 marcos, do Pico ao Piquinho, não existem marcos (o percurso é bem visível, dado que é basicamente escalar até ao cume). Ir e vir são cerca de 11km e os montanhistas com mais experiência costumam fazê-lo em 7h30/8h00.

Eram 10.30am quando partimos da Casa da Montanha. Estávamos com muita sorte, céu praticamente limpo, vento muito leve a nordeste, nenhuma previsão de chuva e, no topo, estariam entre 6 a 8 graus (notem que ainda em junho deste ano nevou nesta montanha). Disseram-nos que éramos as únicas pessoas a subir o Pico naquele dia (recordem-se que em média há 33,3 visitantes/dia). Desejaram-nos boa sorte e disseram-nos “Até já, vai correr tudo bem”.

Lá fomos nós todos entusiasmados, o início do trilho é feito por um lance de escadas, mas, logo a seguir às escadas começam as pedras, as mil e uma pedras. Do marco 1 não conseguimos avistar mais nenhum marco, apenas o Piquinho, lá no alto do alto. Estávamos ingenuamente convencidos de que iríamos fazer o percurso em 8h30-9h (máximo). Aliás, tínhamos guardado o famoso Restaurante Ancoradouro para o nosso último jantar na Ilha do Pico.
Até ao marco 15 fomos bem, sempre a subir, pedra atrás de pedra, convencidos de que em alguma parte o trajeto ia melhorar e iríamos pisar apenas terra (ao invés de calhaus enormes). Olhámos para o relógio e ficámos assustados, já tinham passado 2h e ainda só íamos no marco 15 de 47 (isto sem contar com a subida ao Piquinho que, by the way, era a pior). Combinámos fazer a nossa primeira pausa no marco 26 (psicologicamente ajudava pois já estaríamos a mais de metade da subida).

Chegámos ao 26 e descansámos cerca de 15 min, bebemos água e comemos uma maçã e bolachas. Do 26 ao 47 fomos seguidos, as pernas já tremiam, mas a vontade de ver a cratera do vulcão era maior. Assim foi, de gatas, com as mãos a ficarem cheias de bolhas, a rastejar pela gravilha, cheios de pó em cima. Passaram mais 2h30, chegámos ao 47. A vista é de cortar a respiração! Estávamos muito acima das nuvens, vimos um avião da Sata a passar, avistamo-lo na nossa linha do olhar, sem sequer inclinar o pescoço para cima. O cansaço é cada vez maior, mas a felicidade também. Entrámos na cratera, sente-se muito calor, sai fumo de entre as pedras. Esta foi a parte mais fácil de todo o percurso, a única em que, por cerca de 10 min, caminhámos sobre piso plano e sem inclinação. Estafados, fizemos a nossa pausa para almoço. Sentados numa rocha, comemos um verdadeiro pitéu (not): 1 pacote de leite simples, 1 pão com compota e mais umas bolachas.

Chegou a hora H, a hora de escalar o Piquinho, o ponto mais alto de Portugal, a 2.351 metros de altitude. Segurámos firmemente o nosso bastão de caminhada e começámos a escalada. Tivemos de manter alguma distância entre nós, dado que a cada rastejar causávamos uma “mini-chuva” de pedras. Foram cerca de 45 min para escalar 70 metros. Não estamos a exagerar, por isso, imaginem a dificuldade desta escalada. De quem escala a Montanha do Pico, pouco mais de metade das pessoas escalam o Piquinho. Claro que nós, malucos, tínhamos de fazer parte dessa metade.
Chegámos, que loucura. Estávamos a pisar o ponto mais alto de Portugal. A emoção foi tanta que nem sentimos o impacto da altitude. A vista é incrível. Estar lá em cima é um misto de sensações enorme, por um lado euforia, afinal de contas tínhamos conseguido subir, por outro, pânico, faltava toda a descida. Depois de muitas fotografias, iniciámos a descida. Se subir foi mau, descer foi 1.001 vezes pior. As rochas estavam a escaldar e as nossas mãos estavam massacradas da subida, mas ou descíamos sentados, ou caíamos. Assim foi, num misto de escorrega de gravilha e ponte invertida (para os praticantes de desporto, uma espécie de “crab kicks”), lá fomos nós descendo. Mais 45 min. As pedras rolavam e nós íamo-nos apoiando em tudo o que conseguíamos, com o enorme apoio dos bastões de caminhada.



Alcançámos novamente a cratera. Sacudimos o pó, pusemos as mochilas às costas (deixamo-las ficar na cratera durante a escalada ao Piquinho) e iniciámos a descida. Como referi acima, o trajeto dentro da cratera é a parte mais fácil de todo o percurso. Chegámos ao marco 47, olhámos para baixo e ficámos assustados. Estávamos muito acima do nível do mar e apenas víamos pedras e mais pedras.
Começámos a descida e foi terrível, um verdadeiro pesadelo. Demorámos imenso. Fomos diretos do marco 47 até ao 22. Demorámos mais de 2 horas. 50% da descida é feita sentada, outros 30% a rastejar e 20% em “modo squat”. As horas passavam e as nossas pernas iam ficando cada vez mais fracas, já não aguentávamos as dores nos joelhos e nas palmas da mão (para descer sentados tínhamos de nos apoiar em pedras cuja superfície magoava bastante). Chegámos ao marco 22, o sol cada vez mais baixo, estávamos a ficar assustados, as 8h30 que tínhamos planeado demorar já iam longe… Estávamos exaustos, física e psicologicamente. O Diogo entrou mesmo em estado de “pré-pânico”, só dizia que ainda faltava imenso, que ia ficar noite e que já não tinha força para continuar. Eu, contrariamente ao expectável, mantive-me muito calma e otimista. Obriguei o Diogo a comer meia tablete de chocolate seguida e um pão. Convenci-o de que estava quase (as minhas técnicas comerciais estão cada vez melhor, convenci-o de algo em que nem eu acreditava). Respirámos fundo por 10 minutos e metemos os pés (ou mãos) ao caminho. E assim foi até ao marco 10, onde fizemos uma nova pausa.
Chegar ao marco 10 foi mais uma conquista, pensámos: está quase! Parámos 5 min e continuámos a descida. Quanto mais andávamos, menos força tínhamos e mais sombra ficava. Descemos, descemos e descemos. Já íamos completamente pendurados nos bastões. Chegámos ao marco 2, que emoção, já conseguíamos avistar o nosso carro, isolado, num parque de estacionamento em plena montanha. E por fim, já passava das 9.30pm quando chegámos ao lance de escadas inicial.
11h depois, mais de 11 km percorridos, dois pares de pernas desfeitos, 4 mãos calejadas, mas 2 pessoas muito felizes e orgulhosas. Ficámos eufóricos! Conseguimos! Foi uma grande vitória.
Se soubéssemos o que sabemos hoje… sinceramente, não conseguimos dizer se faríamos a escalada da Montanha do Pico. Estávamos ingenuamente convencidos de que era algo bastante mais fácil. Nos últimos meses, fizemos imensos trilhos, subimos às lagoas de Ushuaia (Argentina), caminhámos pelo Deserto do Atacama (Chile), caminhámos a mais de 5.400 metros de altitude na Montanha de Chacaltaya (Bolívia), caminhámos na selva de Palenque (México) e subimos (e descemos) a pé até Machupicchu e Waynapicchu. Preferíamos repetir todos estes trajetos em 3 dias do que passar 1 dia a escalar a Montanha do Pico. Se ainda assim, ficaram com vontade de subir, apenas 2 dicas essenciais: comecem às 8.30 am e levem bastões de caminhada.
Voltando ao parque de estacionamento, como já passava das 9.30pm e estávamos a mais de 30 min da vila mais próxima, tivemos de desistir da ideia de jantar. Estaria tudo fechado! Lá se foi o Ancoradouro (e até o Snack Bar Aço que tanto detestámos). Sorte a nossa que tínhamos no quarto 2 pães, 2 bananas e mais 2 leites. Este foi o nosso fantástico jantar! Adormecemos mal acabámos de comer, estávamos exaustos!
Eram 6.30am quanto tocou o despertador. Tínhamos o fantástico pequeno-almoço da Casa do Comendador à nossa espera. Depois, restavam-nos 7h30 de viagem de barco até à Terceira. Se nos dias anteriores comentávamos a seca que iria ser e nos questionávamos se não deveríamos ter pagado o elevado preço do avião, naquela manhã, não podíamos estar mais felizes com a nossa decisão, afinal de contas iríamos passar 7h30 sentados. Foi uma viagem calma e revigorante, onde ainda tivemos oportunidade de parar em São Jorge e na Graciosa. Chegámos à Terceira por volta das 3.30 pm, mas estas aventuras ficam para o próximo post.
Beijinho e abraço,
F&D

























































