Faial & Pico (Açores), Portugal

Olá a todos,

No nosso último post falámos-vos acerca dos excelentes dias que passámos em São Miguel e do quão encantados ficámos com os Açores! De São Miguel, partimos em direção ao Faial. Tal como vos contámos, esta viagem foi muito atribulada, afinal de contas um voo que era suposto ter demorado 25 min, transformou-se em 3 voos. Resultado? Perdemos uma tarde a fazer biscates pelas diferentes ilhas do grupo central do arquipélago dos Açores.

Chegámos ao Faial já passava das 7pm. Depois de levantarmos o carro no aeroporto, dirigimo-nos para o apartamento que tínhamos reservado, o qual foi uma agradável surpresa! Foi dos melhores apartamentos em que ficámos ao longo dos últimos meses. Para além de estar muito bem decorado, era extremamente confortável e prático.

Depois de um banho revigorante, saímos a pé para jantar. Já passava das 9.30 pm, o que dificultou a nossa tarefa (os Açoreanos jantam cedo). Encontrámos um bar estilo naval onde fomos muito bem recebidos e “devorámos” um hambúrguer artesanal com batatas frita caseiras. A carne nos Açores é fantástica, o que transforma qualquer hambúrguer num verdadeiro pitéu.

Apesar de estarmos bastante satisfeitos, ainda sobrava espaço para um docinho. Assim, decidimos partilhar um dos tão famosos gelados de máquina (nos Açores há imenso este conceito, é um verdadeiro sucesso). Estreámo-nos com o sabor a cappuccino e estava muito bom! Posteriormente, fomos visitar o famoso Peter Cafe Sport (é um verdadeiro marco histórico e cultural do Faial, existindo uma réplica em Lisboa). Terminámos a noite a caminhar pela cidade da Horta, a qual percorremos inteiramente a pé. É uma cidade onde impera o iatismo e o turismo naval, a marina tem inúmeros veleiros atracados, de todos as formas e feitios. Cruzámo-nos com dezenas de estrangeiros, o que nos deixou surpresos. Mais tarde percebemos que existiam 102 velejadores retidos no Faial (devido à Covid 19).

Peter Cafe Sport.

Era dia 30 de junho, acordámos bem cedo e sedentos por novas aventuras. Assim, depois de uma rápida visita à Padaria Popular e a uma mercearia local (que estavam mesmo ao fundo da rua do nosso estúdio), tomámos um excelente pequeno-almoço e partimos à descoberta. A primeira paragem foi no Vulcão dos Capelinhos, o qual nos deixou encantados. A pedra vulcânica, as dunas de areias, os enormes rochedos, o mar, tudo fascinante! Rapidamente nos tele-transportámos até ao Vale de la Luna em São Pedro de Atacama (no Chile). As semelhanças eram inúmeras, mas com uma grande diferença: o mar como pano de fundo. Subimos até às ruínas do Posto de Vigia, onde estivemos mais de 10 min a apreciar aquele postal. Ainda tivemos oportunidade de realizar uma breve visita ao Centro de Interpretação do vulcão.

Vulcão dos Capelinhos.

Voltámos ao carro e fomos em direção à Caldeira (também conhecida como Cabeço Gordo), o ponto mais alto da ilha do Faial. Esta elevação faz parte do vulcão, abrindo-se aqui a grande cratera vulcânica da ilha. Quando lá chegámos, o nevoeiro era tão cerrado que não conseguíamos ver nada, absolutamente nada. Ficámos desiludidos e recordámos o nosso karma com vulcões: tentámos visitar o Teide em Tenerife e eu fiquei sem um sapato (tivemos de desistir), tentámos visitar o Arenal na Costa Rica e estava nevoeiro cerrado (não vimos nem uma sombra do mesmo) e agora, era o Vulcão dos Capelinhos, no Faial. Resignados com o nosso fado, fomos até à praia da Fajã. Uma praia sem areia (como aliás a maioria das praias Açoreanas), mas com uma envolvente muito bonita.

Já passava das 2.30pm quando fomos almoçar, o que foi um desafio. Os restaurantes já estavam todos a fechar e não nos atenderam. Acabámos por almoçar num café no centro da Horta. Comemos umas ervilhas com ovo escalfado muito básicas e que não estavam nada de especial. Ainda assim, o guloso do Diogo decidiu pedir uma fatia de bolo de chocolate que estava maravilhosa e compensou o resto da refeição.

Da parte da tarde, visitámos o Farol da Ponta Ribeirinha, bem como o Miradouro do Ribeiro Seco e o Miradouro da Nossa Senhora da Conceição. À semelhança de São Miguel, as deslocações pelas estradas do Faial são fantásticas. As paisagens são muito bonitas, ora vemos longos e verdes campos, ora vemos um oceano imenso.

Como somos teimosos, decidimos voltar à Caldeira e, guess what, tivemos sorte! Conseguimos ver a Caldeira! Estava muito menos nevoeiro que da parte da manhã. No entanto, como ainda existiam algumas nuvens apenas vimos um rasgar da Caldeira.

O dia não podia ter terminado melhor, diríamos mesmo que deixámos o melhor para o fim (embora o Vulcão dos Capelinhos também seja fantástico). Assim, fomos até ao Monte da Guia, onde ficámos absolutamente encantados com as vistas. A vista sobre a baía da Praia do Porto Pim é de cortar a respiração. Tivemos sorte, pois não havia uma nuvem no céu.

Vista da baía da Praia de Porto Pim a partir do Monte da Guia.

Depois de entregarmos o carro, fomos a pé até à praia do Porto Pim. Já passava das 7pm, mas o sol ainda estava longe de se pôr e estavam mais de 23 graus. Havia imensa gente a tomar umas cervejas no único bar junto à praia, tudo num ambiente “sunset party”. A fome começou a aparecer, tínhamos reserva no Kabem Todos, restaurante que nos foi indicado por uma Açoreana (que aliás nos deu inúmeras e valiosas dicas para toda esta viagem). Assim, depois de um belo banho, caminhámos cerca de 15 min até ao restaurante. Comemos o melhor atum das nossas vidas! Um belo lombo, com cebola caramelizada e pimento, acompanhado com bolo lêvedo caseiro. Estava inacreditável.

Tínhamos prometido que nos iríamos deitar cedo, pois se por um lado estávamos exaustos (tínhamos acordado bastante cedo), por outro, no dia seguinte tínhamos de acordar as 6am, visto que tínhamos barco para a Ilha do Pico. Contudo, isto não aconteceu. Depois do jantar perdemo-nos a caminhar pelas ruas da Horta, e ainda ficámos “retidos” à conversa com uns trabalhadores do Porto da Horta (os Açoreanos são mesmo simpáticos e adoram receber turistas, principalmente do continente. É bom ver que, sendo maioritariamente pessoas humildes e honestas, são verdadeiramente felizes e têm muito orgulho nos Açores). Resultado? Dormimos apenas 5 horas. Acordámos já cansados e caminhámos quase 3 km com as nossas mochilas às costas. Não tínhamos saudades nenhumas desta parte da viagem!

A viagem entre o Faial e o Pico foi breve, foram apenas 30 min de travessia. Eram 7.55am do dia 1-Jul quando atracámos na famosa Ilha do Pico. Fomos recebidos pela Débora, que nos aguardava com uma placa com o nosso nome. A Débora entregou-nos o carro que tínhamos alugado e deu-nos algumas dicas rápidas sobre a Ilha. Do porto da Madalena foram cerca de 30 min de viagem até ao nosso alojamento, a Casa do Comendador. Este foi dos melhores hotéis que ficámos desde que iniciámos a nossa lua de mel. Uma casa antiga, muito bem decorada, com apenas 8 quartos. O seu estilo e decoração é muito parecido com o local onde nos casámos, a Casa do Ribeirinho no Porto, o que nos trouxe recordações do dia mais feliz das nossas vidas. Adicionalmente, ainda tinha uma fantástica vista sobre o mar e a Ilha de São Jorge. O Rodrigo (responsável pela gestão da casa), recebeu-nos muitíssimo bem, tendo-nos deixado fazer o check-in às 8.30am e tendo-nos instalado no melhor quarto da casa. Éramos os únicos hóspedes da casa (o Rodrigo contou-nos que costumam estar sempre cheios, mas desde que o Covid apareceu que têm recebido muitos poucos turistas).

Começámos por visitar as Piscinas de São Roque do Pico, umas piscinas naturais muito bonitas. Como tínhamos pouco tempo, não conseguimos entrar na água, o que nos deixou com pena pois estava um dia de sol quente. Daqui, fomos até ao Lajido da Criação Velha, onde tirámos imensas fotografias e apreciámos as belas paisagens.

Piscinas de São Roque do Pico.
Moinho do Frade.

Posteriormente, visitámos a Lagoa do Capitão. Bem, chegar a esta lagoa foi um desafio. A estrada estava cheia de vacas e bois (sim, no Pico as vacas andam em plena estrada e não no campo). Assim, lá fomos nós, sempre buzinando e com medo de levar com uma vaca em cima.

Lagoa do Capitão.

Percorremos a maior reta do país, 15 km seguidos, sem nenhuma curva! Do lado esquerdo tínhamos uma fantástica vista sobre a Montanha do Pico, o ponto mais alto de Portugal, do lado direito, os campos verdes e o Oceano Atlântico. Tivemos muita sorte com o tempo, estava sol e céu azul, com poucas nuvens, o que nos permitiu ter uma perspetiva completa sobre a Montanha do Pico.

Vista da Montanha do Pico a partir da reta mais comprida do país.

Visitámos o Hotel da Aldeia da Fonte, um hotel cuja arquitetura retrata uma aldeia construída com rocha vulcânica. Este hotel está em cima do mar. O contraste do cinza antracite das casas, com o azul turquesa do mar cria uma paisagem belíssima.

Partimos em direção às Lajes do Pico, onde visitámos uma região que, no passado, vivia da caça ao cetáceo. Passámos mais de uma hora no Museu dos Baleeiros, onde tivemos oportunidade de conhecer uma parte importante da história da Ilha do Pico, bem como a indústria relacionada com a Caça à Baleia.

Demos por nós esfomeados, afinal de contas tínhamos acordado às 6am e só tínhamos comido um pão sem mais nada! Eram 2.30 pm quando chegámos à Madalena. Almoçámos muitíssimo bem no Caffe Cinq, um café com uma decoração muito gira. Comemos um delicioso Donner Kebab (sim, estávamos nos Açores, mas era o prato que mais saía e o mais rápido). Percebemos o sucesso deste kebab quando demos a primeira garfada: delicioso!

Revigorados, caminhámos cerca de 1h pela cidade da Madalena. Fomos até ao Museu do Vinho, mas infelizmente não tivemos oportunidade de o visitar. Tínhamos uma degustação de vinhos agendada para as 4pm e o Museu do Vinho fechava às 5pm (tivemos de fazer opções!). Assim, lá fomos nós até à Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico. Provámos vários tipos de vinho, nomeadamente: 2 brancos (destaque para o Verdelho), 3 tintos (destaque para o Terras de Lava), 1 rosé, 2 licorosos (destaque para o 10 anos) e 1 “vinho de cheiro” (o Cavaco). Uma curiosidade acerca deste “vinho de cheiro”, o comércio deste tipo de vinho apenas é permitido em 2 locais do mundo, os Açores e uma pequena região da Áustria. O seu comércio foi banido devido à presença de malvina, a qual é nociva para a saúde. Nós, como turistas curiosos, tivemos de provar. De cor vermelha viva, sabor a frutos vermelhos e elevada acidez, tem um sabor muito distinto dos restantes vinhos. Eu não gostei, mas o Diogo achou muito interessante!

Depois de 1h30 de prova, fomos passear até à beira-mar. Mesmo em frente ao Porto da Madalena, vimos um quiosque em madeira com uma fila enorme, era um quiosque de gelados. A reação foi única: “temos de provar” (por experiência sabemos que sítios com fila são quase sempre bons, basta pensar na fila da Taberna Belga em Braga ou da Rio de Mel em Lisboa). Optámos por um gelado de máquina (o único que vendem, os Açoreanos são mesmo viciados nisto), com sabor a pistachio, coberto de caramelo quente, crocante de amendoim e raspas de chocolate. Uma bomba calórica digna das suas calorias. Foi um ótimo lanche.

Continuámos a caminhar (tínhamos de abater o gelado ahahah) e fomos até ao supermercado comprar alguns mantimentos para o dia seguinte, afinal de contas íamos escalar a Montanha do Pico. Fomos à cadeia Solmar, detida pelo Pingo Doce (conseguindo ser ainda mais confuso que o próprio Pingo Doce).

Já no carro, fomos até à Gruta das Torres, que também já tinha fechado (tal como os restantes locais turísticos que são fechados, encerra às 5pm). Posteriormente, fizemos o percurso circular da Madalena até à Ponta Sul (conhecido como “Paisagem da cultura da vinha da ilha do pico”). Apreciámos uma bela paisagem: luz de pôr do sol a bater no mar e nos longos quilómetros de vinhas.

Chegámos ao hotel já perto das 8.30pm. Tomámos um banho rápido e saímos para jantar. Tentámos ir ao restaurante A Montanha, que nos tinha sido recomendado pelo Rodrigo. Quando lá chegámos, perto das 9.30pm, a cozinha ia fechar e já não havia praticamente nada. Metemo-nos no carro e entrámos no primeiro café que vimos, o Snack Bar Aço. Que desastre, foi o primeiro barrete gastronómico que metemos nos Açores. Pedimos um caldo verde e um prego em pão. Estava tudo péssimo. Ficámos desconsolados.

O dia D chegou, dia 2-Jul, o dia em que estes dois malucos decidiram escalar a Montanha do Pico, o ponto mais alto de Portugal, localizado a mais de 2.300 metros acima do nível mar. Acordámos às 8am, estava um belo dia de verão, tomámos um enorme (e ainda bem que assim foi) pequeno-almoço e partimos em direção à Casa da Montanha. Antes de mais, para subir o Pico é necessário reservar com alguma antecedência (pode ser feito online no site da Casa da Montanha). Por dia, podem subir no máximo 40 pessoas (no ano passado, subiram em média 33,3 pessoas/dia, se bem que eu dira mais “malucos/dia”). Levámos connosco sapatilhas de montanha, casaco térmico, protetor solar, 1 bastão de caminhada para cada, 1 litro de água para cada, 2 maçãs, 2 pães simples, 2 pães com compota, 2 pacotes de 200ml de leite, 1 pacote de bolachas e 1 chocolate. Queríamos levar o menor peso possível. Depois de nos terem falado acerca das recomendações, nomeadamente do facto do resgate custar 1.500€ por pessoa (caso tenhamos culpa), entregaram-nos um aparelho com telefone e GPS. Este aparelho está ligado à Casa da Montanha e aos Bombeiros Voluntários, permitindo que estas 2 entidades conheçam a nossa localização a cada momento, e permitindo aos alpinistas o contacto em caso de emergência.  Adicionalmente, explicaram-nos que o percurso devia ser feito pelas rochas e que até ao Pico eram 47 marcos, do Pico ao Piquinho, não existem marcos (o percurso é bem visível, dado que é basicamente escalar até ao cume). Ir e vir são cerca de 11km e os montanhistas com mais experiência costumam fazê-lo em 7h30/8h00.

Início da aventura.

Eram 10.30am quando partimos da Casa da Montanha. Estávamos com muita sorte, céu praticamente limpo, vento muito leve a nordeste, nenhuma previsão de chuva e, no topo, estariam entre 6 a 8 graus (notem que ainda em junho deste ano nevou nesta montanha). Disseram-nos que éramos as únicas pessoas a subir o Pico naquele dia (recordem-se que em média há 33,3 visitantes/dia). Desejaram-nos boa sorte e disseram-nos “Até já, vai correr tudo bem”.

Ainda sem saber bem o que nos esperava.

Lá fomos nós todos entusiasmados, o início do trilho é feito por um lance de escadas, mas, logo a seguir às escadas começam as pedras, as mil e uma pedras. Do marco 1 não conseguimos avistar mais nenhum marco, apenas o Piquinho, lá no alto do alto. Estávamos ingenuamente convencidos de que iríamos fazer o percurso em 8h30-9h (máximo). Aliás, tínhamos guardado o famoso Restaurante Ancoradouro para o nosso último jantar na Ilha do Pico.

Até ao marco 15 fomos bem, sempre a subir, pedra atrás de pedra, convencidos de que em alguma parte o trajeto ia melhorar e iríamos pisar apenas terra (ao invés de calhaus enormes). Olhámos para o relógio e ficámos assustados, já tinham passado 2h e ainda só íamos no marco 15 de 47 (isto sem contar com a subida ao Piquinho que, by the way, era a pior). Combinámos fazer a nossa primeira pausa no marco 26 (psicologicamente ajudava pois já estaríamos a mais de metade da subida).

Marco 26.

Chegámos ao 26 e descansámos cerca de 15 min, bebemos água e comemos uma maçã e bolachas. Do 26 ao 47 fomos seguidos, as pernas já tremiam, mas a vontade de ver a cratera do vulcão era maior. Assim foi, de gatas, com as mãos a ficarem cheias de bolhas, a rastejar pela gravilha, cheios de pó em cima. Passaram mais 2h30, chegámos ao 47. A vista é de cortar a respiração! Estávamos muito acima das nuvens, vimos um avião da Sata a passar, avistamo-lo na nossa linha do olhar, sem sequer inclinar o pescoço para cima. O cansaço é cada vez maior, mas a felicidade também. Entrámos na cratera, sente-se muito calor, sai fumo de entre as pedras. Esta foi a parte mais fácil de todo o percurso, a única em que, por cerca de 10 min, caminhámos sobre piso plano e sem inclinação. Estafados, fizemos a nossa pausa para almoço. Sentados numa rocha, comemos um verdadeiro pitéu (not): 1 pacote de leite simples, 1 pão com compota e mais umas bolachas.

Crateta da Montanha do Pico.

Chegou a hora H, a hora de escalar o Piquinho, o ponto mais alto de Portugal, a 2.351 metros de altitude. Segurámos firmemente o nosso bastão de caminhada e começámos a escalada. Tivemos de manter alguma distância entre nós, dado que a cada rastejar causávamos uma “mini-chuva” de pedras. Foram cerca de 45 min para escalar 70 metros. Não estamos a exagerar, por isso, imaginem a dificuldade desta escalada. De quem escala a Montanha do Pico, pouco mais de metade das pessoas escalam o Piquinho. Claro que nós, malucos, tínhamos de fazer parte dessa metade.

Chegámos, que loucura. Estávamos a pisar o ponto mais alto de Portugal. A emoção foi tanta que nem sentimos o impacto da altitude. A vista é incrível. Estar lá em cima é um misto de sensações enorme, por um lado euforia, afinal de contas tínhamos conseguido subir, por outro, pânico, faltava toda a descida. Depois de muitas fotografias, iniciámos a descida. Se subir foi mau, descer foi 1.001 vezes pior. As rochas estavam a escaldar e as nossas mãos estavam massacradas da subida, mas ou descíamos sentados, ou caíamos. Assim foi, num misto de escorrega de gravilha e ponte invertida (para os praticantes de desporto, uma espécie de “crab kicks”), lá fomos nós descendo. Mais 45 min. As pedras rolavam e nós íamo-nos apoiando em tudo o que conseguíamos, com o enorme apoio dos bastões de caminhada.

Piquinho.

Alcançámos novamente a cratera. Sacudimos o pó, pusemos as mochilas às costas (deixamo-las ficar na cratera durante a escalada ao Piquinho) e iniciámos a descida. Como referi acima, o trajeto dentro da cratera é a parte mais fácil de todo o percurso. Chegámos ao marco 47, olhámos para baixo e ficámos assustados. Estávamos muito acima do nível do mar e apenas víamos pedras e mais pedras.

Começámos a descida e foi terrível, um verdadeiro pesadelo. Demorámos imenso. Fomos diretos do marco 47 até ao 22. Demorámos mais de 2 horas. 50% da descida é feita sentada, outros 30% a rastejar e 20% em “modo squat”. As horas passavam e as nossas pernas iam ficando cada vez mais fracas, já não aguentávamos as dores nos joelhos e nas palmas da mão (para descer sentados tínhamos de nos apoiar em pedras cuja superfície magoava bastante). Chegámos ao marco 22, o sol cada vez mais baixo, estávamos a ficar assustados, as 8h30 que tínhamos planeado demorar já iam longe… Estávamos exaustos, física e psicologicamente. O Diogo entrou mesmo em estado de “pré-pânico”, só dizia que ainda faltava imenso, que ia ficar noite e que já não tinha força para continuar. Eu, contrariamente ao expectável, mantive-me muito calma e otimista. Obriguei o Diogo a comer meia tablete de chocolate seguida e um pão. Convenci-o de que estava quase (as minhas técnicas comerciais estão cada vez melhor, convenci-o de algo em que nem eu acreditava). Respirámos fundo por 10 minutos e metemos os pés (ou mãos) ao caminho. E assim foi até ao marco 10, onde fizemos uma nova pausa.

Chegar ao marco 10 foi mais uma conquista, pensámos: está quase! Parámos 5 min e continuámos a descida. Quanto mais andávamos, menos força tínhamos e mais sombra ficava. Descemos, descemos e descemos. Já íamos completamente pendurados nos bastões. Chegámos ao marco 2, que emoção, já conseguíamos avistar o nosso carro, isolado, num parque de estacionamento em plena montanha. E por fim, já passava das 9.30pm quando chegámos ao lance de escadas inicial.

11h depois, mais de 11 km percorridos, dois pares de pernas desfeitos, 4 mãos calejadas, mas 2 pessoas muito felizes e orgulhosas. Ficámos eufóricos! Conseguimos! Foi uma grande vitória.

Se soubéssemos o que sabemos hoje… sinceramente, não conseguimos dizer se faríamos a escalada da Montanha do Pico. Estávamos ingenuamente convencidos de que era algo bastante mais fácil. Nos últimos meses, fizemos imensos trilhos, subimos às lagoas de Ushuaia (Argentina), caminhámos pelo Deserto do Atacama (Chile), caminhámos a mais de 5.400 metros de altitude na Montanha de Chacaltaya (Bolívia), caminhámos na selva de Palenque (México) e subimos (e descemos) a pé até Machupicchu e Waynapicchu. Preferíamos repetir todos estes trajetos em 3 dias do que passar 1 dia a escalar a Montanha do Pico. Se ainda assim, ficaram com vontade de subir, apenas 2 dicas essenciais: comecem às 8.30 am e levem bastões de caminhada.

Voltando ao parque de estacionamento, como já passava das 9.30pm e estávamos a mais de 30 min da vila mais próxima, tivemos de desistir da ideia de jantar. Estaria tudo fechado! Lá se foi o Ancoradouro (e até o Snack Bar Aço que tanto detestámos). Sorte a nossa que tínhamos no quarto 2 pães, 2 bananas e mais 2 leites. Este foi o nosso fantástico jantar! Adormecemos mal acabámos de comer, estávamos exaustos!

Eram 6.30am quanto tocou o despertador. Tínhamos o fantástico pequeno-almoço da Casa do Comendador à nossa espera. Depois, restavam-nos 7h30 de viagem de barco até à Terceira. Se nos dias anteriores comentávamos a seca que iria ser e nos questionávamos se não deveríamos ter pagado o elevado preço do avião, naquela manhã, não podíamos estar mais felizes com a nossa decisão, afinal de contas iríamos passar 7h30 sentados. Foi uma viagem calma e revigorante, onde ainda tivemos oportunidade de parar em São Jorge e na Graciosa. Chegámos à Terceira por volta das 3.30 pm, mas estas aventuras ficam para o próximo post.

Beijinho e abraço,

F&D

São Miguel (Açores), Portugal

Welcome back,

Depois de 7 semanas em modo quarentena, estamos de volta. Este post será dedicado aos Açores, contudo, nos próximos 4 parágrafos iremos contar-vos de forma muito breve os dias que vivemos entre a chegada de Melbourne e a partida para Ponta Delgada.

A quarentena foi passada em Fão, onde aproveitámos para descansar, por as séries do Netflix em dia, treinar, jogar jogos de tabuleiro, ler, fazer alguns cursos online (essencialmente fotografia e culinária) e dar muitos passeios higiénicos pela vila. Apesar de tudo, as 7 semanas passaram rápido. Assim que tivemos oportunidade, decidimos voltar a viajar, ainda que num registo totalmente diferente do que estávamos a viver.

Começámos com 9 dias na Quinta da Dourada, em Portalegre (Alentejo). Foram dias maravilhosos, onde demos muitos mergulhos, explorámos a Serra de São Mamede e algumas das cidades/ vilas locais. Ficámos encantados com o Marvão e com Castelo de Vide. Em tempos de pandemia, não podíamos ter escolhido um local melhor para retomar a nossa aventura.

Depois destes 9 dias no Alentejo, rumámos a sul, onde estivemos mais de uma semana em Tavira. Nunca tínhamos estado os 2 no Algarve! Fizemos uns ótimos dias de praia e ficámos encantados com as seguintes praias: Cacela Velha, Praia da Fábrica e Praia do Barril. Decidimos abrir uma exceção e fomos a um bar/restaurante, a Casa da Igreja em Cacela Velha. Neste local, experimentámos as tão famosas ostras, o camarão ao alho, o chouriço na brasa, entre outros, tudo acompanhado de cervejas bem geladinhas. Escusado será dizer que terminar assim um dia de praia é uma ideia incrível!

De Tavira, rumámos a Vilamoura, onde passámos mais uma semana. Os dias de praia não foram tão bons como os de Tavira, chegámos a apanhar uma tarde de chuva! Ainda assim, conseguimos aproveitar muitas praias, dar muitos mergulhos e (continuar a) descansar. Desta região, destacamos as seguintes praias: Praia do Garrão, Praia do Ancão, Praia dos Tomates e Praia do Barranco das Belharucas.

Finalmente chegou o dia 21 de junho (e não, esta alegria não se deveu ao início do Verão), o dia em que voltámos a pisar o chão de um aeroporto e a voar. Já passava das 4pm quando partimos do Porto em direção a Ponta Delgada. O voo foi curto e tranquilo. Toda a gente respeitou as novas normas impostas pela pandemia.

Mal aterrámos em Ponta Delgada fomos encaminhados para uma tenda, onde fomos testados à Covid-19. A Região Autónoma dos Açores está a ser um exemplo no modo como tem lidado com esta pandemia. Conseguiu extinguir com sucesso todas as cadeias de transmissão do vírus e, não só testa toda a gente que chega à Região (o teste pode ser feito a partir de 72h antes do voo ou à chegada), como também repete este teste ao 6.º dia. Para além disto, todos os bares, restaurantes, hotéis e locais turísticos estão bem preparados. Se em Portugal continental nos sentimos super inseguros e apenas visitámos um restaurante, aqui sentimos o oposto. Claro que o facto de toda a gente ser testada e não existirem cadeias de transmissão da Covid ajuda.

Depois de fazermos o teste, que embora não doa, faz muita impressão (recordem-se que nos perfuram a garganta e o nariz com uma longa zaragatoa), fomos levantar o nosso carro de aluguer e dirigimo-nos para o apartamento que alugámos para os nossos 8 dias na ilha. O apartamento era bastante bem localizado e confortável, o que nos deixou satisfeitos!

No dia seguinte, acordámos cedo e cheios de vontade de explorar. Assim, metemo-nos no carro e partimos à descoberta. Ficámos logo rendidos à beleza da ilha. As inúmeras paisagens de mar, montanha, campos e vacas são absolutamente fascinantes. Para além disto, estava um belíssimo dia de verão! A cada km que percorríamos o Diogo dizia “já devíamos ter vindo cá, isto é lindo” e eu, pasmada com tanta beleza, confirmava. A primeira paragem foi na Lagoa do Congro. Estacionámos o carro na berma da estrada e caminhámos cerca de 10 min até à lagoa. O tom da água é qualquer coisa.

Lagoa do Congro.

Daqui, seguimos em direção ao Miradouro do Pico do Ferro, de onde se tem uma vista absolutamente magnífica sobre a Lagoa das Furnas. Depois de muitas fotografias, metemo-nos no carro e descemos até às Furnas. A primeira paragem foi no Restaurante Tony, dica que nos foi dada por uma Açoreana. Foi a nossa estreia na gastronomia Açoreana e não podia ter corrido melhor: cerveja especial, filetes de abrótea e pudim de maracujá. Já de barriga cheia, partimos a pé em direção à cascata e aquário das furnas. Daqui, fomos visitar o famoso Parque Terra Nostra. Embora as termas estivessem temporariamente fechadas (devido à covid apenas abrem a 1-Jul), os jardins são magníficos. Vale muito a pena passear por este infindável parque, observando as inúmeras árvores e flores circundantes.

Lagoa das Furnas.
Parque Terra Nostra.

Regressámos ao carro e partimos em direção às Fumarolas. Chegados a esta vila, provámos as típicas espigas de milho cozinhadas nas furnas e o famoso bolo lêvedo. As espigas sabem muito a enxofre, o que não nos agradou. Contudo, o bolo lêvedo é delicioso (uma espécie de pão doce). Para além de tudo isto, ainda observámos as fumarolas propriamente ditas (são geysers com água a borbulhar fruto da atividade vulcânica da região). As fumarolas são muito parecidas com aquelas que tínhamos visto no Deserto do Atacama (Chile)!

Já passava das 6 pm quando partimos em direção à cidade de Ponta Delgada. Estacionámos o carro e passeámos a pé pela marina e pelo centro histórico, onde vimos as famosas “Portas da Cidade”. Comparada com a restante região, na nossa opinião, esta cidade não é “nada de especial”. Não obstante, vale a pena dar um passeio! Terminámos o dia em casa, exaustos! Já não estávamos de todo habituados a este nosso ritmo de turistas.

Novo dia, novas aventuras. Depois de um completo pequeno-almoço, decidimos viajar até à zona do Nordeste. Só por si, a viagem de carro já vale a pena. O caminho é belíssimo, principalmente porque estávamos na altura em que a ilha estátoda coberta de floridas Hortênsias. Chegados ao Nordeste, deparámo-nos com uma vila bastante pitoresca. Decidimos fazer o trilho da Lomba da Fazenda. Foram 6 km entre mar e serra, que valeram cada gota de suor. Terminámos o trilho exaustos e esfomeados (embora sejam apenas 6km, este trilho tem muitas subidas agressivas). Assim, parámos no primeiro café que encontrámos, o Forno, onde comemos uma ótima bifana com batatas fritas e bebemos uma Especial (cerveja típica Açoreana, muito boa).

Algures por Lomba da Fazenda.

Da parte da tarde, visitámos 3 miradouros, cada um deles com o seu encanto especial, a saber: Ponta do Sossego, Ponta da Madrugada e Vista dos Barcos. Já passava das 5pm quando chegámos ao Parque Natural da Ribeira dos Caldeirões. Este parque é muito bonito, fez-me logo lembrar a zona de Ubud, em Bali (Indonésia). Ainda que cansados, decidimos fazer um trilho de 4km entre este parque e a achada. Deste parque, partimos em direção à zona costeira da Caloura. Decidimos terminar o dia a beber umas cervejas acompanhadas do típico queijo fresco com molho de pimenta no Bar da Caloura (tem uma ótima vista sobre o mar).

O nosso terceiro dia (completo) em São Miguel começou por uma visita à Caldeira Velha, um parque natural com uma belíssima cascata e com um centro interpretativo onde se pode conhecer a história de formação do arquipélago dos Açores. Aqui também se pode mergulhar nas cascatas!

Caldeira Velha.

Posteriormente, decidimos visitar a Cidade da Ribeira Grande. Percorremos a pé a marginal desta cidade, fascinados com o tamanho das ondas! Fez-nos lembrar a Nazaré. Visitámos ainda (a pé) o Miradouro do Castelo e Miradouro do Palheiro. Esta caminhada abriu-nos o apetite! Metemo-nos no carro e fomos à tão famosa Associação Agrícola de Santana. As expectativas eram altas, muito altas, já que toda a gente que nos deu dicas dos Açores nos falava deste restaurante e do seu Bife do Lombo à Associação. Muita gente nos disse que era o melhor bife do mundo. A nossa opinião? Meu Deus, que bife! É mesmo o melhor bife do mundo. Um bife do lombo mal passado, flamejado em vinho branco com alho e pimenta salgada, acompanhado de batata frita (que by the way também é maravilhosa) e ovo a cavalo. Para além do bife, comemos a morcela com ananás dos açores (também muito boa) e o pudim de chá (escusado será dizer, excelente!). Gostámos tanto deste restaurante que antes de sair deixamos mesa reservada para outro dia (e não, em viagem, não costumamos repetir restaurantes).

Muito satisfeitos, partimos em direção à famosa Lagoa do Fogo. Tinham-nos dito que a subida era penosa, mas pelos vistos o nosso significado de “penosa” não é comum à maioria das pessoas. Decidimos subir um monte a pique, literalmente! Subimos por caminhos jamais caminhados, passámos debaixo de troncos caídos, deslizámos por entre precipício, enfim, uma aventura. Chegámos ao cimo do monte. A lagoa? Nem vê-la! Deparamo-nos com arame farpado e, sem outra alternativa, desistimos. Se subir foi mau, descer foi terrível. Quando chegámos ao carro, cruzámo-nos com um local, que espantado nos disse que era impossível ir à Lagoa do Fogo a pé a partir daquele ponto. Assim, desiludidos, decidimos ir até Vila Franca do Campo.

Em Vila Franca do Campo passeámos pela zona costeira e, posteriormente, fomos até a Tasca Lagoinhas (recomendável ir de carro). É mesmo uma Tasca, junto a um largo com uma igreja. O ambiente é muito local e um bocado assustador, mas a cerveja da casa é maravilhosa e custa apenas 0,65€. Tem um sistema implementado em que a cerveja passa por diferentes quartos da casa, a níveis de pressão também distintos. Depois de 2 cervejas bem fresquinhas, pegámos no telemóvel e fomos pesquisar a Lagoa do Fogo, tendo chegado a duas conclusões: o trilho para a lagoa não tinha mesmo nada a ver com o que tentámos percorrer e existe um miradouro que tem uma vista sobre a lagoa. Embora já fossem 8pm, decidimos “metermo-nos estrada acima” (de carro, claro) e ir visitar os famosos miradouros da Lagoa do Fogo. Quando lá chegámos ficámos absolutamente encantados com a vista (comprovem por vocês mesmos).

Lagoa do Fogo.

Na descida, parámos em todos os miradouros! Todos tinham uma vista incrível sobre a Lagoa do Fogo. Mais um dia em cheio!

25-Jun, dia parcialmente dedicado a explorar a mítica Lagoa das Sete Cidades. Esta lagoa, a maior de São Miguel, é na verdade composta por 2 lagoas, a Lagoa Azul e a Lagoa Verde. Assim, começámos por nos dirigir até ao Miradouro da Boca do Inferno, onde, depois de uma caminhada de 15 min, nos deparámos com (mais) uma vista de cortar a respiração! Desta vez o pano de fundo eram 2 lagoas, a Lagoa do Canário e a Lagoa das Sete Cidades. No regresso, ainda a pé, fomos à Lagoa do Canário. Vale a pena visitar, é um desvio de minutos!

Miradouro da Boca do Inferno.

Regressámos ao carro e fomos parando em todos os miradouros com vista para a Lagoa das Sete Cidades, nomeadamente: Miradouro da Vista do Rei e Miradouro Cerrado das Freiras. Posteriormente, em frente ao Miradouro da Vista do Rei, deparamo-nos com as conhecidas ruínas do Hotel Monte Palace (um hotel que faliu mal abriu). Daqui, partimos em direção à base da Lagoa das Sete Cidades. No caminho, parámos num parque de merendas e fizemos um piquenique. Começámos por caminhar junto à Lagoa Verde, fomos até onde era possível! Depois, dirigimo-nos (de carro) até à Lagoa Azul, onde também demos uma caminhada. Terminámos a tomar um café e a comer uma queijada de coco, chocolate e queijo da ilha numa agradável esplanada (Green Love). Estava novamente um incrível dia de verão.

Daqui, partimos para o Miradouro das Cumeeiras. Foram 15 min de carro, numa estrada de terra batida horrível, sempre a subir. Como não pagámos o seguro contra todos os riscos, tivemos de ir muito devagar. Quando chegámos lá acima foi “amor à primeira vista”. Vejam por vocês mesmos:

Miradouro das Cumeeiras.

Traumatizados com a subida, descemos por uma estrada de alcatrão junto ao miradouro. Fomos em direção ao Farol da Ponta da Ferraria e às Termas da Ferraria. Nesta zona, onde é possível tomar banho no mar, o Oceano Atlântico atinge temperaturas de 40 graus. O ideal é visitar na altura da maré baixa.

Para terminar mais um dia em beleza, fomos até à zona de Mosteiros. Estacionámos o carro e caminhámos à beira-mar. Parámos naquele que nos pareceu o único bar da região: Bar Sunset Poço da Pedra. Neste bar, em cima da praia, apreciámos um fantástico pôr do sol, acompanhado de imperiais e salgadinhos! A vista para o Ilhéu de Mosteiros é muito boa!

Sunset Ilhéu dos Mosteiros.

Quinto dia, dia em que decidimos fazer um novo trilho. Desta vez o eleito foi o famoso Salto do Cabrito. Foram cerca de 9km a caminhar pela natureza, por entre montanhas e vales. Este trilho recordou-nos muito a nossa viagem à Costa Rica. Aliás, se nos dissessem que estávamos na zona do Arenal, na Costa Rica, tínhamos acreditado. Durante o trilho caiu uma chuvada, foram apenas 5 minutos, mas foi o suficiente para ficarmos cheios de lama. Assim, mal terminámos o trilho fomos a casa tomar banho. Como já era tarde e estávamos com fome, aproveitámos para por o budget em dia e almoçar em casa.

Algures pelo trilho do Salto do Cabrito.

Da parte da tarde fomos visitar a Fábrica da Cerveja Artesanal Korisca, a primeira cerveja artesanal dos Açores. Embora apreciadores de cerveja artesanal, não conhecíamos este mundo, motivo pelo qual adorámos esta visita. Estávamos só os dois e o simpático Rodrigo (cervejeiro). No final da visita, comprámos 4 das 7 variedades. Gostámos de todas, mas a melhor é a Korisca Brown Ale (bastante frutada com notas de caramelo e frutos secos).

Ainda da parte da tarde, visitámos a Fábrica de Chá da Gorreana, onde fizemos parte do trilho da Gorreana (estava fechado). Já depois das 6pm partimos em direção à cidade de Ponta Delgada, onde aproveitámos para passear novamente pelo centro da cidade. Tínhamos mesa reservada para as 9pm no Restaurante A Tasca. Adorámos este restaurante! Para além de ter um ambiente muito giro, come-se super bem. Comemos um maravilhoso queijo fresco com molho de pimenta, caldo verde e um bife de atum braseado com sementes de sésamo, acompanhado com batata doce, inhame e cebolada. Para a sobremesa partilhámos um bolo de ananás dos açores. Tudo isto foi acompanhado por uma cerveja típica a Especial.

27-Jun, o dia em que fizemos meio ano de casados! Depois de um excelente pequeno-almoço, decidimos começar o dia com um trilho de 11 km, o trilho da Lagoa do Fogo. Este trilho gerou-nos “mixed feelings”, por um lado passámos por paisagens incríveis, das quais destacamos a vista sobre Vila Franca do Campo e o seu ilhéu, a Levada e a Ribeira da Praia. O final do trilho também é fantástico, uma vez que chegámos à margem da Lagoa do Fogo. Contudo, a subida é dolorosa e desinteressante! Para além de tudo isto, é um trilho linear, ou seja, no final, temos de percorrer todo o trajeto para trás, sendo por isso repetitivo. Terminámos o trilho felizes, mas cansados!

Na parte final do trilho da Lagoa do Fogo.

Para esta data tão especial, preparámos um delicioso piquenique, com direito a vinho tinto e tudo! Assim, depois de visitarmos o Miradouro de Nossa Senhora da Paz, parámos num parque de merendas com vista sobre o Ilhéu de Vila Franca do Campo. Foi um almoço bastante agradável, tendo ficado a faltar a sobremesa. Assim sendo, decidimos ir até Vila Franca do Campo provar as tão famosas queijadas. Fomos até à queijaria mais famosa, a Queijaria do Morgado. Sentados numa esplanada com vista mar, desfrutámos de 2 cafés Nespresso acompanhados da Queijada do Morgado (são tão, mas tão boas!).

De seguida, demos um passeio à beira mar, estava mais um daqueles dias com céu azul e sol a raiar. Ainda fomos à praia de Vinha d’Areia molhar os pés (a água estava ótima). O calor era tanto que decidimos visitar novamente a Tasca Lagoinhas, onde matámos a cede com cervejas bem geladas. Estivemos lá à conversa mais de uma hora (a tasca não tem mesas, as cervejas são bebidas no largo, mas em copo de vidro).

Regressámos ao carro e percorremos a Costa Sul, de Vila Franca do Campo até Ponta Delgada! As vistas são fantásticas! Depois de tanto calor e caminhadas, tivemos de ir a casa tomar um banho e trocar-nos para o jantar. Tendo em conta que era uma data especial, conseguem adivinhar o restaurante escolhido? A Associação Agrícola e o seu famoso bife do lombo. Depois de provarmos alguns queijos típicos, chegou o tão aguaradado bife do lombo, com as suas estaladiças batatas caseiras e o seu molho saboroso. Terminámos a refeição com uma excelente mousse de natas, leite condensado e bolacha maria (recordo que os Açores são experts em produtos lácteos, por isso imaginem o sabor das natas e do leite condensado). Bebemos ainda uma cerveja artesanal D’Associação (produzida pela Korisca). No regresso a casa, ainda demos uma volta de carro pela cidade da Lagoa.

No dia 28-Jun, o nosso 7.º dia em São Miguel, começámos o dia a repetir o teste à Covid-19. Este teste foi feito num drive-through no Centro de Saúde. Foi muito rápido, mas obrigou-nos a acordar às 8am. Teste realizado, estrada a dentro, fomos em direção às Furnas. Depois de um belo galão, começámos mais um trilho, o trilho da Lagoa das Furnas. Era um trilho com um percurso fácil e circular e um total de 9,5 km. Chegados à margem da Lagoa das Furnas, uma senhora disse-nos que andando 45 min poderíamos chegar a um miradouro com uma vista muito boa. Olhámos um para o outro e pensámos “Porque não?” e aí fomos nós. A subida foi penosa. Solo montanhoso e subida com declive acentuado… Bem, chegámos ao topo e, qual a nossa surpresa? Estávamos num dos miradouros que mais tínhamos gostado, o Miradouro do Pico do Ferro, que tínhamos visitado logo no primeiro dia. Se soubéssemos que era essa a vista não tínhamos subido a pé! Mas pronto, uma vista bonita, ainda que repetida, vale sempre a pena. Continuamos o nosso trilho e, quando chegámos ao carro, tínhamos andado um total de 14km (a brincadeira do miradouro aumentou substancialmente os 9,5km iniciais). Depois de almoçarmos um belo prato de massa, fomos até à praia. Estava imenso calor e nós estávamos exaustos!

Bem andámos a semana toda sem nos cruzarmos com ninguém, exceto nos restaurantes mais badalados, contudo chegou o dia em que toda a gente decidiu sair à rua e a praia estava cheia. Escolhemos a Praia de Água D’alto­­, para nós a melhor praia de São Miguel. O areal é extenso e a areia, ainda que escura, não é preta. O mar é excelente! Saímos da praia já perto das 9pm (nesta altura, não se sente qualquer amplitude térmica em São Miguel, estando sempre uma temperatura muito agradável).

Praia de Água D’Alto.

Último dia na ilha! Começámos o dia com um treino caseiro (temos tentado treinar 2/3 vezes por semana, por forma a compensar os pecados gastronómicos que tanto temos repetido). Depois de um bom pequeno-almoço, fizemos o check-out do nosso apartamento e fomos (novamente) passear até Ponta Delgada. Demos um passeio pelo Mercado da Graça (mercado onde se pode comprar muitos frutos tropicais), visitámos o Rei dos Queijos (mercearia onde se vendem produtos típicos Açoreanos, como os queijos, bolos, queijadas, entre outros) e tomámos um café no Café Central.

Depois de entregarmos o nosso querido Mitsubishi Space Star vermelho, rumámos até ao Aeroporto de Ponta Delgada. Tal como a TAP, a Sata também é perita em atrasos, sendo que, na verdade, o nosso vôo para o Faial nem aconteceu. Assim, partimos 1h30 depois do suposto para um novo destino: Pico. Do Pico fomos para a Terceira e da Terceira para o Faial. Nunca saímos do avião, mas passámos mais de 3h a voar! Parecia que íamos num autocarro, quando na verdade estávamos num daqueles ATRs minúsculos. De qualquer modo e, apesar de alguma turbulência, chegámos bem ao Faial.

Chegados ao Faial, já tínhamos o nosso carro alugado à espera, mas isto fica para outro post!

Até já,

F&D

Custos & Dicas, Austrália

Notas prévias:

  • Consultar os “Custos & Dicas Argentina” para perceber o enquadramento da nossa viagem, bem como as nossas “exigências” relativamente a estadia e meios de transporte.
  • Fruto da pandemia mundial causada pelo vírus Covid-19, tivemos de alterar o nosso plano de viagem inicial. Adicionalmente, incorremos em custos muito elevados, devido a inúmeros cancelamentos de voos, bem como à necessidade de comprar novos voos. Para terem uma ideia, estes custos representaram 10% do nosso budget inicial para os 9 meses de viagem.
  • O nosso plano inicial era o seguinte:
    • Cairns 2 noites
    • Airlie Beach 3 noites
    • Hervey Bay 3 noites
    • Brisbane 2 noites
    • Byron Bay 3 noites
    • Sydney 2 noites
    • Melbourne 2 noites
    • Transportes 3 noites
  • O plano final, foi o seguinte:
    • Cairns 1 noite
    • Airlie Beach 3 noites
    • Hervey Bay 3 noites
    • Melbourne 14 noites
    • Transportes 2 noites

Uma viagem de 24 dias pela Austrália, num formato low cost e com uma pandemia mundial instalada, custa cerca de 750€ por pessoa (exclui o vôo intercontinental, ida e volta). De realçar que metade da nossa estadia na Austrália foi fortemente impactada pelo Covid-19. Isto reduziu bastante os nossos gastos de dia-a-dia (i.e. não gastámos dinheiro em restaurantes, museus, atrações turísticas, entre outros).

Deixamos infra uma listagem dos principais custos que tivemos.

Custos por categoria, por pessoa:

  • Vôos:
    • Cidade do México – Cairns: 800€
    • Brisbane – Melbourne: 120€
    • Meblourne – Lisboa: 550€
  • Camionetas:
    • Greyhound Whimit Travel Pass: 205€. Preço para 15 dias, com viagens ilimitadas por toda a Austrália (tivemos oferta de 5 dias adicionais decorrente de uma promoção)
  • Outros transportes: 12,50€/transporte
  • Alojamento:
    • Cairns: 10€/noite
    • Airlie Beach 17€/noite
    • Hervey Bay 25€/noite
    • Melbourne 23€/noite
  • Refeições:
    • Casa: 10€/dia
    • Restaurantes: 10€/refeição
  • Atividades turísticas:
    • Tour Grande Barreira de Coral: 65€
    • Tour Whitsundays: 70€
    • Tour Fraser Island: 60€

Agora vamos às dicas:

  • Geral:
    • Não vale a pena comprar um cartão local com dados móveis. Estes cartões são bastante caros (pelo menos 30€ para 30 dias), sendo que existe wifi gratuito nas ruas mais movimentadas
    • Se tiverem cartão Revolut, levantar dinheiro nos ATMs do banco ANZ. Contrariamente aos restantes bancos, estes bancos não cobram comissão de levantamento
    • Não precisam de andar com cash na Austrália. Não encontrámos um único local que não aceitasse pagamentos com cartão (nem mesmo nos mercados de frutas)
    • Viajar com a empresa de camionetas Greyhound. Se viajarem maioritariamente de camioneta, compensa comprar o Greyhound Whimit Travel Pass. Existe passes de 15 dias, 20 dias, …, 1 ano. Estes passes permitem viagens ilimitadas por toda a Asutrália dentro da duração comprada. As camionetas são boas
    • Provar as seguintes iguarias locais: hambúrguer de kanguru e  Aussie BBQ (bifão de bói no churrasco, frango no churrasco e salsicha fresca australiana)
  • Cairns
    • Fazer day tour à Grande Barreira de Coral. Assegurar que o tour inclui o equipamento necessário para snorkelling, bem como fatos protetores (o mar nesta zona tem muito jelly fish, alguns venenosos). Recomendamos a empresa Reef Experience e que marquem o tour online
    • Visitar a Lagoa de Cairns – enorme piscina pública e gratuita. Localizada em cima do mar, tem ótimas instalações. Bom relvado, BBQ grátis, WC e chuveiros. Tudo muito limpo e bem conservado
    • Passear na marina de Cairns
    • Percorrer a pé todo o caminho junto à orla marítima
  • Airlie Beach
    • Recomendamos a empresa ZigZag (apenas podem marcar o tour online). Nota, se enjoam a andar de barco lembrem-se de tomar um medicamento para o enjoo. O mar nesta zona é muito bravo
    • Fazer o trajeto pedonal de ~3km do centro de Airlie Beach até Cannonvale. É um trajeto à beira mar, muito bonito. Recomendamos que o percorram uma vez de dia e outra no sunset
    • Visitar a praia Boathaven Beach. Para nós a mais bonita de Airlie Beach (excluindo como é óbvio as fantásticas praias das Whitesundays, mas essas só se chega de barco)
    • Visitar a Lagoa de Airlie Beach – enorme piscina pública e gratuita. Localizada em cima do mar, tem ótimas instalações. Bom relvado, BBQ grátis, WC e chuveiros. Tudo muito limpo e bem conservado
  • Hervey Bay
    • Fazer day tour à Fraser Island – conhecida como a maior ilha de areia do mundo. As paisagens desta ilha são incríveis e o mar é ainda melhor. Recomendamos que reservem o vosso tour online, com a empresa Whalesond. É um tour familiar, mas muito profissional e com um staff espetacular
    • Fazer o “Coastal Walk” entre Point Vernona e Esplanade Beach
    • Passear por Point Vernon para avistar kanguroos no seu habitat natural. A maioria estão na North Street ou Dougan Street
    • Assistir ao pôr do sol na Esplanade Beach
    • Visitar o Botanic Garden
  • Melbourne
    • Ficar alojado na zona do Centro Financeiro de Melbourne
    • Passear pelos inúmeros parques da cidade, nomeadamente:
      • Fitzroy Gardens
      • Queen Victoria Gardens
      • Remembrance Gardens
      • Botanic Gardens
      • Albert Park
    • Visitar os seguintes locais:
      • Queens Victoria Market
      • Flinders Street Station
      • Federation Square
      • Chinatown
      • Princess Theater
      • Eureka Tower
      • State Library of Victoria
    • Passear por Docklands. Assegurar que assistem ao por do sol nesta zona tão idílica
    • Visitar as seguintes praias:
      • Brighton Beach
      • St Kilda
    • Experimentar os famosos restaurantes de Melbourne. Devido ao Covid-19, não tivemos oportunidade de visitar nenhum destes restaurantes, mas vimos a sua pinta e parecem incríveis

Voltaremos em breve com dicas sobre as fantásticas regiões dos Açores e da Madeira!

Até já,

F&D

Hervey Bay & Melbourne, Austrália

Olá a todos,

Neste post vamos falar-vos dos dias que passámos em Hervey Bay e em Melbourne. Antes de mais, importa referir que embora a Covid-19 tenha impactado bastante a nossa viagem, conseguimos tirar grande proveito do nosso mês na Austrália.

Chegámos a Hervey Bay depois de umas 10h passadas numa viagem noturna de camioneta. Felizmente nesta viagem o wifi não estava a funcionar! Sim, leram bem, felizmente. Era da maneira que podíamos dormir descansados, sem estar constantemente a receber notícias sobre a covid-19 e sobre alterações na situação transfronteiriça. Ainda assim, estávamos numa camioneta cheia de turistas europeus, pelo que o tema da noite foi …. Tchananana …. o novo corona vírus! Eram várias as questões que se colocavam: regressar ou não? se sim, quando?; como iria evoluir a situação na Austrália?; por quanto tempo estariam as fronteiras fechadas?; entre outros.

Era 1pm quando chegámos a Hervey Bay, tendo indo diretos até ao nosso apartamento. O alojamento que tínhamos escolhido estava praticamente vazio, pelo que nos fizeram um upgrade para a melhor casa. Efetivamente era uma casa muito boa e moderna, com um ótimo alpendre e uma boa piscina! Tinha 2 quartos enormes e uma cozinha espetacular. O melhor de tudo? O sofá! Que saudades tínhamos de um bom sofá.

Assim, como já era nossa tradição, fomos ao supermercado, onde nos abastecemos para os próximos 4 dias. Almoçámos uma excelente massa gratinada com atum, acompanhada de um vinho sauvignon blanc Australiano. O resto do dia foi passado a caminhar por Hervey Bay e pelas suas praias. Tivemos direito a um belíssimo pôr do sol!

No dia seguinte, 21 de março, decidimos ir ver os cangurus no seu habitat natural. Supostamente, existia um parque a 8km do nosso apartamento com milhares de cangurus. Pusemos (literalmente) os pés à estrada e aí fomos nós. Quanto mais passeávamos por Hervey Bay mais apaixonados ficávamos por Austrália! Que país incrível, que qualidade de vida. Bem, mal vimos o primeiro canguru ficámos os 2 em extâse: eram tão queridos. De repente, olhámos à nossa volta e já lá estavam uma dezena deles. São super fofinhos e dão saltos muito queridos. Não há nada melhor do que ver os animais felizes no seu habitat natural.

Cangurus em Hervey Bay.

Posto isto, decidimos caminhar novamente até à beira-mar e piquenicar. Almoçámos o nosso clássico nestas circunstâncias: água, sandes de fiambre e queijo filadélfia e meia dúzia de batatas fritas. Embora não seja algo muito saudável, era o mais prático para carregar durante o dia.

Eram 3pm quando estendemos a toalha na praia. Infelizmente, tínhamos internet. Fomos inundados por milhares (literalmente) milhares de mensagens dos 2 grupos de whatsapp de portugueses na Austrália e no mundo. A mais relevante: a Austrália pretendia fechar as fronteiras interestaduais nos próximos dias. Nós ainda pretendíamos passar por mais 2 estados antes de chegar a Melbourne (Victoria). Bem, desligámos o telemóvel e decidimos simplesmente aproveitar a praia e ignorar o que tínhamos lido.

Chegados a casa, já ao anoitecer, não podíamos continuar a ignorar o problema que estávamos a viver. Fomos desafiados pela SIC para fazer um vídeo que reportasse a dificuldade que estávamos a ter para assegurar o nosso regresso a Portugal. Efetivamente as dificuldades eram muitas: os voos estavam sempre a ser alterados, os países onde íamos fazer escalas estavam a fechar as suas fronteiras, algumas companhias aéreas estavam pura e simplesmente a deixar de voar e, para ajudar à causa, a Austrália estava na iminência de fechar as fronteiras interestaduais. Um pesadelo! Fizemos o tal vídeo e decidimos que iriamos continuar a aproveitar a Austrália, custasse o que custasse.

E assim foi! Novo dia, nova aventura: fomos visitar a maior ilha de areia do mundo – Fraser Island. Assim, saímos de casa por volta das 6.30am e caminhámos 4 km até à marina de Hervey Bay. Eram 7.30am quando embarcámos. Embora o tour tivesse capacidade para 40 pessoas, fomos apenas 12, o que foi fantástico. Tínhamos um enorme catamarã praticamente por nossa conta.

A viagem até à Fraser Island durou cerca de 1h e foi maravilhosa. Estavam 25 graus e céu completamente limpo. Fomos deitados na parte de trás do catamarã, a desfrutar de um excelente banho de sol, acompanhado de um café, bolo caseiro e frutas tropicais. Vida no paraíso? Sem dúvida!

Mal chegámos à ilha ficámos fascinados. A cor do mar era belíssima e a areia parecia farinha. Um verdadeiro postal 😊

Depois de dar muitos mergulhos e de uma longa caminhada pela ilha, decidimos aventurar-nos numa viagem naqueles sofás puxados por um barco. Eu pedia ao capitão para acelerar e o Diogo para abrandar! Coitado do senhor, estava a ficar confuso. Mas depois (felizmente) ignorou o Diogo e aí fomos nós a toda a velocidade. As curvas eram tantas e tão “apertadas” que foram várias as vezes em que quase fomos para à água.

Terminada esta aventura, continuamos a usufruir da praia. Eram 2pm quando tivemos de regressar ao barco. Eu decidi (erradamente) regressar a nado, já a lady (Diogo) decidiu ir de barco a motor. Bem, passei mais de 15 min a nadar contra-corrente. Mais uma aventura. Chegados ao barco, o almoço estava pronto! Bem, que manjar dos deuses. Um magnífico barbecue australiano, cozinhado a bordo. Tivemos direito a tudo e mais alguma coisa: camarão tigre, bifes suculentos, salsichas frescas, várias saladas e ainda uns pães muito bons.

Fraser Island.

Overall: um orçamento destruído, mas um dia memorável!

No mesmo dia, Scott Morisson (PM da Austrália), anunciou a implementação de novas medidas, nomeadamente: fecho de fronteiras interestaduais, fecho de todos os restaurantes, bares e discotecas, fecho das zonas públicas dos hotéis (i.e. restaurantes, salas de conferência, piscinas, etc) e obrigatoriedade de cumprir distanciamento social de 1,5 metros.

Estas medidas obrigaram-nos (mais uma vez) a alterar os nossos planos. Assim, decidimos comprar um voo de Brisbane direto para Melbourne (cidade de onde tínhamos o nosso voo para a Europa). Resumidamente, cancelámos os dias que tínhamos em Brisbane, Byron Bay e Sydney. Ficámos frustrados, não só por todo o dinheiro perdido (entre hotéis e bilhetes de bus), como também por não ter oportunidade de conhecer estas 3 cidades. Vendo a parte positiva: teríamos de voltar a Austrália no futuro. O regresso será feito, possivelmente, quando formos visitar a Nova Zelândia.

O dia seguinte, 23 março, foi passado inteiramente em viagem. Apanhámos uma camioneta de 4h de Hervey Bay para Brisbane e, em Brisbane, um voo para Melbourne. Chegámos a Melbourne já depois das 11pm. O cenário era assustador: o aeroporto estava deserto e mais de 75% dos voos apareciam “cancelados” no placard das partidas e chegadas.

Como chegámos muito tarde, tivemos de ficar a dormir num hotel. Coincidência das coincidências: era na mesma rua do apartamento que reservámos para as 2 semanas que passámos em Melbourne e na mesma rua do hostel que tínhamos reservado no plano original. Sim, foi mesmo coincidência! Bem, estávamos esfomeados (passámos o dia em viagem e não tínhamos comido praticamente nada), assim fomos até ao Hunger Jack’s (aka Burger King). Devido às novas restrições, apenas o take away funcionava. Fizemos o nosso pedido e fomos para o hotel, onde jantámos.

Dia 24 março, depois de 10h bem dormidas, acordámos na melhor cidade do mundo (pelo menos para nós): Melbourne! Não podíamos fazer early check-in no apartamento que tínhamos reservado. Assim, decidimos passar num 7eleven, onde comprámos um café e um bolo. Depois, sentámo-nos num banco de jardim a apreciar a movida enquanto degustávamos o nosso delicioso pequeno-almoço.

Tínhamos de “fazer horas” até às 2pm, hora do check-in no novo apartamento. O tempo passou a voar!

Colocámos o endereço do novo apartamento no google maps e, quando chegámos à porta do prédio, nem estávamos a acreditar. Arranha-céus brutal, super moderno, todo em vidro e com um aspeto muito luxuoso. Entrámos no apartamento e ficámos ainda mais fascinados: que casa fantástica! Tudo super moderno, TV com Netflix, uma cozinha 100% equipada e um quarto e varanda com uma vista espetacular. Além disso, concierge e escritório aberto para tudo o que fosse necessário (por exemplo os vários pedidos de café e chá). Escusado será dizer que em circunstâncias normais não teríamos budget para ali ficar. Contudo, dada a conjuntura internacional provocada pela covid-19, conseguimos um desconto de 85%.

Depois de nos instalarmos naquela que seria a nossa casa para os próximos 15 dias, fomos a pé até ao supermercado, onde nos abastecemos de todos os mantimentos necessários (e vá, desnecessários também. Eu estava cheia de saudades de ter uma cozinha boa para poder fazer mil e um cozinhados).

Terminámos o dia com um excelente jantar – frango assado, batatas assadas com ervas, salada de rúcula e um incrível vinho tinto australiano – enquanto apreciávamos a vista incrível que a sala do nosso apartamento nos proporcionava. No final, super gulosos, decidimos cozinhar uns bombons de cacau e caramelo salgado. Ficaram incríveis!

No dia seguinte, decidimos retomar o exercício físico. Assim, prometemos que iríamos treinar todos os dias, até ao dia do nosso voo (5 de Abril). Como a TV tinha Youtube, ficou muito mais fácil! Todos os dias treinámos pelo menos 25 minutos.

De seguida, preparámos um ótimo brunch, com tudo a que tínhamos direito: diversas variedades de pão, panquecas (com chocolate derretido), iogurtes, cereais, chá e café. Da parte da tarde, fomos até ao Queen Victoria Market comprar frutas e legumes (em média 50% mais baratos que no supermercado).

O resto da tarde foi passado a caminhar pela cidade. Terminámos o dia a ver o pôr do sol na zona de Docklands, que ficava apenas a 5 min a pé do nosso apartamento. Neste caso, uma imagem vale mais do que mil palavras:

Docklands.

26 de março, depois do treino e de (mais) um brunch delicioso, decidimos fazer um free walking tour “on our own” (tendo em conta o cenário de pandemia, este tipo de tours foram todos cancelados, contudo a cidade continuava aberta). Assim, visitámos: a famosa estação de comboios Flinders Street Station, a Federation Square, a zona de Chinatown e ainda o Princess Theather. Foi uma tarde estranha, por um lado conseguimos ver tudo o que queríamos, por outro, a cidade estava completamente deserta. Tínhamos visto algumas fotos destas atrações turísticas na internet e costumavam ter sempre muita gente.

Novo dia, novas aventuras! Este foi um dia especial, fazíamos 3 meses de casados. Assim, decidimos ir passar o dia à praia (o governo australiano manteve as suas praias abertas, pedindo às pessoas que assegurassem o distanciamento social. A medida resultou bem, pelo menos em Melbourne).

Assim, depois de 40 min de comboio chegámos ao tão aguardado destino: Brighton Beach. A praia estava com pouquíssima gente, estavam 28 graus, o sol raiava e tínhamos um areal praticamente só para nós. A praia parecia mesmo um postal, cheia de casinhas coloridas em madeira. Pousámos as coisas à pressa e fomos dar um enorme mergulho! O mar nesta zona era bastante mais frio que na Gold Coast, ainda assim a temperatura era bastante agradável.

Passámos um excelente dia, entre mergulhos e banhos de sol! Ainda almoçámos um bom farnel: sandes de atum, rúcula e mostarda dijon, ovo cozido, batatas fritas e fruta.

Brighton Beach.

Chegámos a causa já estava noite cerrada. Tomámos um bom banho, jantámos, bebemos um bom copo de vinho e dormimos uma noite relaxante.

Acordámos mais tarde que o normal, era sábado! Treinámos (sim, conseguimos cumprir a nossa promessa e treinar todos os dias que estivemos em Melbourne), tomámos o pequeno-almoço (quase almoço) e saímos. Estava um dia muito quente, como tal, decidimos ir visitar 2 parques conhecidos, o Fitzroy Gardens e o Queen Victoria Gardens. Chegámos a casa quase de noite, tínhamos andado 20km a pé, estávamos exaustos!

Era meia noite quando ensonada fui surpreendia! O Diogo chama-me até à sala, de telemóvel na mão! Bem, estava numa call com alguns dos nossos queridos amigos e amigas, a sala tinha uma enorme faixa a dizer “Happy Birthday”, um bolo Red Velvet (o meu preferido), champagne, e 2 velas enormes cor de rosa com brilhantes. Bem, que surpresa tão boa! Não podia ter pedido mais! Os 30 começaram em grande!

O sono passou e, depois de muitas chamadas, muitos parabéns e muito bolo, lá recebi o meu presente! Em formato de mímica, tive de adivinhar (e consegui). Para os mais curiosos, bilhetes para o teatro Harry Potter and the Cursed Child (parte 1 e 2), em Londres, em Janeiro de 2021! Os bilhetes do teatro foram acompanhados dos bilhetes de avião! Deitei-me feliz como uma criança.

30 de março, o dia do meu aniversário! Acordei tão ou mais feliz do que me deitei. Treinámos (sim, sem desculpas) e preparámos um brunch gigante. Brigadeiros, panquecas, ovos, scones, entre outros. Depois, fomos caminhar até ao Remembrance Gardens. Esta é (mais) uma fantástica zona da cidade de Melbourne. Passeámos imenso e tirámos muitas fotografias. Estava um dia lindo e tínhamos a cidade só para nós (quase literalmente). A meio da tarde, depois de 10 km a pé, o apetite abriu. Fomos até casa, onde o Diogo preparou uma deliciosa massa carbonara. Almoçámos/ lanchámos na varanda, onde também desfrutámos de um bom vinho. Voltámos a sair, desta vez para ir até ao Jardim Botânico. Terminámos o dia em Docklands, onde assistimos a mais um magnífico sunset.

Remembrance Gardens.

Em casa, preparámos um jantar digno de chefe: carne australiana maturada, acompanhada por batata doce assada com ervas. Bebemos um delicioso vinho tinto australiano e comemos o meu delicioso bolo de anos. Se me perguntassem se era assim que idealizava a minha entrada nos 30? Não, de todo! Se gostei? AMEI. Foi um dia incrível! Consegui ter uma cidade fantástica toda só para mim, estava sol, passeei muito, comi muitas coisas boas e, mais importante, passei o dia super bem acompanhada!

No dia seguinte, como mandava a rotina, treinámos e tomámos um brunch. Depois fomos caminhar pela cidade. Não nos cansávamos. Todos os dias tínhamos sítios novos para ver. Cada local mais incrível que o anterior. Neste dia visitámos a Biblioteca Estatal de Victoria e mais uma data de parques e jardins.

Dia 1 de abril, ainda nos restavam 4 dias completos em Melbourne. Estes 4 dias foram passados a visitar mais alguns parques e jardins, destaque para o Albert Park (visitámos 2 vezes), ainda fomos à praia a St. Kilda, visitámos o famoso casino Crown (onde se joga o conhecido torneio de poker “Aussie Millions”) e visitámos os icónicos monumentos que até então ainda não tínhamos tido oportunidade de conhecer. Repetimos também o sunset de Docklands! Umas das melhores zonas da cidade.

Docklands.

Overall, ficámos FASCINADOS com Melbourne. Sem dúvida a melhor cidade que já visitámos. Uma cidade cosmopolita, civilizada, moderna, com uma arquitetura única e cheia de parques naturais. Cereja no topo do bolo, tem praia!

Dia 5 de abril terminámos a nossa jornada na Austrália. Apesar de tudo, conseguimos aproveitar ao máximo este país incrível! Guardámos o melhor para o fim, sem dúvida!

Depois de 3 dias a viajar, chegámos a Portugal no dia 8 de abril. Aterrar em Lisboa foi muito muito estranho. O aeroporto estava deserto, as pistas estavam cheias de aviões parados. Chegados ao Oriente, percebemos que o país ao qual regressávamos não era o mesmo que tínhamos deixado a 31/12/2019. As ruas estavam desertas, as estações vazias, as caras cobertas com máscaras, enfim, um cenário triste! Uma realidade desconhecida, que esperemos que passe o quanto antes.

A todos vocês, queridos leitores, resta-nos agradecer todo o apoio, feedback e comentários que nos fizeram! Nós sentimo-nos uns sortudos! Passámos 96 dias seguidos a fazer o que mais gostamos, viajar. Trocámos o certo pelo incerto e arriscámos partir pelo mundo à descoberta. Percebemos que na vida nem tudo está sob o nosso controlo e, como tal, devemos aproveitar cada momento como se fosse o último. Aprendemos a respirar, parar e aproveitar. Acima de tudo, aprendemos a saber viver!

As 2304 horas que passámos a viajar foram aproveitadas ao máximo. Visitámos 6 países incríveis. De todos eles, sem exceção, guardamos boas recordações: da Argentina, o fantástico Perito Moreno; do Chile, o pôr do sol no Deserto do Atacama; da Bolívia, os passeios de jipe pelo Salar do Uyuni; do Peru, a escalada até Machu Picchu & Wayna Picchu; do México, os dias passados ao sol na Ilha de Holbox e da Austrália, o mergulho na inigualável Grande Barreira de Coral. Podíamos continuar, mas nunca mais sairíamos daqui. O nosso país preferido? Sem dúvida, Austrália!

Esta já foi sem dúvida a viagem das nossas vidas… que amanhã, dia 26 de maio, continuará!!! Após cerca de 1,5 meses de pausa voltaremos à estrada, desta vez pelo nosso país e começando em Portalegre! Fiquem atentos!

Até já,
Francisca e Diogo

Cairns & Airlie Beach, Austrália

Caríssimos,

Sentimo-nos verdadeiros descobridores. Parece que voltámos ao século 15! Somos a nova geração dos “Vascos da Gama” e dos “Fernão Magalhães”.

Como vos contei no nosso último post, saímos da Cidade do México no final da manhã de 11 março, tendo chegado a Austrália apenas ao início da tarde de dia 14 março. O que se passou entre estes dias? Não sabemos ao certo! Entre jet lag, horas dormidas em avião, filmes, séries, horas à seca no aeroporto, perdemos a noção do dia em que estávamos. Tínhamos fome e não sabíamos se era hora de tomar o pequeno-almoço ou de jantar!

Para vos dar mais contexto, deixo-vos de seguida o trajeto da nossa jornada: voo Cidade do México – São Francisco (5h); escala de 7h em São Francisco; voo São Francisco – Singapura (17h30 min, o maior voo que alguma vez fizemos); escala de 12h em Singapura; voo Singapura – Darwin (5h); escala de 7h em Darwin; e, finalmente, voo Darwin – Cairns (6h).

Agora vamos ao que interessa, finalmente tínhamos chegado à Austrália. A nossa lua de mel original, a nossa viagem de sonho. Não tínhamos era qualquer consciência do que aí vinha (refiro-me à pandemia mundial causada pela Covid-19).

Eram 13h00 quando aterrámos em Cairns, cidade onde decidimos iniciar a nossa “bus trip” pela famosa Gold Coast Australiana. Apanhámos um Uber desde o aeroporto até ao nosso apartamento. Foram 10km, 10 km que nos elevaram a expectativa ao mais alto nível. Sol radiante, avenidas verdejantes, casas modernas, bem, um país muito evoluído! A chegada ao apartamento foi caricata, o Uber deixou-nos no local errado. Ficámos espantados com o look do condomínio onde o Uber nos deixou, chegando mesmo a comentar “Como é que pagámos tão pouco para nos alojarmos aqui?”. Rapidamente nos apercebemos que estávamos no local errado. Afinal de contas, era um condomínio detido pelo Ministério da Defesa da Austrália. Andámos uns metros e lá encontrámos o verdadeiro apartamento. Bem, fomos induzidos em erro pela plataforma Booking. Achávamos que tínhamos um apartamento só para nós e com cozinha. Guess what? Nada disto! O anfitrião também vivia naquele pequeno T2 e não poderíamos utilizar a cozinha. Respirámos fundo e pensámos: a casa é boa, limpa, confortável e bem localizada. Será apenas 1 noite, por isso, não vamos ser esquisitos. Acreditem que depois de tanto tempo a viajar, uma cama, é uma cama (onde quer que seja).

Assim, tomámos um banho e partimos à descoberta de Cairns. Parámos numa loja de conveniência para “almoçar/lanchar”, ficámos assustados com os preços. Pagámos 15€ por 2 bananas, 1 embalagem de pão de forma, 1 frasco de compota e 200ml de leite. Depois, sentámo-nos num belíssimo jardim à beira mar a comer este delicioso pitéu (pão com compota, banana e leite simples).

Passámos a tarde a passear pela zona costeira de Cairns. Visitámos a marina, onde ficámos impressionados com o tamanho dos iates que lá estavam atracados. Visitámos também a lagoa de Cairns. Basicamente, a lagoa de Cairns é uma enorme piscina pública, em cima do mar. A piscina é rodeada por um jardim muito bem tratado, disponibilizando ainda barbecues elétricos gratuitos para quem quiser cozinhar. Ficámos impressionados com o quão limpos e bem conservados estavam. Relativamente a Cairns, é uma pequena cidade junto ao mar, que vive essencialmente do turismo e pesquisa em torno da Grande Barreira de Coral.

Lagoa de Cairns.

Depois de assistir a um fantástico sunset, terminámos o dia a jantar um kebab, deitamo-nos por volta das 9pm, estávamos exaustos de tantos voos (foram mais de 48h sem ver uma cama).

Sunset em Cairns.

No seguinte, 15 março, acordámos radiantes. Eram 6am, estavam 27 graus, o sol já brilhava e era dia de realizar um dos nossos sonhos: mergulhar na grande barreira de coral.  Foi sem dúvida um dos melhores dias da viagem e até das nossas vidas. Fizemos um tour de barco entre as 7h30 am e as 5pm, com a empresa Reef Experiences (a qual recomendamos vivamente). Começámos o dia com o pequeno-almoço a bordo (fruta, chá e café). Durante o dia, tivemos oportunidade de apanhar muito sol, vislumbrar paisagens idílicas, mas, acima de tudo, ver o fundo do mar mais bonito do mundo. Somos uns sortudos, num dos 2 mergulhos que fizemos, vimos tartarugas e tubarões. Tudo isto, rodeados de corais lindos e coloridos. A Grande Barreira de Coral tem 6 das 7 espécies de tartarugas existentes no mundo e 70% da tipologia de corais existentes no mundo. Ou seja, é riquíssima.

Grande Barreira de Coral.

Escusado será dizer que passámos o dia na água, tínhamos a pele toda enrugada. Era época de jelly-fish (e o mar estava cheio dele), pelo que tivemos de usar uns fatos especiais, como podem ver na imagem abaixo. Depois de horas no mar, tivemos direito a um almoço de sonho: um suculento bife australiano grelhado, salsicha fresca australiana, saladas deliciosas (a minha preferida foi a de alface, rúcula, bacon, ovo estrelado e molho de iogurte; mas havia outras muito boas, como por exemplo a de quinoa, agrião, manjericão, tomate seco e mozarela). Tudo isto no barco, rodeados de um mar maravilhoso.

Durante a tarde, estivemos cerca de 2h a tomar banhos de sol no upper deck, enquanto disfrutámos de vinho australiano, fruta e queijos, tudo em pleno alto mar. Não vos vamos enganar, os tours na Austrália não são baratos, mas compensam cada cêntimo! Este tour foi sem dúvida dos melhores que alguma vez fizemos, extremamente civilizado e com poucas pessoas.

Tour na Grande Barreira de Coral.

Chegámos a Cairns por volta das 5pm. Tínhamos camioneta noturna para Airlie Beach apenas à 1 am. Assim, decidimos passar o resto da tarde na lagoa de Cairns. Por ser domingo, havia música ao vivo. Um ótimo jazz! Por volta das 9pm decidimos ir jantar a um Italiano (muito fraco e bastante caro). Depois disso, regressámos ao nosso apartamento. O owner deixou-nos utilizar um storage para guardar as nossas coisas, para além disso o condomínio tinha mesas e wc no jardim. Assim, trocámos de roupa e ficámos à conversa no jardim até à 12am. As noites de Cairns são ótimas, 25 graus!

A noite foi passada em viagem. Decidimos percorrer a Gold Coast de camioneta. Assim, comprámos um pass da empresa Greyhound que, durante 20 dias, nos permitia fazer viagens ilimitadas pelo país. Contrariamente ao esperado, e, embora as camionetas tenham wifi (que funciona bem) e carregadores USB, as que andámos na América do Sul e América Central eram muito melhores do que estas. É estranho, mas é verdade! Aliás, as melhores camionetas que alguma vez andámos foram na Bolívia. Engraçado é que foi também o país mais pobre que visitámos até ao momento.

O novo destino era Airlie Beach, ponto de partida para visitar as famosas Whitsundays. Foi durante esta viagem que o “pesadelo Covid-19” começou. Mal entrámos na camioneta, vimos nas notícias australianas que, quem quisesse visitar a Nova Zelândia, teria de se isolar durante 14 dias. Ora bem, nós tínhamos uma semana marcada na Nova Zelândia, tínhamos reservado (e pagado) uma campervan e tencionávamos explorar a ilha sul (Christchurch a Queenstown). Para além disso, tínhamos também voos e hotéis reservados (e pagos). Depois de investigar, concluímos que não poderíamos entrar na Nova Zelândia, visto que não cumpriríamos o isolamento de 14 dias. Assim, cancelámos tudo. Recuperámos cerca de 50% do valor que tínhamos investido (parte do qual em travel vouchers de companhias aéreas). Prometemos a nós mesmos que, daqui a 2-3 anos, faríamos umas férias na Nova Zelândia e nas Fiji.

A par disto, vimos também que as Filipinas (destino que se seguia à Nova Zelândia), tinham decido fazer um lockdown completo de Manila até 14 de Abril de 2020. Tínhamos voo para este país a 5 de Abril. Mais uma viagem adiada … (ao menos já tivemos a sorte de visitar parte deste magnifico país em 2017).

Assim, tentámos esquecer todos estes problemas e decidimos estender a nossa viagem na Austrália por mais 1 semana do que o tempo inicialmente definido.

Chegámos a Airlie Beach por volta das 10.40 am, estávamos frescos. Já somos doutorados em dormir em viagens de camioneta. À chegada, tínhamos uma rapariga (daquelas que troca trabalho por estadia) a guiar-nos até ao nosso hostel. Pormenor muito simpático! Ficámos agradavelmente surpreendidos com o hostel que reservámos: quarto muito limpo, com boa arrumação e frigorífico. Adicionalmente, a cozinha do hostel era ótima e cheia de espaço para todos. Por fim, a localização era incrível, mesmo em frente à praia.

Depois de nos instalarmos, fomos ao supermercado, onde comprámos mantimentos para os próximos 4 dias. Almoçámos uma deliciosa massa com camarão, acompanhada de um bom vinho branco. Depois, passámos a tarde na Lagoa de Airlie Beach, que ficava a 2 min a pé do nosso hotel. Tal como Cairns, Airlie Beach também tem uma enorme e fantástica piscina pública em cima da praia (conhecida como Lagoa de Airlie Beach). Ao final do dia, fomos dar uma caminhada à beira-mar. Seguimos um caminho pedonal de 3km, junto à orla marítima até Cannonvale. Foi incrível, mais um cenário idílico. Terminamos o dia no hostel, onde jantámos e aproveitámos o calor noturno. Para além da excelente cozinha, o hostel tinha umas mesas ótimas no jardim para fazer as refeições.

Airlie Beach.

17 março, depois de um delicioso pequeno-almoço caseiro, passámos a manhã na praia Boathaven Beach. Que bela manhã. Entre banhos de sol, mergulhos, caminhadas e gargalhadas, ainda deu para por a leitura em dia. Na praia, estávamos apenas nós os dois e outro casal. Aliás, Airlie Beach estava deserta! Por volta das 3pm saímos da praia e fomos almoçar ao hostel. A fome já apertava! Durante a tarde, fomos novamente a pé até Cannonvale (o passeio é indescritivelmente bonito).

No dia seguinte, 18 março, foi dia de riscar mais um ponto na nossa bucket list: visitar as Whitsundays, bem como a Whiteheaven beach – conhecida como a praia mais bonita do mundo (nós atestámos este estatuto, e tenham em conta que já visitámos muitas praias pelo mundo fora). Foi mais um dia em cheio, partimos da Marina de Airlie Beach às 9am e regressámos as 4.30pm. Fomos de lancha e na viagem parámos em 3 praias diferentes, todas incrivelmente bonitas. A paragem mais longa (2h) foi na Whiteheaven beach (a.k.a praia mais bonita do mundo), onde almoçámos, subimos a um mirador, desfrutámos do mar e apanhámos um belo sol. A viagem de barco é desafiante e envolve muita adrenalina! Houve uma parte do trajeto em que as ondas eram tão grandes que parecia que estavamos numa montanha russa num parque aquático, ficámos completamente encharcados. Contudo, a beleza circundante compensa todo e qualquer desconforto.

Whitehaven Beach.

No regresso, parámos 1h num dos resorts mais exclusivo das Whitsundays, onde tivemos oportunidade de lanchar (fruta tropical) e dar uns mergulhos na piscina. Foi mais um dia que nos custou umas centenas de euros, mas mais uma vez valeu cada cêntimo!

À chegada, fomos até à lagoa de Airlie Beach, onde nos refrescámos e desfrutámos de um belo por do sol!

19 março, o dia do pesadelo, o dia em que tivemos de tomar a decisão mais difícil de toda a viagem: teríamos de fazer uma pausa. Esta decisão não foi tomada de ânimo leve, mas com a pandemia a evoluir de forma assustadora, as fronteiras internacionais estavam todas fechadas ou na iminência de fechar. Isto impedia a continuidade da nossa viagem. Para além disso, já tínhamos gastado uma “pequena fortuna” com todos os cancelamentos causados pelo Covid-19.

De qualquer modo, não nos podíamos sentir mais gratos e felizes. Até à data, tínhamos passado 79 dias a viver um sonho, o NOSSO sonho. Tivemos oportunidade de conhecer 6 países incríveis (Argentina, Chile, Bolívia, Peru, México e Austrália), pelos quais nos apaixonámos e que tanto nos ensinaram. Percebemos também que, na vida, não podemos controlar tudo e temos de aprender a viver um dia de cada vez, tirando o melhor de cada um dos dias, não deixando para amanhã o que se pode fazer hoje! Percebemos finalmente o verdadeiro sentido do “carpe diem”. Apesar de tudo estávamos felizes.

Decidimos também que iriamos passar uns tempos em Portugal, mas que pretendíamos voltar à nossa viagem assim que possível! Não sabemos se estaremos 1 mês, 2 ou 3 em Portugal, mas queremos voltar. Vamos esperar que a situação acalme, que o vírus seja mitigado e que as fronteiras voltem a abrir. Depois disto, acreditamos que poderemos regressar e continuar onde parámos.

Bem, voltando ao fatídico dia 19 (coincidência ingrata com o Covid-19). Passámos todo o dia no hostel a tentar marcar uma viagem para Portugal o quanto antes. Foi um quebra-cabeças! Ir de uma ponta à outra do mundo, em plena pandemia, e com fronteiras fechadas. Tivemos de pesquisar imenso! Desde sites de home affairs a sites das companhias aéreas. Apenas conseguimos voo para dia 5 de Abril, comprámos logo. Contudo, mal nós antecipávamos as alterações que o voo ainda viria a sofrer. O nosso voo original foi comprado de Melbourne para Londres Gatwick, via Doha, e de Londres Gatwick para o Porto, 24h depois de aterrarmos em Londres. À data de hoje, 26-Mar, este voo já se alterou 4 vezes (entre cancelamentos, reserva de novos voos e alterações de aeroportos).

Durante o dia, contactámos todos os meios disponíveis: linha Covid-19, e-mail Covid-19, linha GEC (Gabinete de Emergência Consular), Embaixada de Portugal em Camberra, Consulado de Portugal em Sydney e companhias aéreas… De todos os contactos, apenas tivemos sucesso com a Embaixada que registou o nosso nome e nos indicou que víssemos a melhor forma de regressar em voos comerciais. Assim foi.

Ficámos muito surpresos e revoltados com a falta de apoio e credibilidade dos meios disponibilizados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e pela Linha de Emergência Consular. Foram horas em chamada, sendo que há muita coisa que não faz sentido:

  • Primeiro, não percebemos como é que a linha Covid-19 para viajantes é um número fixo, ao invés de um n.º skype ou de um n.º com whatsapp (por exemplo, na Austrália o custo de chamadas efetuadas é de 5,00€ por minuto, imaginem a pequena fortuna).
  • Depois, como é possível esperar mais de 3 horas para ser atendido numa linha que supostamente é para emergências? O verdadeiro antónimo da eficácia e eficiência.
  • Terceiro ponto, a linha de emergência atende, perguntam se: i) já contactámos a nossa agencia de viagem (meus senhores, em pleno século XXI já há muita gente a viajar sem agência de viagens); ii) se já pesquisamos voos na internet (parece que estão a brincar!); iii) se já enviámos e-mail para o covid-19 (sim, já enviámos). Por fim, terminam a chamada a dizer que nos enviarão resposta com instruções de como devemos atuar via e-mail. Para que serve a linha telefónica então? Para perder tempo e dinheiro. Ou então vá, para voltarmos a falar um pouco na nossa língua materna que já tínhamos saudades.
  • Quarto ponto, demoraram 8 dias (sim, 8 dias) para enviar a resposta ao e-mail referido no ponto anterior. Recordo que a linha telefónica nos diz que as instruções que devemos seguir serão enviadas por e-mail. Assim, se fossemos dar ouvidos a tão prestigiada linha teríamos ficados 8 dias parados. 8 dias à espera de que o vírus se propagasse, mais fronteiras fechassem e as companhias aéreas deixassem de voar. Mas afinal, o que são 8 dias em plena pandemia mundial? Para nós, são 8 dias de desespero, em que temos de tomar decisões com informação limitada. Para o Estado Português? Hmmm diria que 1 ou 2 horinhas. Mais uma vez, demonstração dos antónimos de eficácia e eficiência.
  • Por fim (tinha mais pontos, mas não vos quero maçar, acho que já deu para perceber que a atuação do nosso país neste tipo de situação tem MUITA margem para melhoria), questiono-me qual a utilidade da App Registo do Viajante? É completamente inútil. Durante toda a viagem fui registando os países onde me encontrava. Supostamente, esta app servia para, em situações de emergência, o MNE, as embaixadas e os consulados poderem comunicar com as pessoas. Portugal fecha fronteiras e não é enviada uma push-notification? Um e-mail? Uma SMS? Nada…. Mais uma app para ficar bem na fotogragia.
  • PS – O MNE diz que não é uma agência de viagens, contudo a resposta dada pelo e-mail covid-19 solicita-nos todos os dados necessários, para que nos possa indicar as alternativas comerciais para regressar a Portugal. Ou seja, exatamente o trabalho que faria uma agência de viagem. Aquilo que se pede é que realizem o seu trabalho, ou seja: tratar da diplomacia entre países por forma a assegurar a inexistência de problemas nas fronteiras; e articular com as companhias aéreas de forma a assegurar a existência de voos que obviamente seriam pagos pelos passageiros.
  • PS 2 – Com isto tudo, constatámos a falta de articulação e comunicação entre os vários países da União Europeia. A título ilustrativo, recordo que estávamos 100 portugueses e 250 espanhóis retidos na Austrália. Não seria difícil Portugal e Espanha fretarem um avião que viesse buscar estas 350 pessoas (logicamente o custo seria financiado única e exclusivamente pelos passageiros). Pedimos esta solução, mas nada foi feito, remetendo sempre para companhias aéreas.

Depois deste desabafo, resta-me fechar o capítulo Airlie Beach. Depois de um dia terrível (o pior até à data), restou-nos um jantar no hostel, seguido de mais uma noite de camioneta. Saímos de Airlie Beach em direção a Hervey Bay às 9 pm!

Hervey Bay ficará para o próximo post!

Até já,

F&D

Custos & Dicas, México

Nota prévia: consultar os “Custos & Dicas Argentina” para perceber o enquadramento da nossa viagem, bem como as nossas “exigências” relativamente a estadia e meios de transporte.

Uma viagem de 24 dias pelo México, num formato low cost, custa cerca de 875€ por pessoa (exclui o voo intercontinental, ida e volta).

Deixamos infra uma listagem dos principais custos que tivemos. Estes custos são referentes ao seguinte plano de viagem (23 noites):

  • Mérida 2 noites
  • Holbox 4 noites
  • Playa del Carmen 4 noites
  • Tulum 4 noites
  • Bacalar 2 noites
  • Palenque 2 noites
  • Cidade do México 3 noites
  • Transportes 2 noites

Custos por categoria, por pessoa:

  • Voos:
    • Lima – Cidade do México: 150€
    • Cidade do México – Mérida: 45€
    • Cidade do México – Cairns (Austrália): 800€
  • Camionetas:
    • Mérida – Chiquilá (local do ferry para Holbox): 22€
    • Chiquilá – Playa del Carmen: 15€
    • Playa del Carmen – Tulum: 2€
    • Tulum – Bacalar: 15€
    • Bacalar – Palenque: 30€
    • Palenque – Cidade do México: 33€, com 50% de desconto por compra antecipada
  • Ferry:
    • Chiquilá – Holbox – Chiquilla: 20€
  • Outros transportes: 2,50€/transporte
  • Alojamento:
    • Mérida: 10€/noite
    • Holbox: 22€/noite
    • Playa del Carmen: 12€/noite
    • Tulum: 16€/noite
    • Bacalar: 13€/noite
    • Palenque: 11€/noite
    • Cidade do México: 10€/noite
  • Refeições:
    • Casa: 4€/dia
    • Restaurantes: 5€/refeição (comemos em muitos restaurantes locais, que são extremamente baratos)
    • Cerveja: 1,8€
  • Atividades turísticas:
    • Free walking tour Merida: 5€
    • Cenote Azul Playa del Carmen: 10€ (entrada + transporte via Playa del Carmen)
    • Praia Xpu Há: 6€ (entrada + transporte via Playa del Carmen)
    • Ruínas de Tulum: 4€/entrada
    • Ferry Cozumel: 20€
    • Aluguer mota Cozumel: 15€ (8h. Preço muito negociado)
    • Parque natural Sian Ka’an: 2€/entrada
    • Cenote Azul Bacalar: 1,20€/entrada
    • Day tour às Ruínas de Palenque, Cascata Misol-Ha e Cascata Azul: 20€ (entradas + transportes)
    • Teotihuacan: 10€ (entradas + transportes)
    • Free walking tour Cidade do México: 1€
  • Outros custos:
    • Dados móveis: 5€ por 3GB (validade 1 mês)
    • Gelado: 0,80€/unidade
    • Café: 1,50€/unidade
    • Lavandaria: 1€/kg de roupa

Agora vamos às dicas:

  • Geral:
    • Comprar um cartão local com dados móveis
    • Trocar dinheiro no aeroporto. De todos os sítios por onde passámos, o melhor câmbio que vimos foi no Aeroporto da Cidade do México. Todavia, compensa bastante mais pagar sempre com o cartão Revolut. Nós trocámos apenas 250€ para 24 dias, tendo feito a maioria dos pagamentos em cartão
    • Viajar com a empresa de camionetas ADO. As camionetas são muito boas
    • Para o Yucatán levar chapéu, protetor solar, repelente e máscaras de mergulho
    • Provar as seguintes iguarias locais: tacos, tacos al pastor, quesadilas, nachos, guacamole, frijoles, cacahuetes japoneses, marquesitas de nutella, cerveja michelada (cerveja com lima e sal), cerveja corona extra (pedir para colocarem lima), cerveja XX e cerveja índio
  • Mérida:
    • Fazer free walking tour: permite perceber o contexto socioeconómico da cidade, conhecer a sua história e ainda recolher dicas relevantes
    • Fazer um day tour a Uxmal. Infelizmente nós não tivemos tempo de visitar
    • Visitar a Casa Motejo
    • Visitar o Museu da Gastronomia. Se possível, estar lá as 3pm para provar (gratuitamente) uma deliciosa carne de porco marinada em especiarias, que é cozinhada durante mais de 8h debaixo da terra
    • Passear pela Avenida Montejo
    • Visitar Chichen Itza. Caso não aluguem carro, terão mesmo de ir em tour. Nós decidimos não visitar, visto que eu, Francisca, já lá estive 2 vezes. Assim, decidimos visitar outras ruinas mayas, noutras zonas do país
    • Almoçar no La Cubanita. Restaurante familiar de comida típica cubana. Delicioso e muito barato
    • Almoçar/ jantar na Taquería de la Unión. A dose ideal são 3 tacos por pessoa
  • Holbox:
    • Caminhar pela praia até Punta Mosquito. Esta é a zona mais remota da ilha. Com sorte, avistam-se flamingos. Necessário ir de manhã, visto que a maré enche ao início da tarde, sendo depois impossível voltar a pé. Notem que terão sempre de se molhar até aos joelhos
    • Almoçar ou tomar um copo ao final do dia no bar Carolinda. O bar é super giro e mesmo em cima da praia. Recomendamos a Água de Jamaica (chá de hibisco gelado, com canela)
    • Assistir ao pôr do sol em Punta Cocos. O ideal é comprar umas cervejas pelo caminho e chegar por volta das 6pm. São cerca de 20 min a pé desde o centro da cidade. Podem alugar uma bicicleta se não quiserem caminhar. Muito importante levar repelente
    • Jantar no Taco Queto. Restaurante típico mexicano. Recomendámos a parrillada para 2 pessoas, uma vez que traz um pouco de cada iguaria mexicana, dando oportunidade de cada pessoa rechear os seus tacos a gosto. Notem que este estabelecimento não vende álcool, permitindo, contudo, que levemos as nossas próprias bebidas
    • Provar as marquesitas (crepes de nutella mexicanos). Existem alguns vendedores ambulantes a vendê-las na praça central
    • Em termos de alojamento, existem hotéis para todos os bolsos. Os melhores ficam na direção de Punta Mosquito. Esta zona tem a melhor praia da ilha
  • Playa del Carmen:
    • Passar um dia na ilha de Cozumel. Esta ilha está a 1h de ferry de Playa del Carmen, existindo ferrys entre as 7am e as 11pm. Utilizar a empresa Winjet que é a mais barata (por lapso nós fomos na Ultramar que é mais cara, mas não compensa de todo). Cozumel é uma ilha grande. Para terem noção, as praias ficam a mais de 20km do porto. Recomendamos que aluguem uma scooter para dar a volta a parte da ilha e conseguirem visitar as melhores praias, nomeadamente: Palancar, San Martín e Chen Rio. A scooter custa cerca de 15/20€, enquanto que os táxis ficam 23€ por trajeto. A maioria das praias têm bar/restaurante, pelo que não precisam de levar comida. Importa ainda referir que Cozumel é um dos melhores locais de mergulho do mundo (nós não fizemos por restrições de budget)
    • Visitar a praia de Xpu Há que fica a cerca de 20 min de Playa del Carmen (para nós a melhor praia da região). Caso não aluguem carro, a melhor maneira para chegar a esta praia é apanhando um Coletivo (espécie de mini-bus utilizado pelos locais) na Calle 2 (entre a Calle 15 e a Calle 20). Pagámos 35 MXN por pessoa. A entrada nesta praia é paga (50 MXN por pessoa). Uma nota relevante, não entrem pelo glamping visto que aqui o preço da entrada é mais elevado (80 MXN). Existem 2 ou 3 bares na praia
    • Visitar a praia de Paamul. Nós desistimos devido ao preço (consumo mínimo de 500 MXN, ~23€). Contudo, a praia parece ser muito boa
    • Passar a uma manhã no Cenote Azul. Este cenote, contrariamente à maioria, é aberto, permitindo aproveitar o sol. Fica a ~15min de coletivo de Playa del Carmen. Este coletivo é o mesmo que vai para Xpu Há (ver ponto anterior)
    • Vistar a Isla Mujeres. Nós não fomos, optámos por ir antes a Cozumel. De qualquer modo, dizem que esta ilha também tem boas praias
    • Jantar na Taqueria El Fogón. Recomendamos que provem os Tacos Al Pastor, são deliciosos
    • A não ser que gostem de praia com festa (i.e. música, DJs, álcool, etc), passar o mínimo de tempo possível na praia de Playa del Carmen. Sinceramente, achamos que nem vale a pena visitar! Agora, se adoram o estilo Ibiza, este é o local certo
  • Tulum:
    • Visitar a Zona Arqueológica de Tulum. São umas ruínas Mayas em cima da praia, vale muito a pena. Atenção que vos vão tentar vender bilhetes mais caros. Os bilhetes oficiais compram-se na entrada, a 500 mt do estacionamento
    • Passar um dia na Playa Paradiso. Esta praia fica em Tulum e é incrível. Tem um areal muito extenso, com zonas para todo o gosto. Umas partes mais desertas e outras com bares e camas de madeira. Muito giro e muito menos confuso que a praia de Playa del Carmen
    • Visitar as seguintes praias (vizinhas da Playa Paradiso): Playa Santa Fe, Playa Pescadores e Playa Maya. Todas estas praias são visitadas a pé. Estão a ~20 min a pé das Ruínas de Tulum
    • Passar um dia na Secret Beach, inserida no Parque natural Sian Ka’an. Esta praia fica a mais de 15km do centro de Tulum, contudo, a par de Holbox, foi das melhores que visitámos em todo o México. A praia é alcançável de bicicleta ou carro. Podem ainda ir de táxi (embora fique carote). A entrada é 35 MXN (menos de 2€ por pessoa). A praia é deserta e não tem qualquer tipo de infraestrutura. Necessário levar snacks e água
    • Almoçar/jantar na Taquería Honorio. Recomendamos as quesadillas e o guacamole com nachos
    • Almoçar/jantar no El Carboncito. É uma taqueria muito local, pelo que não existem grandes luxos. A comida é deliciosa. Recomendamos a quesadilla de chorizo (foi a melhor que comemos até então). Os tacos Al Pastor também são muito bons
    • Ficar alojado num dos muitos e estilos hotéis que na estrada 15. Embora sejam longes do centro, estes hotéis são muito giros, tendo inúmeras lojas e restaurantes e bares à volta. A arquitetura e decoração destes restaurantes e bares é incrível. Tão giro!
  • Bacalar:
    • Dar muitos mergulhos na Lagoa de Bacalar. Podem aceder através do Balneário Municipal, cuja entrada é gratuita. Ou, alternativamente, a partir de um dos muitos bares e restaurantes que se encontram ao longo da lagoa. Recomendámos o Kaipez
    • Vistar o Cenote Azul. Podem apanhar um coletivo no centro de Bacalar ou caminhar (são 5km). A entrada custa apenas 25 MXN
    • Almoçar/jantar no Kaipez. Restaurante com estrado em cima da lagoa de Bacalar, o que permite passar lá o dia. Recomendamos os ceviches, principalmente o de camarão (foi dos melhores que alguma vez comemos). Notem que um ceviche dá à vontade para 2 pessoas
    • Almoçar/jantar no La Selva. Tem uma vista gira e uma comida ainda melhor. Recomendamos o guacamole e uma espécie de parrillada mista, com camarões, carne de boi e frango
    • Jantar no Christians Tacos. Recomendamos as quesadillas
    • Pequeno-almoçar/lanchar na Panederia La Tartelete. Os croissants de nutella e os brownies são fantásticos
    • Comer uma marquesita na praça principal da cidade. Os carrinhos de rua que as vendem apenas abrem ao final do dia, permanecendo durante a noite
  • Palenque:
    • Visitar as Ruínas de Palenque. Podem ser visitadas de forma independente ou via tour. De forma independente, terão de apanhar um coletivo na estação de camionetas ADO. Nós decidimos ir em tour, pois apenas tínhamos 1 dia e queríamos visitar outros pontos da região, nomeadamente a Cascata Misol-Ha e a Cascata Água Azul. Reservámos com a Tulum Tours. Eramos apenas 10 pessoas e andámos sempre sozinhos. Na verdade o tour incluía apenas o transporte de um lado para o outro e por isso conseguimos conciliar o melhor dos 2 mundos: zero “andar em grupo com guia” e 100% de conforto
    • Visitar a Cascata Misol-Ha e a Cascata Água Azul. Recomendamos reservar o transporte com a Tulum Tours
    • Almoçar/jantar no Restaurante Jade. Recomendamos as quesadillas, os frijoles com totopos e os ovos rotos com chaya
  • Cidade do México:
    • Fazer free walking tour pelo centro histórico. Reservámos com a empresa FreeTour
    • Utilizar Uber para deslocações maiores. É significativamente mais barato do que os táxis. Adicionalmente, o metro também funciona muito bem (e é muito barato)
    • Visitar os seguintes locais:
      • Teotihuacan – um dos maiores parques arqueológicos do méxico. Podem visitá-lo em tour, o que desaconselhamos (muito mais caro) ou por vossa conta. Por vossa conta, terão de se deslocar até ao Terminal de Autobuses del Norte e procurar a Gate 8. Aí compram bilhete de ida e volta para Teotihuacan. Estes bilhetes têm validade diária, em qualquer horário. A empresa chama-se Teotihuacan buses. Esta empresa deixa-vos e recolhe-vos junto à entrada do Parque. Chegados ao Parque, apenas têm de pagar a entrada. Fácil, certo? E tudo fica a ¼ do preço do tour.
      • Palácio Nacional de Belas Artes. Entrada gratuita aos Domingos
      • Zócalo. Principal praça da cidade, onde fica a Catedral Metropolitana e o Palácio do Governo
      • Parque Chapultec
      • Castelo Chapultec
      • Mercado Roma. Nós infelizmente não tivemos tempo para visitar
      • Paseo La Reforma
      • Calle Amesterdam
      • Gran hotel Ciudad Mexico. Nós infelizmente não tivemos tempo para visitar
      • Museo Frida Kalo. Nós infelizmente não tivemos tempo para visitar
      • Gastronómicos:
        • Pastelaria Ideal. Existem pelo menos 2 na cidade e são deliciosas. Recomendamos um bolo chamado “Pedra”, bem como os biscoitos
        • Churrería El Moro. Existem várias espalhadas pela cidade. Recomendamos os churros (claro!!!!) e o chocolate quente “spanish stylle”. É imperdível. Em 3 dias fomos lá 2 vezes
    • Almoçar/jantar no Nonsolo, restaurante italiano muito bom. Recomendamos os cannellones de espinafres e ricotta e o taglietelli carbonara
    • Almoçar/jantar no Nama Sushi. Restaurante com sushi de fusão maravilhoso. Atenção que é muito caro (~30€ por pessoa). Tudo o que comemos era fantástico, mas a peça “salmon crispy rice” era divinal
    • Almoçar/jantar no Indie Town, restaurante indiano 100% vegetariano. Recomendamos o menu de degustação. O menu é individual, mas se comerem pouco chega para 2
    • Nota: a cidade do méxico fica a mais de 2300 metros de altitude, pelo que, se forem sensíveis a este tema, recomendamos que descansem mais do que o habitual e caminhem menos. A nós, por exemplo, não nos afeta em nada. Importa ainda referir que a poluição que se sente nesta cidade é também muito intensa

Ate já,

F&D

Bacalar, Palenque & Cidade do México

Nota prévia: este post foi escrito antes de estarmos a viver a situação atual.

Olá a todos,

Que bom rever-vos (ainda que virtualmente)! As saudades de Portugal, da família e dos amigos começam a apertar! De qualquer modo, continuámos mais felizes do que nunca, a viver um sonho, o nosso sonho.

Bem, vamos lá ao que interessa. Estávamos a 2 de março quando partimos de Tulum em direção a Bacalar. Passámos a manhã toda em viagem, foram cerca de 3h de camioneta. Aproveitámos estas viagens para ler, ver séries, pôr o blogue em dia ou simplesmente dormir. Contrariamente ao que alguns de vós pensam, esta viagem não nos tem dado descanso eheh! Temos pouquíssimo tempo livre, andamos sempre animadíssimos de um lado para o outro, a querer visitar tudo e mais alguma coisa. Contudo, prometemos a nós mesmos que, depois de Austrália e Nova Zelândia vamos apostar no slow travel (i.e. ficar mais tempo em cada sítio e visitar menos sítios).

Chegámos a Bacalar por volta da 1pm. A estação ficava apenas a 2km do nosso hotel (sim, leram bem, desta vez decidimos ficar alojados num hotel), pelo que caminhámos até lá (e sim, continua a custar carregar a mochila durante estes trajetos). O hotel era bastante modesto, mas tínhamos piscina e estávamos apenas a 500m da lagoa de Bacalar. Bacalar é uma região que se caracteriza essencialmente por ter uma enorme lagoa (70km de comprimento e 2km de largura) coberta por uma água quente e crtistalina. Também é conhecida como Laguna das 7 Colores, devido aos 7 tons de azul que facilmente se identificam nestas águas. O único senão é ter crocodilos! Nós, felizmente, não avistámos nem um.

Depois de nos instalarmos no hotel, a fome apertou. Já passava das 2.30pm quando decidimos entrar num dos restaurantes em cima da lagoa, o La Selva. Mais uma vez, a comida mexicana não desiludiu. Almoçámos muito bem (limonada, guacamole, nachos, camarões, carne de boi e frango. Na verdade, uma espécie de parrilhada mista). Depois do almoço, decidimos ir explorar as redondezas. Ficámos verdadeiramente fascinados com os tons de azul que cobrem a lagoa.

Lagoa de Bacalar.

Terminámos o dia no “relaching” (como diz a nossa querida Dolores Aveiro). Aproveitámos para dar uns mergulhos na piscina e apanhar um pouco de sol. Para jantar, escolhemos um restaurante típico mexicano, onde partilhámos tacos al pastor (tacos feitos com tortilhas de farinha, carne de porco, cebolo roxa, queijo e lima) e umas quesadillas. Tudo isto acompanhado por 2 excelentes coronas extra com lima.

O dia seguinte (3 de março) foi passado a explorar os cenotes das redondezas e a lagoa de Bacalar. Depois de um pequeno-almoço bastante guloso (o Diogo comeu um croissant de nutella daqueles de meter inveja e um latte. Já eu, comi um pão de leite e bebi um sumo de ananás 100% natural), caminhámos 4km até ao Cenote Cocalitos e depois mais 1 km até ao Cenote Azul, o maior cenote do Yúcatan. Decidimos não entrar no Cenote Cocalitos, uma vez que na verdade, de cenote só tinha o nome, daí termos partido logo para o Cenote Azul. Adorámos visitar este cenote, é enorme e tem uma água muito límpida. Mas o que soube mesmo (mesmo) bem foi o mergulho. Notem que estavam 34 graus e tínhamos acabado de andar 5km a pé.

Cenote Azul.

Depois do cenote, caminhámos de volta para o centro de Bacalar. Decidimos almoçar novamente em cima da lagoa. Desta vez o local escolhido foi o restaurante Kaipez. Que boa escolha! Lambuzámo-nos com um ceviche de camarão, acompanhado com umas batatas fritas com molho chipole. Passámos a tarde no restaurante, tinha um estrado em cima da lagoa, o que nos permitiu dar muitos mergulhos e por a leitura em dia.

Ao final do dia, fomos até ao hotel dar um mergulho. Depois, já tarde, saímos para jantar. Foi uma aventura, já eram quase 10pm e estava tudo ou cheio ou a fechar. Assim, acabámos por jantar um hot dog e um hambúrguer numa barraca de rua. Estavam ambos muito bons e foram estupidamente baratos (2,5€ no total). Para terminar, finalmente, provámos as típicas marquesitas. Resumidamente, são uma espécie de crepe enrolado, que é cozinhado numa prensa coberta por fogo. Ao retirar o crepe da prensa, com a diferença de temperatura, cristaliza, tornando-se numa espécie de bolacha. Partilhámos o de nutella e estava incrível. A marquesita mais típica é de nutella e queijo (sim queijo), mas não nos atrevemos, pareceu-nos demasiado arriscado.

No dia seguinte, tomámos novamente o pequeno-almoço na única padaria da cidade e, depois de uma caminhada pela vila, fomos até ao Balneário Municipal, onde ficámos até ao início da tarde. Basicamente é um parque gratuito, em cima da lagoa de Bacalar. Mesmo sendo grátis, as instalações são ótimas: tem um estrado enorme onde se pode apanhar sol e saltar para a lagoa, baloiços, camas de rede, etc.

Decidimos almoçar novamente no Kaipez, e repetimos o ceviche, trocando apenas o camarão pelo peixe. Mais uma vez, delicioso. A tarde foi passada a descansar na piscina do hotel, tínhamos muitas horas de camioneta pela frente. Assim, depois de um jantar de tacos e quesadillas, ficámos a fazer horas até às 2am, hora a que apanhámos a camioneta para Palenque.

Foram mais de 10h de viagem, 10h bem passadas: a dormir. Dormimos literalmente toda a viagem. Chegámos a Palenque ao final da manhã, tendo-nos dirigidos diretos ao nosso Airbnb. Estávamos felizes por ficar novamente num apartamento, estávamos fartos de fazer todas as refeições fora de casa. Assim, depois de nos abastecermos no supermercado mais próximo, preparámos uma fantástica e saudável salada de atum. Para a sobremesa, um suculento ananás! Soube pela vida.

A tarde foi passada a explorar a cidade de Palenque. Rapidamente percebemos que é uma cidade muito pobre e sem ponta de interesse. É apenas um ponto de partida para visitar as ruínas Maias de Palente. Assim, decidimos reservar um tour para o dia seguinte. Terminámos o dia em casa, a ver Netflix na cama (também sabe muito bem!). O nosso apartamento era um duplex e, tinha um plasma com Netflix no quarto.

Novo dia, novas aventuras! Era dia 6 de março e, contrariamente ao esperado e ao dia anterior, estava chuva! Pela primeira vez na viagem tivemos azar com o tempo, íamos fazer um tour de 12h e estava a chover. Assim, como combinado no dia anterior, eram 8am quando o nosso driver nos apanhou no ponto de encontro. Uma peculiaridade em relação ao ponto de encontro, era uma funerária que ficava a 2min do nosso apartamento. Quando a empresa nos perguntou a morada do nosso Airbnb não sabíamos, mas lembrávamo-nos da funerária, pelo que combinámos ali! Imaginem só, no regresso, quando o driver perguntou às 10 pessoas da van onde queriam ficar e nós dissemos “na Funerária”. Ficou tudo a olhar!

Apesar da chuva, conseguimos passar 4h a caminhar por entre a selva e as Ruínas de Palenque. E “guess what?” Adorámos! Estas ruínas são incríveis. O único ponto menos positivo foi a queda que dei a descer um dos milhares de degraus das pirâmides. Felizmente não passou de um susto e de umas nódoas negras.

Ruínas de Palenque.

Por volta da 1pm partimos em direção à Cascata de Misol-Ha. Superou as nossas expectativas. Queda de água belíssima, literalmente no meio da selva. Felizmente não choveu!

Cascata de Misol-Há.

Por volta das 2pm partimos para a Cascata Água Azul, onde passámos 3h. Estava fresco e por isso acabámos por não mergulhar. De qualquer modo, esta cascata é muito bonita e diferente do que tínhamos visto até então. Dizem que é muito parecida com as cascatas do Laos, o que acham?

Cascata Água Azul.

Chegámos a Palenque por volta das 8pm. Fomos diretos à lavandaria buscar umas roupas que tínhamos deixado no dia anterior. Depois de um banho revigorante, cozinhámos uma massa com legumes e fomos para o nosso “guilty pleasure”: assistir Netflix na cama.

No nosso último dia em Palenque, aproveitámos para dar mais uma volta pela cidade. A nossa opinião não mudou, a cidade não tem mesmo interesse nenhum. Almoçámos muito bem, num bar/restaurante giríssimo (Restaurante Jade). Comemos ovos mexidos com chaya e tomate, quesadillas com legumes e cato (sim, leram bem!) e uns frijoles com totopos. Passámos a tarde neste bar/restaurante, onde vimos o jogo do FCP e planeámos os próximos dias da viagem.

Pelas 6pm partimos (de camioneta) para a Cidade do México, onde chegámos dia 8 de março às 10 am. A viagem foi longa, mas já estamos pros! Vimos séries, lemos e dormimos. Esperava-nos um longo dia pela frente e estávamos muito curiosos para conhecer a Cidade do México. Assim, mal chegámos apanhámos um uber para o nosso hostel. Relativamente ao hostel, ficámos bem instalados no Hostel Amigo Suites: 25€ noite, quarto duplo com wc e pequeno-almoço. Para além do mais, estávamos apenas 5 min a pé do Zócalo (principal praça da Cidade do México). Uma curiosidade, esta cidade fica a mais de 2300 metros de altitude (recordo que a Serra da Estrela fica apenas a 1900), contudo, como a altitude em nós não tem qualquer efeito (estivemos a 4500 metros no Perú), apenas nos apercebemos disto à noite, quando abrimos o gel de banho que, fruto das mudanças de pressão a que esteve sujeito, começou a sair sem parar.

Depois de nos instalarmos, demos um passeio pelo centro da cidade e visitámos o Palácio Nacional de Belas Artes. Tivemos sorte, por ser domingo a entrada foi gratuita. Reservámos um FWT (free walking tour) para as 14h30, pelo que ainda tínhamos de almoçar. Decidimos ir ao melhor cheap eats da cidade – Dalis Pizzeria Italiana. Ficámos surpreendidos porque, ainda que muito barato (cada pizza individual custava ~3€), não era nada de extraordinário para a posição que ocupa no ranking do tripadvisor.

Da parte da tarde, fizemos o FWT do centro histórico. Contudo, existia uma grande manifestação marcada para essa tarde, pelo que o tour teve de terminar a meio. Estas manifestações, realizadas no dia internacional da mulher, eram sobre o aborto. Originaram alguns confrontos entre forças a favor e contra a despenalização do aborto. A cidade estava um caos: as ruas cheias de pessoas, vidros partidos, edifícios grafitados e inúmeros confrontos. Fez-nos lembrar Santiago do Chile.

Palácio Nacional de Belas Artes.

Antes de regressar ao hostel, fomos até à Pastelaria Ideal (que recomendamos vivamente) comprar o almoço do dia seguinte e uns biscoitos para lancharmos no próprio dia. A pastelaria é enorme! Ficámos “a babar” com as iguarias ali expostas. À noite, fomos jantar a um restaurante indiano 100% vegetariano. Optámos por partilhar um pequeno menu de degustação. Estava tudo excelente.

No dia seguinte acordámos cedo e entusiasmados! Íamos visitar as pirâmides de Teotihuacan, um dos maiores parques arqueológicos do méxico. Decidimos fazer esta visita “on our own”, os tours eram caríssimos e, sinceramente, sempre que possível preferimos ir só os 2. Assim, depois de tomar um ótimo e completo pequeno-almoço no hostel (papaia, corn-flakes, iogurte natural, pão, café e chá) apanhámos o metro até ao Terminal de Buses del Norte. A viagem de metro foi engraçada, vimos umas carruagens vazias e tentámos entrar, mas o Diogo foi logo barrado! As carruagens eram apenas para mulheres e crianças. Assim sendo, acabei por ser praticamente a única mulher na carruagem dos homens. De qualquer modo, o sistema de metro na Cidade do México funciona muito bem: é rápido, limpo, seguro e ainda tem wifi gratuito. Relativamente ao wifi, nesta cidade existe wifi gratuito praticamente em todos os espaços públicos (e funciona bastante bem).

Depois de chegar ao terminal de autocarros, comprámos o nosso bilhete para Teotihuacan. Foi menos de 1h de viagem. Mal entrámos no complexo ficámos abismados com a sua dimensão. Era um espaço árido, cheio de pirâmides de diferentes dimensões. Para terem noção demorámos ~5h para visitar todo o espaço, bem como o museu. Foi uma visita muito completa, o único senão era o calor que se fazia sentir. Estava um sol abrasador. Na altura até comentámos, “ainda bem que apanhámos chuva em Palenque”. Realmente o ser humano nunca está satisfeito com o que tem!

Teotihuacan.

Voltámos para o centro ansiosos por chegar à Churrería El Moro, uma cadeia de churrerías mexicanas que descobrimos através de um blog de viagens. Já passava das 4pm e não tínhamos almoçado (depois do pequeno-almoço apenas comemos um pão seco ao final da manhã). Mal chegámos ao local lembramo-nos logo dos famosos pastéis de belém e dos 5 anos que vivemos em Lisboa. Bem, mas vamos ao que interessa, os churros eram incríveis. Partilhámos 4 churros e um chocolate quente spanish stylle (tudo por apenas 4€). Infelizmente, o chocolate quente era doce de mais e apenas conseguimos tomar metade! Ainda assim, este “almoço” bem açucarado soube muito bem. Saímos de lá a dizer “Amanhã temos de cá voltar!”. Depois dos churros, fomos dar uma volta pelo centro histórico e por chinatown. O centro histórico é espetacular, já chinatown não vale de todo a visita.

Por volta das 7.30pm fomos até ao hotel, onde tomámos um banho e trocámos de roupa para jantar. Um pouco “saturados” de tanta comida mexicana (aliás o meu estômago já se estava a ressentir do excesso de picante e condimentos), decidimos ir jantar a um italiano (Restaurante Nonsolo). Que bela escolha! O restaurante era muito giro e comemos super bem. Eu pedi uns cannelloni de espinafres e ricotta. Já o Diogo, um taglietelle carbonara. Chegámos ao hotel já perto das 11pm, estávamos exaustos! Tínhamos andado mais de 20km a pé e estávamos acordados desde as 7am.

No dia seguinte, decidimos dormir até às 9.30am. Acreditem que para nós é a “loucura”! Este dia foi cheio de percalços! O plano inicial era visitar 2 zonas da cidade, Roma e La Condessa, bem como outros pontos de interesse que ainda não tínhamos tido oportunidade. Em seguida, jantar num bom restaurante e rumar ao aeroporto. Tínhamos voo para o São Francisco às 5am, pelo que teríamos de estar no aeroporto às 2am. Ou seja, não compensava pagar uma noite de hotel. Em São Francisco estaríamos 2h e depois seguiríamos para Singapura. Ficaríamos em Singapura 7h e depois voaríamos para Bali e, por fim, Cairns.

Depois de tomar o pequeno-almoço, lá fomos nós fazer o check-in online. Abrimos a nossa reserva, no site da United, e vemos que o check-in ainda não estava aberto, abria 24h antes do voo. Olhámos um para o outro com ar de espanto, “mas são 10 da manhã, se o nosso voo é às 5 da manhã, faltam menos de 24h”. Depois de pesquisar, percebemos que o nosso voo afinal era só às 12h50pm. Bem, o pânico instalado, íamos perder os nossos 2 voos de conexão para Austrália. Fomos ver todos os emails que recebemos da United (inclusive o spam) e nenhum nos informava que o nosso voo original tinha sido cancelado. Resumidamente, a United operou até início de março 2 voos diários na rota São Francisco – Singapura. Fruto do Covid-19, a procura caiu abruptamente, o que levou a United a suspender um dos voos (o nosso).

Estivemos 1h ao telefone e nada foi feito, pelo que decidimos apanhar um Uber até aos escritórios da United Airlines, onde estivemos seguramente mais de 5h. Depois de explicar a nossa situação, ou seja, que cancelaram o nosso voo e nos colocaram noutro sem qualquer aviso e que, tudo isto nos fazia perder 2 voos, hotéis e ainda 1 dia em Cairns, a solução que nos apresentaram foi a devolução do dinheiro. Ficámos fulos. Tentámos falar com alguém superior, mas ninguém nos atendeu. Ainda nos tentaram vender um voo novo, com destino a Sydney (ao invés de Singapura), o que nos deixou ainda mais chateados. Então a companhia erra e ainda tenta fazer dinheiro à nossa custa. Efetivamente, não tinham qualquer registo que comprovasse o envio de email ou sms a avisar acerca do cancelamento do nosso voo.

Long story short, marcámos mais uma noite na cidade do méxico e compramos um novo voo de Singapura para Cairns. Ainda perdemos a noite de hotel em Cairns. Gastámos muito dinheiro e perdemos muito tempo, motivo pelo qual iremos avançar com uma reclamação formal contra a United Airlines. Para terem noção, a única coisa que a companhia nos ofereceu foi um upgrade para premium economy. Mas como devem perceber, mais comida e cadeiras com cama não compensam aquilo que perdemos, bem como o transtorno causado.

Assim, saímos dos escritórios da United por volta das 3.30pm, estávamos esfomeados! Para espairecer decidimos ir almoçar a um sushi aparentemente muito bem conceituado e que se encontrava apenas a 3km do local onde estávamos. Caminhámos até lá (claro!). Bem, podemos afirmar com 200% de certeza que foi o melhor sushi que comemos na vida. Do estilo Confraria em Lisboa, mas ainda melhor. O único problema era o preço. Tivemos de ser muito contidos. Pagámos 25€ por 2 espécies de temakis (cá são em formato cilíndrico) e 9 peças de sushi. Não pedimos nem bebida, nem sobremesa.

Depois deste almoço tardio, e como combinado na tarde anterior, voltámos à churrería El Moro. Desta vez, trocámos o chocolate quente por um copo de leite frio e simples! Que combinação divinal.

Churrería El Moro.

Passámos o resto do dia a caminhar pelos seguintes locais: Parque de Chapultec, Castelo de Chapultec, Bairro de Roma e Bairro de la Condessa. No final, fomos visitar o Paseo La Reforma, ficámos fascinados com o contraste desta zona. Parecia que estávamos no meio de Wall Street em NYC. Imensos arranha-céus em vidro com heliporto no cimo.

Bem, depois de nos instalarmos num novo hotel (fruto do problema com a United), decidimos que o nosso último jantar no México deveria ser num local típico. Contrariamente ao que costumámos fazer, não pesquisámos. Saímos do hotel e parámos no restaurante que nos pareceu mas típico, que para quem conhece o Diogo sabe que é quele “tascão”. Assim foi, pedimos 4 coisas e comemos: 0. É verdade meus senhores, estava tudo intragável! Não conseguimos jantar.

Como já eram 10.30pm, não teríamos tempo de ir a um novo restaurante. Passámos numa loja de conveniência, compramos uns snacks (bolacha maria, iogurte e chocolotates) e “jantámos” no quarto a ver um episódio de “Las Chicas del Cable”.

No dia seguinte, 11 de março, acordámos tarde e fomos diretos para o aeroporto! Espera-nos uma longa jornada. Neste momento, escrevo-vos a partir do nosso primeiro voo: Cidade do México – São Francisco (5h). Segue-se o seguinte: escala de 7h em São Francisco (não podemos sair do aeroporto devido ao nosso seguro de saúde); voo São Francisco – Singapura (17h30 min, o maior voo que alguma vez fizemos); escala de 12h em Singapura (vamos aproveitar para planear o mês de Abril); voo Singapura – Darwin (5h); escala de 7h em Darwin (nesta escala vamos tentar sair e conhecer  a cidade); e, finalmente, voo Darwin-Carins (6h). Deixo esta aventura para o próximo post!

Austrália, here we goooooo (estamos verdadeiramente felizes, este era o destino original da nossa lua de mel)!

Bem, mal sabíamos o que por aí vinha…

Obrigada!

Saludos,

F&D

Playa del Carmen & Tulum, México

Caros leitores,

Na última vez que vos escrevi, tínhamos acabo de chegar a Playa del Carmen. Vínhamos de uma ilha deserta (Holbox), pelo que o choque foi grande! Já não víamos carros nem movimento há uns dias (um luxo nos tempos que correm). Bom, chegámos a Playa del Carmen dia 23 fevereiro por volta das 7pm, tendo ido diretos pousar as malas ao nosso Airbnb. Depois, fomos abastecer-nos à famosa cadeia de supermercados Wal-Mart, adorámos a experiência de compra, que foi tal e qual como se lê nos case studies da Harvard Business Review.

Rapidamente percebemos que, contrariamente a Holbox, a Playa del Carmen é uma região muito, mas mesmo muito turística. Existem imensas cadeias conhecidas, muitos bares, muitas discotecas e, acima de tudo, muita festa (not our stylle). De qualquer modo, não podemos ser injustos. As paisagens das redondezas são fantásticas, tendo muitas praias idílicas. Nós decidimos visitar os seguintes locais: Ilha de Cozumel, Praia de Xpu Há e o Cenote azul.

Decidimos começar a nossa estadia em Playa del Carmen com uma visita a um dos ex-libris da região, a praia de Xpu Há. Esta praia fica a ~8km de Playa del Carmen. Como viajamos num registo low-cost, decidimos ir de “Coletivo” – transporte utilizado pelos locais. Para terem uma ideia, são umas carrinhas brancas do estilo Mercedes Vito, que vão parando em diferentes pontos da estrada para recolher e largar passageiros. O preço varia entre 1,50€ a 3€ por pessoa.

Como se vê nas imagens abaixo a praia é fantástica! Tem um areal muito extenso e um mar maravilhoso. O único senão é a entrada ser paga (~2,50€). Apesar da praia ser pública, o acesso não o é, tendo de ser feito por algum hotel. A principal vantagem é que acaba por ser uma praia mais tranquila, com menos pessoas. Ficámos todo o dia pela praia, aproveitámos para ler, caminhar, fotografar e dar muitos mergulhos! Ainda bebemos uma cerveja fresquinha antes do almoço. Relativamente aos almoços, temos levado sempre wraps (de ovo, atum, fiambre e/ou queijo), fruta e às vezes batatas-fritas para a praia. Permite-nos poupar e dá-nos a liberdade de almoçar onde nos apetece.

Praia de Xpu Há.

Ao final do dia, apanhámos um coletivo de volta a Playa del Carmen. Aproveitámos para dar uma volta pela conhecida e movimentada Quinta Avenida. Fomos a casa tomar banho e decidimos ir jantar a um restaurante mexicano recomendado pelo host do nosso Aribnb – Taquería El Fogón. Jantámos diversos tacos, acompanhados por uma corona com lima, que delícia!

No dia seguinte (25 de fevereiro) fomos visitar a Ilha de Cozumel. Esta ilha fica a ~35min de ferry de Playa del Carmen. Tivemos “azar” e comprámos bilhetes na primeira empresa que nos apareceu à frente. Apenas existem duas, a Ultramar e a Winjet. Comprámos na Ultramar, a mais cara! Quer os barcos, quer os horários são idênticos, a única diferença está mesmo no preço. Ficámos chateados, mas foram apenas 4€ a mais.

Contrariamente ao que pensávamos, Cozumel é uma ilha grande. À chegada ficámos um pouco desiludidos, estávamos ingenuamente à espera de uma ilha calma e pequena. Contudo, deparámo-nos com uma ilha de festa, cheia de americanos, cadeias de hotéis, cadeias de restaurantes (Hooters, Subway, Starbucks, McDonalds, Dominus, Burguer King, etc), lojas de souvenirs, agentes turísticos, etc. Para o nosso estilo, um pesadelo! Rapidamente nos apercebemos que as melhores praias ficavam a 20 km do porto. Assim, primeiro tentámos ir de táxi até à melhor praia, mas eram 25 USD só ida. Depois, decidimos alugar uma scooter. Com a nossa excelente capacidade de negociação, conseguimos baixar o preço de 30 USD para 15 USD.

Alugar a scooter foi a melhor decisão que podíamos ter tomado. Conseguimos afastar-nos rapidamente do centro, começando a constatar que afinal Cozumel era uma ilha interessante. Visitámos 3 praias – Palancar, San Martín e Chen Rio – todas elas, por estranho que possa parecer, estavam vazias e eram bastante paradisíacas. Talvez tenhamos tido sorte por ser dia de Carnaval.

Ilha de Cozumel.

Infelizmente e embora Cozumel seja um dos melhores lugares para fazer mergulho no mundo, não o fizemos. Decidimos deixar o mergulho para outras partes da viagem! Voltámos até ao centro, entregámos a scooter e apanhamos o ferry das 7pm até Playa del Carmen. Caminhámos ~20 min até casa, onde, depois de um bom banho, cozinhámos um bife com batata a murro. Estava ótimo!

Novo dia, novas aventuras! Decidimos ir visitar o Cenote Azul. Contrariamente à maioria dos cenotes, este é a céu aberto, o que permite aproveitar a luz do sol. Passámos toda a manhã a nadar no Cenote! Depois, decidimos ir até à praia – que aventura (já vão perceber porquê). Queríamos visitar a Praia de Paamul. A praia ficava a 7km do Cenote Azul. Achámos que 7km era uma distância que facilmente faríamos a pé (temos andado cerca de 15-20km a pé todos os dias). Esquecemo-nos que estávamos no México, que era 1pm e que o sol queimava. Assim, começámos a andar por uma via-rápida. Passados 10 min parecia que tínhamos mergulhado novamente no cenote. Estávamos literalmente encharcados (em suor – desculpem!). Andámos mais um bocado, um bom bocado! Desistimos quando estávamos a 3km de Paamul. Estava mesmo MUITO calor. Apanhámos um coletivo que nos cobrou 1€ para ir até Paamul. Deixou-nos na estrada, mais à frente. Assim, tivemos de caminhar mais 800 m até à entrada da praia. Quando lá chegámos, disseram-nos que a entrada tinham um consumo mínimo de 500 MXN (~25 USD). Ficámos furiosos! Pedimos para ver o regulamento, que não referia este consumo. Perguntámos onde estava escrito, ao que nos disseram que era algo comunicado verbalmente. Tínhamos os nossos wraps connosco, pelo que não faria sentido estar a gastar todo esse dinheiro para almoçar. Assim sendo, frustrados e chateados, caminhámos de volta até à estrada. Estávamos “irados”! Um calor de morte, todos suados e a andar feitos baratas tontas. Apanhámos novamente um coletivo (estão sempre a passar) e pedimos que nos deixasse em Playa del Carmen, sem referir que queríamos ir para o centro. Imaginam o que aconteceu? Deixou-nos na entrada da cidade e nós, autênticos “nabos”, saímos. Pronto, foram só mais 3km a pé até à praia. Não havia uma nuvem no céu, não corria uma brisa no ar e estavam mais de 30 graus.

Cenote Azul.

Finalmente chegámos à praia da cidade e demos um mergulho. O mar é maravilhoso, quente, calmo e turquesa. Já da praia, não se pode dizer o mesmo. É uma praia de cidade, cheia de clubes de praia estilo Ibiza. Imensa música, imensa festa e imensos bêbados. Não se consegue descansar. Nós detestamos este tipo de praia. Para nós, quanto mais deserta e silenciosa a praia, melhor. Assim, apenas estivemos ~3h na praia. Ao final do dia, demos mais um passeio por Playa del Carmen e regressámos ao nosso apartamento.

Dia 27 de fevereiro, dia de partir para um novo destino, Tulum. Desta vez a viagem foi curta, apenas 1h de camioneta. Aproveitámos a manhã para pôr o sono em dia, visto que apenas tínhamos autocarro as 11.45am. Chegámos a Tulum e fomos a caminhar até ao nosso Airbnb. Eram apenas 1,8km, contudo, com as mochilas e com o calor custa sempre tanto. Fomos recebidos por um Português, natural de Coimbra, que vive em Tulum há 3 anos. A casa era fantástica e muito confortável. Para nós, a melhor que ficámos até então. Tínhamos 2 pátios ao ar livre, bicicletas, sala, cozinha, quarto, WC e AC. Tudo só para nós! A decoração era típica mexicana.

Estávamos esfomeados, pelo que, depois de deixar as malas, voltámos ao centro para almoçar. Descobrimos através do tripadvisor um bom restaurante a apenas 2km de casa. Caminhámos então até à Taquería Honorio. A fila era grande, mas passou rápido. Almoçámos umas deliciosas quesadillas, guacamole e nachos. Que maravilha. Depois do almoço, fomos até ao supermercado, para nos abastecer para os próximos 5 dias. Depois de deixar as compras em casa, eram já 5pm, decidimos pegar nas bicicletas e ir a umas praias que ficavam a 5km de casa. Bem, que aventura! As bicicletas eram aquelas típicas holandesas, bonitinhas e com cestinho, MAS!, não tinham travões nem mudanças. E, eram muito, mesmo muito, pesadas. Rapidamente nos apercebemos que conseguíamos travar com a corrente, bastava rodar os pedais para trás. Chegámos à praia e ficámos encantados, estava deserta! Passeámos um pouco a pé e regressámos a casa. Aproveitámos o pátio para beber uma cerveja geladinha, acompanhada de uns amendoins estilo japonês (vendem-se nos supermercados e são incríveis).

No dia seguinte, depois de um ótimo e completo pequeno-almoço home made, pegámos nas bicicletas e fomos visitar a zona arqueológica de Tulum. Para mim não foi novidade, era a terceira vez que visitava. Ainda não vos tinha dito, mas visitei a Riviera Maya com os meus pais em 2007, e nesta viagem, visitei quer Chichen Itza, quer as Ruínas de Tulum. Uns anos mais tarde, em 2011, visitei Cancun na viagem de finalistas da faculdade. Mais uma vez, voltei a visitar Chichen Itza e as Ruínas de Tulum. De qualquer modo, é sempre bom voltar a locais onde fomos felizes! As ruínas são muito giras e estão mesmo em cima da praia, tendo uma vista invejável para o Caribe Mexicano.

Zona Arqueológica de Tulum.

Depois de 2h de visita, caminhámos ~20 min até à Playa Paradiso. Ficámos encantados com a praia. Por ser uma praia de cidade, estávamos um pouco receosos de ser tipo Playa del Carmen, mas nada disso! Tulum ainda é um local bem preservado e com pouca festa. A praia tem um areal muito extenso, com zonas para todos os gostos. Tem zonas com bares e com música (jazz agradável) e zonas desertas. Claro que nós fomos para a parte deserta. Ficámos toda a tarde na praia, com um mar e areal quase só para nós. Lemos e mergulhamos muito! Eu ainda aproveitei para correr 5,6km (adoro correr na praia!). Ao final do dia, caminhámos 30 min até às nossas bikes e depois pedalámos mais 30 min até casa. Jantámos em casa uma bela pasta bolonhesa.

No dia 29 de fevereiro, uma data que apenas se vive de 4 em 4 anos, decidimos visitar 4 praias. São todas vizinhas e alcançáveis através de curtas caminhadas pelo areal. Assim, para além da nossa querida Playa Paradiso, visitámos as seguintes praias: Playa Santa Fe, Playa Pescadores e Playa Maya. Neste dia, deixámos as bicicletas em casa e visitámos tudo a pé. No total, andámos ~15km a pé. Para celebrar a data, fomos jantar fora! Escolhemos um restaurante que ficava a 3km do nosso Aribnb (walking distance portanto). O restaurante chamava-se El Carboncito e era muito, mesmo muito local. É altamente recomendável quer pelo preço, quer pela qualidade. Para se ter uma noção a coca-cola custa apenas mais 1 MXN em relação ao supermercado. “Lambuzámo-nos” com nachos, quesadilla de chorizo e tacos al pastor. Como estávamos na “esplanada” ainda assistimos ao desfile de carnaval que por ali passava.

Playa Paradiso.

No nosso último dia em Tulum, decidimos visitar uma praia que ficava a 17km do nosso Airbnb, a Secret Beach. Guardámos literalmente o melhor para o fim. Esta praia está inserida num parque natural incrível – Parque Sian Ka’an. Embora a entrada seja paga, são apenas 35MXN (menos de 2€).

Achámos que faríamos os 17km em 1h, mas demorámos quase 2h. As nossas bicicletas eram muito diferentes das que costumámos usar em Portugal. A falta de mudanças e o mau piso (terra, buracos e gravilha) atrasam muito a pedalada. De qualquer modo, a beleza da praia mais do que compensou todo o esforço. A Secret Beach, a par das praias de Holbox, foi sem sombra de dúvida das melhores praias que visitámos no México (e na vida). A praia estava deserta, não existe nenhum bar, nem nenhum hotel. Durante todo o dia vimos apenas um casal e um cão. Para além disso, o areal é super extenso, com areia cor de farinha. O mar é calmo, quente e turquesa. A vegetação é cheia de palmeiras. Que lugar incrível, como se costuma dizer era o “paraíso na terra”. Ficámos com pena de não ficar mais um dia em Tulum, só para podermos voltar a esta praia (e sim, não nos importávamos de voltar a fazer os 34km de bicicleta, para verem o quão boa é a praia).

Secret Beach Tulum.

Ao final do dia, voltámos para casa! Viemos a pedalada toda a sonhar com uma cerveja fresquinha e uns amendoins no pátio (ritual que tínhamos seguido nos últimos 3 dias), contudo a cerveja que tínhamos em casa tinha acabado. Assim, parámos num supermercado para nos reabastecermos. Surprise, surprise: a venda de bebidas alcoólicas aos domingos está proibida a partir das 17h. Que deceção! Assim, trocámos a cerveja por uma coca-cola (zero, claro!). Jantámos em casa, cozinhámos um chili delicioso.

Dia 2 de março, dia de viagem e dia de encerrar o capítulo de praia no México. Assim, eram 9.45am quando saímos de Tulum em direção a Bacalar, mas isto (e muito mais) fica para o próximo post!

PS – Se tiverem pouco tempo, podem optar por ficar apenas em Tulum ou em Playa del Carmen. A maioria dos locais mais idílicos estão a menos de 1h de carro destas cidades.

Saludos,

F&D

Mérida & Holbox, México

Hola guapos e guapas!

Como vos contámos no nosso último post, a nossa viagem do Perú até ao México foi muito cansativa! Fizemos 3 voos (Lima – Panama City – Cidade do México – Mérida) sendo que tivemos de passar a noite no aeroporto da Cidade do México.

Mal aterrámos em Mérida percebemos que tínhamos chegado ao calor. Ainda era bem cedo e já estavam 27 graus. Depois de esperar cerca de 1h no aeroporto (para podermos fazer o check-in no nosso Airbnb) apanhámos um uber até ao apartamento. O nosso host deixou-nos entrar no Airbnb 4h mais cedo, o que foi ótimo!

Ficámos (mais uma vez) bem instalados. Tínhamos um estúdio com wc e kitchenette só para nós. Ficámos numa zona calma, a 30 min a pé do centro. Uma curiosidade, ao lado de nossa casa ficava localizada uma fábrica de bolachas, pelo que o cheirinho nas redondezas era maravilhoso! Depois de nos instalarmos, decidimos sair para visitar a cidade (mesmo sem ter dormido mais de 1h seguida). Foi um erro, devíamos ter ficado a descansar e sair apenas durante a tarde.

Aí fomos nós, a caminhar até ao centro. Escusado será dizer que à medida que o dia ia avançando estávamos cada vez mais cansados! Ainda assim, foi-nos possível conhecer o centro e principais praças da cidade, bem como almoçar numa casa cubana, chamada La Cubanita. O almoço foi excecional, comida típica cubana servida na casa da família por menos de 5€ por pessoa. Comemos uma deliciosa tarte cubana (pão, carne assada, queijo, pickles e uns molhos tradicionais) e carne assada com arroz de feijão e salada. Por volta das 7pm e depois de passar no supermercado fizemos um lanche ajantarado e deitámo-nos. Dormimos mais de 12h seguidas.

18 de fevereiro, depois de uma noite muito bem dormida, o dia não começou muito bem! O nosso host esqueceu-se que era dia de pequeno-almoço (neste Airbnb tínhamos direito a pequeno-almoço dia sim, dia não). Quase que nos passámos, porque tínhamos de sair pouco depois para chegarmos a tempo ao nosso free walking tour. O host foi inteligente e despachado. Trouxe-nos o pequeno-almoço em caixa para transportar. Decidimos tomá-lo no apartamento e ir de uber até ao FWT (ao invés de ir a pé, como inicialmente planeado). Tivemos direito a um super pequeno-almoço: panquecas, morangos, ovos com fiambre, tomate, pasta de feijão e nachos.

Começámos o FWT numa das muitas Plazas de Mérida. O nosso guia era formado história, pelo que sabia exatamente o que estava a dizer e respondia bastante bem às diferentes questões que foram surgindo. Tivemos oportunidade de conhecer uma série de sítios históricos, bem como de entrar em algumas igrejas e universidades. Terminámos o tour dentro do City Hall, com uma vista fantástica sobre a Plaza Mayor (nome não oficial da principal praça da cidade).

Passeámos mais um pouco e fomos almoçar a um local recomendado pelo guia, ainda que já tivéssemos visto na internet. Chamava-se Taquería de la Unión. Começámos por uma cebola assada com molho de lima e coentros, depois provámos 3 deliciosos tacos (leitão, barriga de porco e carne esfiada) e “regámos” tudo com uma cerveja fresquíssima. Tudo ótimo, com uma excelente relação qualidade/preço.

Durante a tarde, continuámos o nosso passeio. Fizemos uma primeira pausa para provar um gelado italiano que o guia nos tinha recomendado. Metemos barrete, caríssimo e nada de especial. Depois fomos até ao Museu da Gastronomia, visita muito interessante onde tivemos oportunidade de conhecer melhor a cozinha do Yucatán e ainda degustar gratuitamente uma carne de porco marinada em especiarias que é assada durante mais de 8 horas debaixo da terra.

Seguidamente, fomos visitar a Casa Montejo. Era a casa onde viveu o general espanhol responsável por colonizar Mérida. Foi uma visita interessante! Terminada a visita, estávamos cheios de calor (estavam mais de 37 graus), pelo que decidimos comprar uma cerveja bem gelada e sentar-nos num banco à sombra a apreciar a movida local. Terminámos o dia a cozinhar uma deliciosa pasta à bolognese home made.

No dia seguinte, acordámos de madrugada para apanhar uma camioneta até Chiquilla e, posteriormente, um barco para Holbox. Depois de 4h de camioneta e 25min de barco chegámos a Holbox. Bem, neste caso, uma imagem vale mais do que mil palavras:

Praias em Holbox.

É mesmo o paraíso na terra, não acham? Estamos a falar de uma ilha que ainda não foi invadida pelo turismo em massa. Uma ilha que se preza por respeitar a natureza e se orgulha de ter ficado “parada no tempo”. Contrariamente a Cancun, não existe nenhum tipo de cadeias americanas. Não existem lojas grandes, não existem supermercados (apenas mercearias locais) e não existem estradas alcatroadas. Melhor de tudo, não existem carros na ilha, salvo 2 exceções: pick-up da polícia e alguns carrinhos de golfe que podem ser alugados. Assim sendo, todas as deslocações são feitas a pé ou nos carrinhos de golfe (nós optámos por caminhar sempre).

Chegámos a Holbox por volta das 2pm. Durante a viagem de barco tivemos oportunidade de vislumbrar as águas turquesa da ilha, estávamos sedentos por dar um mergulho naquele mar caribenho. Assim, depois de nos instalarmos no nosso Airbnb, que por sinal era fantástico (pequeno estúdio, bem decorado e com tudo o que precisávamos para os 5 dias que íamos passar naquele paraíso), fomos diretos para a praia. A praia principal estava a 3 min a pé de casa. Estávamos com fome, mas a vontade de ir para a praia era tanta que decidimos comprar 2 empanadas, 2 cervejas e umas batatas e rumar até à areia.

Demos o nosso primeiro mergulho de 2020, mas mais importante ainda, o nosso primeiro mergulho de casados (e que bem que soube!). A água estava quente (23 graus), lá fora estavam uns modestos 27 graus, com o sol a raiar. Ficámos na praia até ao anoitecer, o que nos permitiu disfrutar de um belíssimo pôr do sol, num bar igualmente incrível: Carolinda.

Sunset em Holbox.

No final do dia, passámos pelo minimercado, padaria e frutaria. Em Holbox tudo se vende no seu sítio específico. Em termos de preços, estes são mais elevados do que no resto do méxico (é normal, estamos a falar de uma ilha). Contudo, importa realçar que não são excessivamente elevados, face ao que poderiam ser tendo em conta o sitio paradisíaco de que estamos a falar. Nesta primeira noite, decidimos jantar em casa, uma fantástica “pasta al pomodoro”.

Dia 20 de fevereiro, acordámos sem despertador, com os raios de sol a espreitar pela janela. Eram 8am (embora andemos a acordar sempre cedo, nunca nos deitamos depois das 10/10.30pm) e estávamos esfomeados. Assim, preparámos um café com leite, torradas, fruta e mini papas de aveia. Que bom pequeno-almoço! Saímos por volta das 9.30am em direção a Punta Mosquito. Foram cerca de 8km a pé pela praia. Levámos o tripé e tirámos montes de fotografias. Para além disso, também demos muitos mergulhos. Regressámos ao centro da praia ao final da manhã, visto que a maré enche e depois seria impossível voltar a pé.

Caminhámos até à entrada da praia que fica junto ao centro da cidade, fizemos uma paragem estratégica para comprar cerveja numa das mercearias. A fome apertava, pelo que, fizemos novo piquenique na praia. Desta vez, para além de 2 cervejas geladinhas, comemos wraps de atum home made e fruta.

Vimos que o melhor pôr do sol da ilha era na Punta Cocos, pelo que, ao final do dia, caminhámos cerca de 20 min pela praia até lá chegar. Assistimos a um pôr do sol belíssimo e aproveitámos para mais uma sessão fotográfica:

Sunset em Punta Cocos.

Com o cair da noite, caminhámos até casa. Depois de um bom banho, decidimos ir jantar fora. Escolhemos um excelente restaurante mexicano muito local. Pedimos uma parrillada que nos deu oportunidade de provar um pouco de cada iguaria local, nomeadamente: nachos, guacamole, caldo de frijoles, queso fundido e tacos. Um grande “like” para os tacos: trazem vários tipos de carnes e chouriços, dando-nos oportunidade de rechearmos os nossos próprios tacos. Tudo isto, regado de uma bela cerveja local “temperada” com sumo de lima. A cerveja foi comprada na mercearia do lado, uma vez que este estabelecimento não vende álcool, contudo permite que levemos as nossas próprias bebidas! Que jantar incrível. O Diogo, que achava que não gostava de comida mexicana, mudou de opinião à “primeira dentada” (literalmente).

No dia seguinte, decidimos caminhar novamente em direção a Punta Mosquito. No caminho, encontrámos cerca de 6 guarda-sóis de palha abandonados. Visto que estava um sol abrasador, decidimos instalar-nos. Eu aproveitei para dar uma corridinha de 5km pela beira-mar, que bem que soube. O Diogo ficou a descansar! Passámos praticamente todo o dia neste local! O dia foi passado a ler, apanhar sol e dar muiiiiiiitos mergulhos. Almoçámos wraps de ovo mexido e tomate. Ao final do dia, decidimos caminhar até ao bar Carolinda, onde vimos novamente o pôr do sol. Terminámos o dia em casa, estafados! Depois de uma refeição caseira, decidimos sair para dar uma volta pelo centro. Por ser carnaval, o centro estava cheio de gente, muita animação e muita (mesmo muita) música!

Dia 22 de fevereiro, acordámos e, decidimos repetir o dia anterior 😊 (foi tão bom que queríamos mais). Desta vez, o Diogo acompanhou-me na corrida matinal e corremos 6 km pela beira mar. Almoçamos uns deliciosos e caseiros wraps de ovo cozido com fiambre, acompanhados de uma cerveja geladinha e de umas batatas fritas (comprámos um pacote e deu para 3 dias!). O local escolhido para o último pôr do sol na ilha foi novamente a Punta Cocos. Ficámos mesmo encantados.

No nosso último dia na ilha de Holbox passámos a manhã toda entre banhos de sol e banhos de mar. Almoçámos uma sandwich de atum e às 3pm apanhámos o barco de volta a Chiquilá. Depois apanhámos um autocarro em direção a Playa del Carmen (~2h de viagem), onde chegámos por volta das 7pm. O resto, fica para o próximo post!

Antes de nos despedirmos, quero apenas deixar a nota de que Holbox é uma ilha inacreditável que, felizmente, ainda não foi muito descoberta. Assim, se pensam vir ao México, não deixem de visitar esta ilha o mais brevemente possível. Temo que nos próximos anos se converta numa Playa del Carmen ou em Tulum!

Saludos,

F&D

Custos & Dicas, Peru

Nota prévia: consultar os “Custos & Dicas Argentina” para perceber o enquadramento da nossa viagem, bem como as nossas “exigências” relativamente a estadia e meios de transporte.

Uma viagem de 14 dias pelo Peru, num formato low cost, custa cerca de 600€ por pessoa (exclui o vôo intercontinental, ida e volta).

Deixamos infra uma listagem dos principais custos que tivemos. Estes custos são referentes ao seguinte plano de viagem (13 noites):

  • Arequipa 2 noites
  • Cusco 4 noites
  • Machu Picchu 2 noites
  • Lima 4 noites
  • Transportes 1 noite

Custos por categoria, por pessoa:

  • Voos:
    • Arequipa – Cusco: 60€
    • Cusco – Lima: 40€
    • Lima – Cidade do México: 150€
  • Camionetas:
    • La Paz – Arequipa (Peru): 45€
  • Comboios:
    • Cusco – Águas Calientes (Machu Picchu) – Cusco: 110€
  • Outros transportes: 2€/transporte
  • Alojamento:
    • Arequipa: 7,5€/noite
    • Cusco: 10€/noite
    • Machu Picchu (i.e. Águas Calientes): 7,5€/noite
    • Lima: 13€/noite
  • Refeições:
    • Casa: 3€/dia
    • Restaurantes: 6€/refeição
    • Cerveja: 2,5€
  • Atividades turísticas:
    • Free walking tour: 5€ (preço por FWT, fizemos 3)
    • Valle Sagrado Completo: 40€/tour
    • Machu Picchu + Wayna Picchu: 56€/entrada
  • Outros custos:
    • Dados móveis: 4€ por 1GB
    • Empanadas: 1€/unidade
    • Gelado: 0,50€/unidade
    • Café: 1€/unidade
    • Bolos: 2€/unidade

Agora vamos às dicas:

  • Geral:
    • Comprar um cartão local com dados móveis
    • Provar as seguintes iguarias locais: Ceviche, Lomo Saltado, Tuna (maracujá incrível),  Pisco Sour (provar o tradicional e o de maracujá) e Chicha (cerveja de milho, criada pelos incas) e Queso Helado
    • Na época das chuvas evitar as viagens de camioneta. O ideal é viajar de avião (fizemos todas as viagens de avião, com exceção de Arequipa e Machu Picchu)
    • Levar um casaco térmico e sapatilhas de montanha impermeáveis. Recomendamos os produtos da Decathlon, que têm uma excelente relação qualidade/preço
  • Arequipa:
    • Fazer free walking tour: permite perceber o contexto socioeconómico da cidade, conhecer a sua história e ainda recolher dicas relevantes. Recomendámos a 100% a empresa Red Cap. Foi o melhor FWT que fizemos até ao momento
    • Visitar o Mundo Alpaca. Quinta muito próxima do centro de Arequipa onde se pode conhecer (e alimentar) llamas, alpacas, vicuñas e outros familiares. Adicionalmente, tem uma loja onde se vendem roupas feitas com pelo de llama e alpaca a bom preço. a entrada é gratuita.
  • Cusco
    • Não fazer o free walking tour. Quando visitámos Cusco apenas existia uma empresa a fazer este tipo de tours. Foi sem dúvida o mais fraco (e seca) que alguma vez fizemos
    • Subir ao Cristo Blanco ao anoitecer. A vista sobre Cusco é um must
    • Fazer o tour completo ao Valle Sagrado (inclui: Chinchero, Moray, Salinas Maras, Ollantaytambo e Pisac). Reservámos numa agência local na Avenida del Sol, a chegar a Plaza das Armas. Nota: se forem para Machu Picchu, compensa pedir à agência que vos deixe em Ollantaytambo no final deste tour. O comboio é mais barato parte deste ponto. Nós infelizmente não o sabíamos, pelo que regressámos a Cusco (para no dia seguinte, em direção a Machu Picchu, termos de voltar novamente a Ollantaytambo)
    • Almoçar/ jantar no restaurante Orgânika. Recomendamos o quinotto, a ensalada de camarón e o soufflé de chocolate com gelado caseiro de maracujá. Podem também visitar o famoso Yaku (outro restaurante do grupo)
    • Almoçar/ jantar no restaurante Chakruna Native Burgers. Recomendamos o hambúrguer de feijão. É delicioso e vem a acompanhar com 5 tipos diferentes de batatas (recordem-se que o Perú tem mais de 3k tipos de batata)
    • Se estiverem no mood para pizza, recomendámos o restaurante Moto Pizza. As pizzas são feitas à frente do cliente, em forno de lenha. São deliciosas
    • Visitar o Laggart Café, uma galeria de arte que também serve algumas iguarias. Recomendamos a Torta de Zanoria (bolo de cenoura com queijo creme) e o té passionado (chá com gengibre e maracujá natural)
  • Machu Picchu, Wayna Picchu e Águas Calientes:
    • Comprar os bilhetes para Machu Picchu e para Wayna Picchu com antecedência no site oficial do Ministério da Cultura do Perú. Em época alta (Maio a Setembro) é necessário comprar estes bilhetes com pelo menos 3 meses de antecedência
    • Viajar de comboio para Águas Calientes (ponto de partida para Machu Picchu). Necessário comprar os bilhetes com antecedência. Podem ser comprados no site da PeruRail. Notem que, embora o comboio custe 4x mais do que a camioneta, a viagem vale mesmo muito a pena. O comboio tem imenso vidro, permitindo desfrutar de paisagens maravilhosas. A viagem tem de ser feita durante o dia, caso contrário perde o interesse
    • Fazer o trekking a pé desde Águas Calientes até Wayna Picchu. Necessário comprar a entrada em Macchu Pichu para as 6am. Sair do hotel por volta das 4.30 am. No total (Águas Calientes – Machu Picchu – Wayna Picchu – Machu Picchu – Águas Calientes) são 20 km a pé. Apesar de ser desgastante, é uma viagem mística. Nota: existe opção de ir de autocarro de Águas Calientes até Machu Picchu. O trajeto de ida e volta são 48 USD por pessoa. Na época alta (Maio – Setembro) as filas duram ~2h
    • Não esquecer de levar água, snacks, protector solar, casaco térmico e sapatilhas de montanha para subir Machu Picchu e Wayna Picchu. Se forem de madrugada, levar lanterna (a do telemóvel serve perfeitamente)
    • Em Águas Calientes recomendamos que façam as vossas compras no mercado central.
    • Relativamente a restaurantes, recomendámos a Boulangerie de Paris e o TAO (os hambúrgueres são ótimos)
  • Lima
    • Ficar alojado em Miraflores ou Barranco. Estes 2 bairros são vizinhos e são a melhor zona de Lima (a praia, os bares, os restaurantes, os parques, …, estão todos nesta zona). O centro histórico fica a ~8km destas zonas, contudo devido ao trânsito caótico são + de 45min de BUS. De qualquer modo, o centro vê-se bem num dia.
    • Fazer free walking tour: permite perceber a enorme dimensão e contrastes socioeconómicos da cidade
    • Assistir à mudança da guarda das 12h no Palácio do Governo. Notem que se fizerem o free walking tour de manhã, esta atividade está incluída
    • Passear à beira-mar no Malecon de Miraflores e no Malecon de Barranco
    • Almoçar/ jantar na Cevichería Miramar em Miraflores. Recomendamos o Ceviche Misto (peixe e marisco) e algo que acompanhe com o molho tártaro caseiro (nós pedimos umas batatas fritas)
    • Comer uma deliciosa sandwich de carne no El Chinguirito (fica no centro de Lima). Pedir também a batata doce assada
    • Tomar um sumo natural, acompanhado por uma fatia de bolo caseiro no Mercado Surquillo 1
    • Visitar o Centro Comercial Larcomar em Miraflores. É ao ar-livre e tem uma vista mar fantástica. O ideal é ir ao final do dia para ver o pôr-do-sol
    • Tomar um copo em Barranco ao final do dia. Esta é a zona da cidade que tem os bares mais in
    • Para os amantes da gastronomia, fazer uma refeição num dos restaurantes no top 10 do mundo (sim, leram bem, do mundo) – Central e Maido. O menu de degustação custa ~150€ por pessoa, sendo necessário reservar com mais de 3 meses de antecedência
    • Provar os mini-pães com pepitas de chocolate do supermercado Wang (cadeia de supermercados espalhada pela cidade)

Até ao próximo post,

F&D

Design a site like this with WordPress.com
Get started