Machu Picchu & Lima, Peru

Caros amigos,

Como vos contámos no nosso último post, partimos a 9 de fevereiro de Cusco em direção a Águas Calientes, uma vila bastante turística que é o ponto de partida para chegar a Machu Picchu. A viagem foi feita no famoso comboio Expedition da PeruRail. Foi um trajeto maravilhoso, passámos por paisagens idílicas, como podem ver:

Rio Urubamba.

Chegámos a Águas Calientes por volta da 1 pm. Por mais estranho que pareça, parecia que tínhamos acabado de chegar à ilha de Krabi na Tailândia. Os enormes morros verdejantes cobertos por alguma neblina, bem como o excesso de restaurantes e hotéis por km quadrado, fizeram-nos logo viajar. Bem, fomos diretos ao hotel deixar a mala (ficámos num hotel bastante modesto, mas com um ótimo quarto. O hotel estava em pleno centro, a 3 min a pé da estação de comboios).

Depois de almoçar um delicioso (e gigante) hambúrguer com batatas fritas, o peso na consciência (e não só) era muito! Assim decidimos ir dar uma longa caminhada pelas redondezas. Metemo-nos floresta adentro, andámos e andámos, até que começou um verdadeiro dilúvio. Parecia literalmente que tinham aberto um chuveiro em cima de nós. Resultado, ficámos encharcados. Voltámos para o hotel por volta das 5 pm. Como tínhamos acordado às 6 am, decidimos ver uma série e descansar. Saímos apenas por volta das 8 pm para jantar!

Finalmente chegou o dia que tanto ansiávamos – o dia de visitar Machu Picchu e Wayna Picchu. Acordámos antes das 4 am, tendo saído do hotel às 4.20 am. Estava noite cerrada quando iniciámos o nosso longo, desgastante e desafiante trekking. Até chegar à porta de Machu Picchu foram 2 horas sempre a subir escadas. Foi duro, muito duro. Entretanto, entrámos em Machu Picchu e fomos diretos à Montanha de Wayna Picchu. Aqui sim, a “pior” parte do trajeto. Esta montanha é altíssima, como se vê na imagem abaixo, tivemos de subir milhares de degraus minúsculos até chegar ao cume. Mais de 1h30 sempre a subir. Contudo, chegar ao cume foi sem dúvida das melhores sensações que podem existir: aquela sensação de dever cumprido, aquela sensação de alcance e superação, wow, fantástico! Decidimos sentar-nos e, no silêncio, contemplar e disfrutar da vista sobre Machu Picchu.

Vista de Wayna Picchu sobre Machu Picchu. Infelizmente, um pouco nublado!
Machu Picchu & Wayna Picchu!

Depois de ~30 min a descansar iniciámos a descida de Wayna Picchu. Foi assustador! Tivemos de passar por sítios claustrofóbicos e descer degraus a pique. De qualquer modo, com calma tudo se faz e assim foi. Chegados novamente a Machu Picchu, fomos visitar tudo o que esta fantástica cidade inca tem para oferecer, nomeadamente: templo do sol, casa do guarda, pedra sagrada, as inúmeras casas, os llamas, os viewpoints, tudo! Ainda decidimos fazer mais um mini trekking de 20 min sobre a Ponte Inca. Tirámos centenas de fotografias, o que nos vai permitir recordar para sempre este local mágico. No final, por volta das 2 pm iniciámos a nossa descida até Águas Calientes…. Tínhamos os nossos fantásticos degraus à espera. Até então, tivemos imensa sorte com a meteorologia, contudo isto mudou na descida, onde apanhámos uma enorme e valente “molha”. Para terem noção, os degraus não se viam, estavam cobertos de água. Foi uma espécie de rafting pedonal (eu cheguei mesmo a torcer um pé, mas felizmente nada de grave). De qualquer forma, estamos muito gratos por ter visitado Machu Picchu e Wayna Picchu em plena época de chuvas e nem uma pinga de água ter caído (pelo menos enquanto estávamos lá em cima). Chegámos mesmo a ter direito a uns raios de sol!

Machu Picchu.

Regressámos a Águas Calientes às 3.30 pm estafados, felizes e realizados. Que dia! Nunca mais nos vamos esquecer! Passámos o resto da tarde “de molho”, ainda tivemos oportunidade de fazer 2 conference calls, uma com os meus pais e outra com o Pepy (irmão do Diogo) e com os pais do Diogo. Fomos jantar bastante cedo, estávamos esfomeados (fizemos os 20 km e apenas tínhamos comido 2 maçãs, 1 banana, 1 pão e 1 barra de cereais).

No dia seguinte, depois de dormirmos mais de 12h seguidas, decidimos presentear-nos com um ótimo pequeno-almoço na Boulangerie de Paris. Comemos um cinamon rol ótimo, acompanhado de um café longo. Passámos a manhã a “trabalhar” (acreditem que planear 9 meses de viagem, neste registo low cost, dá muito trabalho – são milhentas análises de cenários).

Depois de almoçar num dos restaurantes da região, apanhámos o comboio de regresso à Capital Inca – Cusco. Mais uma viagem por paisagens de cortar a respiração. Chegámos a Cusco ao final do dia, instalámo-nos num novo hotel e fomos jantar.

Dia 12 de fevereiro, depois de um pequeno almoço revigorante e de mais um passeio a pé pelas encantadoras ruas de Cusco, decidimos dedicar a tarde ao planeamento da nossa viagem (uma vez que nas próximas semanas estaremos bastante atarefados). Decidimos que iríamos passar os meus 30 anos em Sydney (a nossa viagem de sonho e a nossa lua de mel original). De Austrália, rumaremos à Nova Zelândia e depois às Filipinas. O resto, logo se verá!

Ainda em Cusco, tivemos oportunidade de visitar uma galeria de arte com um café muito giro, o Laggart Café, bem como de comer o melhor hambúrguer das nossas vidas no restaurante Chakruna Native Burgers. Eu comi um delicioso hambúrguer vegan (feito com feijão preto e outros vegetais) e o Diogo um hambúrguer de bovino. Ambos acompanhados por 5 tipos diferentes de batatas fritas, bem como 7 molhos caseiros. Resultado: ficámos almoçados, lanchados e semi-jantados! Por volta das 8 pm apanhámos o voo de Cusco para Lima. Chegados a Lima, apenas tivemos tempo para nos instalar no nosso Airbnb. Mais uma vez o apartamento superou as nossas expetativas. Tratava-se de um estúdio muito cosy, todo em tons de brancos, com quarto, wc e kitchenette. Além do mais, estava localizado numa zona espetacular da cidade de Lima – Barranco.

No dia seguinte, acordámos cheios de vontade de explorar a capital deste fantástico país que em tanto nos tem surpreendido e superado as nossas expectativas. Tomámos um pequeno-almoço home made, com torradas, iogurte, fruta, chá e café. Depois, como já é habitual nas grandes cidades, partimos em busca de uma lavandaria. Estávamos mesmo a precisar, notem que já não lavávamos roupa desde La Paz (Bolívia). Tínhamos mais de 10 kg de roupa para lavar, pelo que foi o serviço de lavandaria mais dispendioso (cerca de 20€). Foram 2h de seca, muita seca, mas felizmente tínhamos wifi. Depois da 1ª hora, decidi ir até ao supermercado mais próximo comprar uma bebida! Estava lá uma banquinha de promoção das novas cápsulas Starbucks para a máquina Dolce Gusto. O promotor achou que eu vivia em Lima e, depois de algumas perguntas básicas (do tipo “Gosta de café?”, “Que tipo de café gosta?”, …) ofereceu-me um delicioso Americano Starbucks. Que bem me soube, ainda não tinha bebido nenhum café bom desde que saímos de Portugal a 31/12/2019. Na América Latina (com exceção do Brasil e da Colômbia), não existe o hábito de tomar café, pelo que o café é sempre mau (aquele Nescafé solúvel). Ou seja, com leite até desenrasca, mas nunca sabe a um bom café. Lá fui eu ter com o Diogo à lavandaria, toda contente com o meu café gratuito!

Bem, lavandaria terminada, fomos a casa deixar a roupa. Foram mais de 2km a pé para chegar a casa e o calor já se fazia sentir (estavam 25 graus). Depois de arrumar a roupa toda, saímos novamente. Já era hora do almoço e queríamos imenso comer peixe (não comíamos desde o Natal, imaginem!). Bem, fomos à Cevichería Miramar Miraflores. Comemos um ceviche de peixe e marisco inacreditável. A acompanhar, umas batatas fritas com um molho tártaro caseiro e uma coca-cola zero. Que maravilha! Para o Diogo foi o melhor almoço da viagem (até então). Já eu, apesar de ter adorado, sou mais exigente!

À tarde decidimos ir literalmente à descoberta. Caminhámos sem rota pré-definida. E que bem que soube! Fomos até perto do mar, já não o víamos há um bom tempo e sabe-nos tão bem estar perto dele. Acreditem que, só quando se perde algo se sente a sua falta. No nosso quotidiano vemos o mar regularmente e chegámos à conclusão de que não dávamos o devido valor a este pequeno prazer. Depois de muitos dias sem ver o mar, sentimos mesmo a sua falta. Soube tão bem sentir aquela brisa fresca, o cheiro a maresia, o barulho das ondas! Foi sem dúvida uma tarde muito bem passada. O declive existente entre a cidade e a zona do mar é fabuloso. Vejam na fotografia abaixo.

Miraflores, Lima.

Depois, fomos ao supermercado para nos abastecermos para os próximos dias em Lima e fizemos uma refeição caseira.

Acordámos no dia seguinte com um sol maravilhoso. A cidade estava toda decorada com balões e corações, era dia de São Valentim. A nossa manhã foi passada a fazer um free walking tour por Lima. É curioso que este FWT começa uma hora mais cedo que o habitual, para os turistas que se pretendam encontrar em Miraflores, como foi o nosso caso. Miraflores é, a par da vizinha Barraco (a zona do nosso Airbnb) um dos melhores bairros habitacionais de Lima, ficando a sensivelmente 45 minutos de bus do centro (o trânsito de Lima é caótico). Como tal, o FWT disponibiliza dois pontos de encontro. O tour no centro começa efetivamente uma hora mais tarde e dura cerca de 2h.

Depois de apanharmos 2 bus até ao centro, rapidamente percebemos que a cidade de Lima tinha muita desigualdade. A zona onde estávamos era a zona rica. É uma zona bem cuidada, à beira-mar, cheia de praças e jardins, clubes de ténis, piscinas, condomínios fechados, ciclovias, bares, restaurantes, lojas, bem cheia de movida. O centro é muito diferente. Sujo, barulhento, caótico! Mas, ainda assim, encantador! Dos 42 bairros de Lima, apenas 6 têm condições idênticas à de Miraflores. O que nos deixou ainda mais chocados foi perceber que é comum os dirigentes políticos não utilizarem todo o orçamento que têm disponível para tratar dos seus distritos. Aliás, no ano passado, houve um dos dirigentes que apenas utilizou 7% do orçamento!!! Não se percebe… Estamos a falar de distritos que vivem no limiar da pobreza, em condições desumanas. Sendo que, 8 km ao lado, está outra realidade.

Voltando ao FWT, a par de uma explicação inicial sobre o Peru e sobre Lima, visitámos a Plaza de Armas (um clássico). Percebemos a diferença entre os edifícios modernos e os edifícios coloniais e assistimos à mudança da guarda no Palácio do Governo. Esta mudança dá-se várias vezes ao dia, mas a das 12h é a mais imponente. Dura 1h e tem muita música ao vivo.

Palácio do Governo no Peru.

Tal como aconteceu em Arequipa, durante o tour ouvimos falar bastante do escritor peruano Mário Vargas Llosa (prémio nobel da literatura). Tivemos até um momento “revista cor-de-rosa”. Este senhor foi casado com uma tia, depois com uma prima e agora namora com a mãe do Henrique Iglésias (ex-mulher de Júlio Iglésias). Também era muito amigo do famoso escritor colombiano Gabriel García Marquez, mas cortaram relações devido ao casamento com a prima.

Durante o tour, também falámos bastante da gastronomia Peruana. Lima tem dos melhores restaurantes do mundo. Aliás 2 dos 10 melhores restaurantes do mundo estão em Lima (o Central e o Maido). O menu de degustação custa 150€ por pessoa, sendo necessário reservar com mais de 3 meses de antecedência. No final do tour, tivemos oportunidade de provar, mais uma vez, iguarias locais. A chica morada (que já havíamos experimentado), um sumo natural de maracujá (ótimo) e, como não podia deixar de ser, terminámos o tour com shots de pisco (tradicional e de outros sabores como maracujá, por exemplo).

Após o tour, decidimos voltar para Miraflores a pé (cerca de 8km até Miraflores). Como estávamos esfomeados, ainda no centro, decidimos ir a um cheap eats chamado El Chinito. Um sítio ótimo, onde partilhámos uma sandes de carne na grelha acompanhada com batata doce assada.

Andámos, andámos e andámos. Chegámos a Miraflores e decidimos visitar o Mercado Surquillo 1. Partilhámos um sumo de laranja natural, acompanhado por uma fatia de bolo de laranja caseiro (tudo por 2€). Depois, continuamos mais 1h a pé até a um bar à beira mar, em Barranco. Neste bar saboreámos um delicioso Apperol Spritz enquanto assistíamos ao pôr-do-sol. Chegámos a casa exaustos!

UTEC: Universidad de Ingeniería y Tecnología.

15 de fevereiro, acordei um pouco indisposta. Devo ter comido algo que me fez mal, não sei o quê (comi tudo o que o Diogo comeu e apenas eu fiquei mal!). Assim, o plano para o dia foi um pouco mais modesto (ou deveria ter sido, porque acabámos por andar cerca de 20km a pé). Fomos visitar um centro comercial ao ar livre com vista mar chamado Larcomar, muito giro. Depois, fomos ainda a umas ruínas incas que se situam mesmo no “meio” de Lima. Pareceu-nos um pouco dispendioso para o que era e decidimos ver apenas de fora.

Como a saudade do mar ainda não estava completamente sarada decidimos, uma vez mais, passear à beira-mar. Estava muita gente a fazer praia. Era sábado.

A minha indisposição foi piorando e regressámos a casa ao final do dia. Jantei um pão seco na esperança de melhorar (mas foi em vão). O Diogo, jantou umas empanadas com ótimo aspeto.

No dia seguinte, acordei bastante pior, pelo que ataquei logo com medicação. Decidi passar a manhã em casa, a descansar. Era dia de viagem (tínhamos 3 voos pela frente). Assim, fomos para o aeroporto por volta da 1 pm. O nosso primeiro voo foi até Panama City (cerca de 3h). Depois de uma pequena escala, apanhamos outro voo até Mexico City (cerca de 3h30). Bem, ao aterrar, ficámos “assustados” com a dimensão da cidade. Em Mexico City, apenas mudámos de terminal de aeroporto. Tínhamos 6h de escala (da 1 am até as 7 am). Às 7 am apanhámos o nosso último voo, até Mérida (cerca de 2h). Foi, obviamente, uma noite extremamente mal dormida. Aliás, estamos neste preciso momento a escrever esta parte do post no aeroporto de Mérida a fazer tempo para o check-in no Airbnb. Mas o resto fica para o próximo post!

Obrigada,

F&D

Arequipa & Cusco, Peru

Buenos dias señores e señoras! Neste post vamos falar-vos do início da nossa incrível estadia no Peru. Como vos contámos no último post, saímos de La Paz em direção a Arequipa, mas nem tudo foram horas desperdiçadas dentro de (mais) uma viagem de camioneta. Decidimos sair de La Paz de madrugada, o que nos permitiu passar a manhã em Copacabana e a tarde na Isla do Sol. Por volta das 7 pm voltámos à camioneta e seguimos viagem até Puno (Peru). Agora que já nos consideramos “experts” na travessia de fronteiras terrestres, o ritual é sempre o mesmo: sair da camioneta, pegar nas mochilas, obter os carimbos de saída do país de origem, caminhar umas centenas de metros em terra de ninguém, obter os carimbos de entrada no país de destino, passar as mochilas pelo controlo de segurança e caminhar até à camioneta. Desta vez, felizmente, todo o “ritual transfronteiriço” foi feito ao início da noite, pelo que não houve sonos interrompidos.

Isla del Sol.

Estivemos em Puno apenas 2 horas, mas deu logo para perceber que o Peru é bastante mais evoluído que a Bolívia. Depois de jantar regressámos à camioneta. Toda a viagem correu em tudo pior do que estávamos à espera. Na visita à Isla del Sol dois turistas americanos atrasaram-se (mais de 30 minutos) e todo o barco teve de esperar por eles. Atrasaram não só o barco como também a camioneta que se dirigia a Puno. Em Puno, o restaurante sugerido pela empresa (BoliviaHop/PeruHop) para jantar encontrava-se a mais de 20 minutos a pé do local onde a camioneta estacionou. Estava vento e chuva! Entre Puno e Arequipa (~ 10 h de viagem) tivemos de trocar de camioneta a meio da noite em plena autoestrada, sendo a segunda camioneta consideravelmente pior que a primeira. Confiámos na BoliviaHop/PeruHop e não o deveríamos ter feito. Foi a pior experiência de viagem de camioneta até então e, como sabem, não nos faltam horas e horas de viagem neste registo. Cereja no topo do bolo: a maior parte do trajecto foi feito numa estrada de terra batida, o que nos estava constantemente a despertar. Foi uma noite muito mal passada!

Mais de 24 horas após termos deixado La Paz, chegámos finalmente ao nosso destino final: Arequipa, ou, comumente conhecida como a “Ciudad Blanca”. Ficámos encantados desde o primeiro segundo. Parecia que estávamos dentro de um filme passado na era colonial: edifícios imponentes (todos construídos com um material esbranquiçado de origem vulcânica), “plazas”, mercados, ruas pedonais ladeadas por inúmeros negócios locais, …, fantástico!

Ruas de Arequipa.

Mal chegámos fomos diretos ao nosso Airbnb (continuámos muito bem impressionados com esta plataforma. Na América Latina tem muito melhor relação custo/benefício que o Booking. Para além disso, permite-nos cozinhar, o que beneficia bastante o nosso budget). O nosso estúdio era muito modesto, mas bastante limpo, acolhedor e, acima de tudo, bem localizado (a ~10 min a pé do centro da cidade). Embora tenhamos passado a noite anterior praticamente em claro, decidimos não descansar, partindo direto à descoberta da cidade. Andámos bastante a pé, conhecemos um miradouro e fomos almoçar a um sítio bastante local. O menu (entrada, prato, bebida e sobremesa) custou cerca de 3€ a cada (e nem era dos mais baratos!).

Durante a tarde decidimos fazer o típico Free Walking Tour. Reservámos com a empresa Red Cap e foi incrível. No início, preconceituosamente e face ao que estávamos habituados, considerámos que o guia não tinha muita “pinta” de guia (tinha mau aspeto e estava de fato de treino “Niki”). Contudo, revelou ser um guia exemplar. Pela primeira vez num tour deste género, tivemos oportunidade de entrar numa série de edifícios (desde igrejas, a universidades, museus, rooftops, entre outros) e até de provar algumas iguarias locais. Provámos os seguintes “pitéus”: queso helado (que, felizmente para mim, apenas tinja queijo no nome), chá de cacau, café local e a típica chicha (bebida típica peruana feita à BA se de milho morado). A curiosidade mais engraçada do tour prendeu-se com a porta principal da Basílica da Catedral de Arequipa. Como se vê na imagem infra, a porta é enorme, contudo na realidade não passa de uma porta lateral. O objetivo era que a fachada da basílica fosse considerada a mais imponente da América Latina. Uma vez que não existiam recursos para construir uma basílica tão grande, decidiram construir uma majestosa fachada.

Basílica Catedral de Arequipa.

Exaustos, regressámos a casa no fim do tour. Jantámos e dormimos mais de 12h seguidas!

No nosso 2.º dia em Arequipa acordámos rejuvenescidos, cheios de energia e vontade de continuar a explorar a cidade! Fizemos mais de 20 km a pé. Começámos por visitar o Mundo Alpaca – quinta muito próxima do centro de Arequipa onde se pode conhecer, conviver e alimentar Llamas, Alpacas, Vicuñas e outros familiares. Foi muito giro interagir com estes animais. Os alpacas são tão queridos!

Foto de família.

Terminada a visita, passeámos mais um pouco em direção a uma das picanterias (aka Tratoria em Itália, Brasserie em França e Mcdonalds nos EUA) recomendada pelo guia do free walking tour. Mal chegámos à Picanteria La Capitana ficámos encantados: ambiente muito local, mesas partilhadas, forno de lenha e um cheirinho de abrir o apetite a qualquer pessoa! Almoçámos com um casal de noivos (uma brasileira e um peruano) e 2 senhoras naturais de Arequipa. Foi um almoço longo e animado. Trocámos algumas dicas de viagens e costumes dos nossos países de origem. A par disto, provámos os deliciosos petiscos oferecidos pelo restaurante. No final, terminámos a beber um shot com os noivos! Comemos 4 mini-pratos típicos (uma espécie de puré com especiarias e carne de boi, um arroz com carne de vitela estufada, uma espécie de patanisca vegetariana com arroz e uma salada), acompanhados pela cerveja local mais típica. No total pagámos ~7€. Foi sem dúvida dos melhores almoços que tivemos nesta viagem.

Depois desta “tainada”, fizemos uma subida de mais de 5km, para chegarmos a um viewpoint muito conhecido – Mirador Carmen Alto. Espreitámos e, apesar de tudo o que andámos a pé, não nos pareceu incrível, pelo que decidimos não pagar os 3 soles e não entrar (nesta viagem todos os cêntimos contam). Posteriormente, regressámos ao centro da cidade (a pé, claro) e fomos visitar o Mercado Central. Vende-se de tudo, como é habitual nestes mercados. Nós andámos à procura de uma mochila para substituir a que comprámos em Santiago, mas pareceu-nos tudo exageradamente caro (para a qualidade apresentada, claro!). Já de noite, voltámos ao nosso apartamento para descansar.

No dia seguinte, restava-nos apenas uma manhã na cidade. Tínhamos vôo para Cusco ao início da tarde. Assim, decidimos ir caminhar novamente pelo centro da cidade, bem como tomar um ótimo café no mercado de artesanias. Despedimo-nos de Arequipa com alguma nostalgia, gostámos mesmo da cidade!

Chegados a Cusco, apanhámos um uber desde o aeroporto até ao nosso Aparthotel. Embora o alojamento fosse bastante agradável e, acima de tudo, muito central, a dona era extremamente prepotente e mal-educada. Quando a questionámos acerca de uma taxa extra que insistia em cobrar-nos chegou a ameaçar que nos iria expulsar do hotel! Felizmente apareceu o marido que resolveu tudo. Acabámos por ficar no hotel um pouco a contra-gosto, mas era já de noite e não nos fazia sentido sair e procurar um outro hotel com toda a bagagem atrás.

Decidimos ir jantar ao segundo melhor restaurante de Cusco – Orgânika. Bem, que maravilha. Para padrões locais não é assim tão barato, mas por ~10€ a cada comemos uma ótima salada de camarão (confecionada com produtos biológicos da horta própria do restaurante. A salada incluía umas deliciosas flores comestíveis), um quinotto com legumes (risotto mas de quinoa) e, para terminar, uma sobremesa que era algo semelhante a um soufflé de chocolate (mas muito melhor) com gelado caseiro de maracujá. Bem, esta foi de longe a melhor refeição “so far”.

Rua de acesso à praça principal da cidade.

7 de fevereiro, depois de um ótimo pequeno-almoço no hotel (sumo natural de ananás, pão de anis, cereais de quiona, chá e café) partimos rumo à aventura! Vá, desta vez não era nenhuma aventura, tínhamos apenas de tratar de algumas tarefas, nomeadamente: trocar dinheiro, reservar um tour ao Valle Sagrado e descobrir um sítio local para almoçar. Assim foi, trocámos dinheiro a um câmbio pior que em Arequipa (o euro tem vindo a desvalorizar nos últimos tempos), fomos a (seguramente) mais de 5 agências de turismo e agendámos o tour na que nos pareceu ter a melhor relação preço/qualidade. Em Cusco, para além de se pagar o tour propriamente dito (60 SOL, ~17€ por pessoa), tem de se pagar um bilhete de turismo (70 SOL, ~20€ por dia/pessoa), acabando por ficar tudo um pouco dispendioso.

Depois de almoçarmos num sítio extremamente local (menos de 2€ por pessoa todo o menu), fomos até à Plaza de Armas (mais uma! Parece que é mandatório todas as cidades da América Latina terem uma Plaza de Armas) esperar pelo início do nosso free walking tour. Eram 3.30 pm quando partimos a explorar as ruas e vielas de Cusco. Para além de mim e do Diogo, tivemos a companhia de 3 raparigas alemãs e 1 brasileira. Sinceramente foi o pior tour que fizemos desde sempre. Foi uma verdadeira seca! Parecia que o guia nos estava a ler uma enciclopédia sobre a Capital do Império Inca. Para terem noção, num espaço de 2 horas, falou-nos 4 vezes do modo como os Incas transportavam as pedras. De qualquer modo, a cidade é fantástica! Contrasta acentuadamente com o guia que nos acompanhou! Terminámos o tour a beber um pisco sour num rooftop com uma vista incrível sobre Cusco.

No dia seguinte partimos em direção ao Valle Sagrado dos Incas. Que dia em cheio! Saímos do hotel antes das 7.00 am e apenas regressámos depois das 8 pm. Neste tour tivemos oportunidade de visitar os seguintes locais:

  • Chinchero, onde aprendemos a trabalhar com lã de llama e alpaca unicamente com produtos naturais. Vimos, por exemplo, como se fazia espuma natural para lavar a lã. Tivemos também oportunidade de ver alguns produtos acabados, como camisolas, gorros, caminhos de mesa, etc. Tudo isto a acompanhar de um belo chá de coca.
  • Moray, complexo arqueológico que no passado consistia num centro de investigação agrícola. Desde o ponto mais baixo ao ponto mais alto existe uma diferença de 21ºC, permitindo recriar uma séria de microclimas. Adicionalmente, permitiu também que os Incas descobrissem inúmeras variações de frutos e legumes.
  • Salinas Maras, como o próprio nome indica é um local de produção de sal. Tivemos oportunidade de conhecer (e provar) diferentes variedades de sal.
  • Ollantaytambo, cidade que atualmente ainda é 90% inca. Para nós, a parte mais interessante do tour. Vimos as casas, o centro político, os llamas e ainda uma vista incrível.
  • Pisac, infelizmente não tivemos oportunidade de conhecer o complexo arqueológico porque 2 dias antes o rio subiu e provocou o desabamento de estradas e de 40 habitações. A zona estava um caos. Porém, acabámos por conhecer a cidade e visitar uma joalharia. Nesta joalharia tivemos oportunidade de conhecer melhor o processo de extração e fabrico da prata e de algumas pedras preciosas. Aprendemos ainda a distinguir a prata verdadeira da falsa.
Moray.
Ollantaytambo.

Chegámos a Cusco exaustos, pelo que decidimos a cozinhar algo no Aparthotel. Comemos uma deliciosa salada de cenoura, ervilhas, batata e atum (acreditem que quando já estão há mais de 40 dias fora de Portugal sabe pela vida).

No dia seguinte acordámos cheios de energia, era dia de apanhar o comboio em direção a Águas Calientes (vila a partir da qual se chega a Machu Picchu). Esta e mais aventuras ficam para o próximo capítulo!

Saludos,

F&D

Custos & Dicas, Bolívia

Nota prévia: consultar os “Custos & Dicas Argentina” para perceber o enquadramento da nossa viagem, bem como as nossas “exigências” relativamente a estadia e meios de transporte.

Uma viagem de 9 dias pela Bolívia, num formato low cost, custa cerca de 250€ por pessoa (exclui o vôo intercontinental, ida e volta).

Deixamos infra uma listagem dos principais custos que tivemos (recordem-se que estamos num formato low cost). Estes custos são referentes ao seguinte plano de viagem (7 noites):

  • Uyuni 3 noites
  • La Paz 4 noites
  • Copacabana & Ilha do Sol 1 dia

Custos por categoria, por pessoa:

  • Camionetas:
    • San Pedro de Atacama (Chile) – Uyuni: 35€
    • Uyuni – La Paz: 38€
    • La Paz – Arequipa (Perú): 45€
  • Outros transportes: 1,5€/transporte
  • Alojamento:
    • Uyuni: 11€/noite
    • La Paz: 14€/noite
  • Refeições:
    • Casa: 4€/dia
    • Restaurantes: 5€/refeição
    • Cerveja ou cocktail local: 2€
  • Atividades turísticas:
    • Tour de 1 dia Salar de Uyuni: 17€
    • Tour Chacaltaya + Valle de la Luna: 40€
    • Walking Tour La Paz: 3€
    • Tour Teleféricos La Paz: 6,5€
    • Tour Ilha do Sol: 9€

Agora vamos às dicas:

  • Geral:
    • Não vale a pena comprar um cartão local com dados móveis. A maioria dos locais do Uyuni não têm rede, sendo que em La Paz existem muitos sítios com free wifi
    • Dividir o prato principal: as doses na Bolívia são bastante generosas (não tanto como na Argentina, mas ainda assim chegam para 2)
    • Aproveitar os diferentes menus de almoço que são oferecidos pela maioria dos restaurantes. Custam à volta de 5€ e incluem entrada, prato, bebida e, por vezes, sobremesa
    • Se viajarem de autocarro na rota La Paz – Uyuni, utilizar a empresa Todo o Turismo. Foram as melhores camionetas em que viajámos até ao momento
    • Para outras rotas, nomeadamente deslocações Bolívia – Peru, recomendamos a Peru Hop e a Bolívia Hop. As camionetas são normais, mas permitem customizar a viagem, aproveitando as rotas disponíveis para parar nos principais pontos turísticos
  • Uyuni
    • Visitar o bar Llama Café. Local muito recente, cheio de pinta. Recomendamos as bebidas à base de café (p.e. cappuccino), o lassi de manga, a sandwiche de llama e a quinoa com falafel. Tudo delicioso
    • Visitar o bar/restaurante Liphi. Sítio muito local, com pratos deliciosos e jogos de tabuleiro. Recomendamos os pratos com quinoa (principalmente os pimentos recheados e a carne com barbecue)
    • Fazer o tour de 1 dia ao Salar de Uyuni. Recomendamos a Ripley Tours. Se quiserem fazer o tour de mais de 1 dia, recomendamos que o reservem localmente, é bastante mais barato do que online. O ideal é iniciar o tour no Uyuni (Bolívia) terminar em São Pedro de Atacama (Chile). Existem tours de 2, 3 e 4 dias, podendo ou não voltar à cidade de partida. Não esquecer o protetor solar (50+) e óculos de sol, para visitar o salar (se estiver sol e não tiverem óculos não vão conseguir abrir os olhos!)
  • La Paz:
    • Ficar alojado junto da Igreja de São Francisco ou, alternativamente, junto da zona das embaixadas (Zona Miraflores)
    • Fazer um tour a Chacaltaya e Valle de la Luna. Chacaltaya é uma montanha que se encontra ~90 km de La Paz e a 5.430 m acima do nível do mar. Em tempos funcionou lá a estância de ski mais alta do mundo. O Valle de la Luna fica a ~15 km de La Paz, sendo um conjunto de formações rochosas que, segundo Neil Amstrong, fazem lembrar a lua. Recomendamos reservar o tour fisicamente com a empresa Coca Travels
    • Fazer um walking tour: permite perceber a dinâmica da cidade, bem como alguma história e dicas relevantes. Notem que os free walking tours foram banidos da Bolívia, tendo sempre de se pagar um mínimo de 3€ por pessoa. Reservamos o nosso tour online com a Red Cap Tours
    • Fazer o Tour dos Teleféricos.  Embora se possa fazer sem guia, vale a pena fazer com guia. O guia ajuda a perceber toda a dinâmica dos transportes públicos da cidade, fazendo também um enquadramento político, histórico e social. Reservámos o nosso tour fisicamente com a empresa Coca Travels
    • Almoçar no Paceña La Salteña. É uma cadeia de restaurantes que vende salteñas deliciosas por apenas 1€ cada. Para nós a melhor foi a vegetariana
    • Almoçar ou jantar no Berlusca. Para além do sítio ser muito giro, tem uns hambúrgueres maravilhosos. Recomendamos o que tem molho barbecue
    • Tomar um sumo natural no Mercado Lanza (deliciosos e custam menos de 1€)
    • Provar o fruto tumbo (fruto típico da região andina, muito bom)
    • Comer muitos maracujás, são super doces e baratos
    • Tomar um copo no MagickK. Recomendamos um ginger ale com singani
  • Copacabana
    • Passear junto ao Lago Titicaca
    • Fazer o day tour à Ilha do Sol

Até breve,

F&D

Uyuni & La Paz, Bolívia

Caríssimos leitores, desta vez vamos falar-vos dos excelentes 8 dias que passámos na Bolívia.

Como vos contámos no nosso último post, passámos uns belos dias em São Pedro de Atacama (Chile) e, posteriormente, apanhámos uma camioneta até ao Uyuni. A viagem foi muito chata, quer pela duração, quer pelo desconforto da camioneta. Partimos do Atacama às 2 am e apenas chegámos ao Uyuni no dia seguinte às 6 pm. Nesta viagem não existem camionetas luxuosas, apenas existem aquelas camionetas estreitas, com 1 piso, sujas e com o belo estofo com aquele tecido tipo alcatifa (aquele mesmo bom que acumula toda a sujidade e ácaros possíveis e imaginários).

Bem, a viagem foi uma aventura! Apenas com 3 horas de sono, caminhámos à luz do luar cerca de 10 min até à estação. Na estação deparámo-nos com um grupo enorme de locais (cerca de 30 pessoas), carregados de sacos, caixotes, mochilas, …, traziam literalmente o mundo às costas. Traziam desde sacos de 10 kg de peras, até, imaginem lá, uma máquina de lavar roupa e um plasma (sim, é mesmo verdade. Podem ver no nosso instagram, nas stories sobre a Bolívia). Ora bem, como era uma camioneta das pequenas, a maioria dos sacos dos locais não cabiam na bagageira e, como tal, tiveram de ir dentro da camioneta. Imaginem o cenário. Camioneta cheia, bancos atolados, crianças a chorar e até peras rebolavam pelo passadiço. Bem, lá conseguimos adormecer. Quando acordámos, estávamos a chegar à fronteira do Chile com a Bolívia.

Começámos por obter o carimbo de saída do Chile. Processo bastante lento e burocrático: necessário retirar todos os nossos pertences da camioneta, caminhar com tudo, entrar no edifício estatal, esperar cerca de 1h na fila, passar os raios-X de segurança, obter o carimbo de saída e voltar a entrar na camioneta. Depois disto, parámos passados cerca de 15 min num local no meio do nada. Trata-se de uma enorme feira, onde se vende literalmente tudo e onde os nossos companheiros de viagem chilenos ficaram todos. Aí percebemos o porquê de carregarem consigo tantos sacos e saquinhos: era tudo para vender. Pelos vistos fazem regularmente este trajeto, trazendo coisas do Chile para, posteriormente, as vender na fronteira com a Bolívia. Bem estivemos 1h parados, foi uma aventura descarregar toda a camioneta. Eu e o Diogo aproveitámos para caminhar um pouco, enquanto apreciávamos a belíssima paisagem envolvente (imensas montanhas e vulcões). No final, ainda estivemos à conversa com os pouquíssimos ocidentais que viajavam connosco: 2 rapazes ingleses que estavam a fazer gap year, 2 rapazes israelitas que estavam a viajar por 6 meses e 1 casal austríaco que também estava a viajar por 2 meses. Tudo pessoas muito interessantes e viajadas!

Depois de tudo isto, lá entrámos novamente na camioneta, andámos apenas 5 min e chegámos à Bolívia. Mais uma vez, repetir todo o processo burocrático descrito acima. Desta vez, para obter o carimbo de entrada na Bolívia (aqui ainda tivemos um pequeno contratempo, o funcionário colocou-nos no sistema como estando a sair da Bolívia. Contudo, detetou a situação a tempo, tendo pedido ao motorista da camioneta que nos chamasse novamente para corrigir a situação). Na fila conhecemos um australiano que estava a viajar sozinho, de mota, desde Ushuia (aka Fim do Mundo). Contou-nos que fazia longas viagens de mota, pelo mundo fora, regularmente. Resumidamente, trabalhava 1 ano (na sua terra natal – Austrália) e viajava outro. Muito inspirador!

Casa de banho em terra de ninguém, algures entre o Chile e a Bolívia.

Finalmente chegámos ao Uyuni. Começámos por caminhar até ao nosso hostel (cerca de 20 min e a aventura de sempre com os + de 15 kg às costas). Depois de nos instalarmos, fomos até ao centro da cidade para nos informarmos dos tours disponíveis. Inicialmente, queríamos fazer um tour de 2 dias pelo Salar do Uyuni, mas depois de vermos o preço (~ 80€ por pessoa) e, tendo em conta, que iríamos repetir algumas das paisagens que vimos no Atacama, optámos por fazer apenas o tour de 1 dia (~17€ por pessoa). Marcámos o tour para o dia seguinte e terminámos a noite a jantar num bar/ restaurante local muito giro: Liphi. Jantámos pimentos recheados com quinoa (aquela zona produz imensa quinoa) e carne picada com molho de barbecue e quinoa. A quinoa era tão boa que até o Diogo gostou (em Portugal não gosta)!

Dia de visitar o tão esperado Salar do Uyuni. Depois de 9h seguidas a dormir numa boa cama, acordámos e deliciámo-nos com o melhor pequeno-almoço até então: sumo de manga 100% natural, papaia, cereais de quinoa com leite, torradas, chá e café com leite. Soube-nos pela vida! Embora estivéssemos num hostel bastante modesto, o nosso quarto era ótimo e o pequeno-almoço ainda melhor! Às 11.30 am reunimo-nos à porta da agência com o nosso grupo, erámos 8 pessoas: 1 driver, 1 senhora do Equador, 1 casal de Buenos Aires, 1 jovem alemã, 1 jovem romeno e um fantástico casal de portugueses (nós, claro!). Estávamos todos muito bem-dispostos e ansiosos por chegar ao Salar. E assim foi, entrámos no nosso Jipe e fizemos a nossa 1ª paragem no Cemitério de Trens. Local que no passado era utilizado para fazer a ligação ferroviária entre Uyuni e Avaroa (Chile) e que, desde que esta ligação foi extinta, deu origem a um cemitério de combóios. São inúmeros vagões, todos grafitados, no meio do nada:

Cementerio de Trenes.

Depois de tirarmos algumas fotografias, voltámos a entrar no Jipe e rumámos até Colchani. Colchani é uma pequena aldeia à entrada do Salar do Uyuni, que vive essencialmente de turismo e produção de sal. Para nós foi a pior parte do dia, a aldeia não tem qualquer interesse. Adicionalmente, tendo em conta o nosso espaço e budget limitado, não pudemos comprar nenhum “recuerdo”. Ainda pensei em cometer a loucura de comprar um chaile local super giro, mas depois pensei na falta de espaço que reina na minha mochila e desisti.

Bem, finalmente chegou a parte do dia que mais ansiávamos, o Salar. Embora as imagens falem por si, vale a pena realçar que a paisagem é literalmente de outro mundo. É incrível, parece que estamos a sonhar. Entrar num jipe, numa enorme planície de sal, com céu azul, o sol a refletir e apenas com a linha do horizonte à vista é uma experiência única. Para nós, a par do Perito Moreno na Argentina, foi um dos pontos altos da viagem. Uma sensação única.

Dando-vos mais contexto, o Salar do Uyuni tem 12 mil km quadrados e 5 a 6 metros de profundidade. Sendo o maior deserto de sal do mundo e, sendo visível do espaço, serviu de guia para os astronautas da Apollo 11, que chegaram à lua em 1969. Retomando o nosso tour, almoçámos em pleno Salar, num hotel totalmente construído em sal. Atualmente este hotel apenas tem um bar e uma loja de conveniência mas, no passado, funcionava mesmo como alojamento. Depois do almoço, caminhámos cerca de 2h pelo Salar (já sabem que adoramos andar a pé) e tirámos milhares de fotografias. Deixamos infra algumas:

Salar de Uyuni.

Voltámos a entrar no Jipe, calçámos as galochas e rumámos até ao Espelho do Salar. O Espelho apenas é visível nesta altura do ano, e consiste no reflexo do céu no Salar. Este fenómeno acontece dado que parte do Salar está com água (daí as galochas):

Espelho no Salar de Uyuni.

Depois, fomos visitar os Ojos do Salar. Resumidamente, são uns buracos naturais que permitem ao Salar respirar. As águas circundantes são muito ricas em minerais, fazendo bastante bem à pele. Por fim, voltámos a entrar no Jipe e fomos até ao melhor ponto para ver o pôr do sol. Estivemos parados cerca de 45 min a contemplar o belíssimo quadro que se pintava à nossa frente, enquanto comentávamos o quão sortudos somos por estar a viver este sonho. Chegámos à cidade já perto das 9 pm, comprámos algo no supermercado e caminhámos até ao nosso hostel, onde cozinhámos o nosso jantar (o hostel estava praticamente deserto, pelo que tivemos a cozinha e a sala de jantar só para nós).

Os restantes 2 dias que passámos no Uyuni foram dedicados a descansar e planear as próximas semanas da nossa viagem. Estávamos mesmo a precisar de um “tempo off”. Assim sendo, para além de planear o nosso roteiro do Perú e México, aproveitámos para dormir bem, ler e ver séries. Claro que todos os dias fomos até ao centro de Uyuni passear. A nossa tarde mais produtiva e divertida foi passada no Llama Café, onde chegámos à 2 pm para almoçar e apenas saímos por volta das 8 pm. Começando pelo almoço, deliciámo-nos com: sandwiche de llama, falafel com quinoa, lassi de manga e um belo café. Vale a pena referir que o dono é Boliviano (natural de Sucre), já viveu em Paris e Nova Iorque, tendo retornado recentemente à Bolívia e aberto este café. Ficámos muito tempo à conversa com o dono, que até nos ofereceu um shot local (ginger, lima e singani) para celebrar o nosso matrimónio e viagem!

Saímos de Uyuni em direção a La Paz, apanhámos o melhor autocarro até então: empresa Todo o Turismo. Todas as cadeiras eram em pele, sendo verdadeiras poltronas. Reclinavam a 180º, tinham local para deitar as pernas (uma espécie de tábua em pele), mesa, internet, carregadores USB, água e refeições (jantar e pequeno almoço). Foram ~10h de viagem bem passadas (fora o excesso de buracos). Vale a pena contar o pequeno percalço que tivemos antes de apanhar a camioneta: fomos para a estação errada (a pé claro), que estava a ~20 min a pé da estação correta. Assim sendo, tivemos de ir quase a correr, com os nossos mais de 15kg às costas, até ao local correto. Chegámos mesmo em cima da hora, mas conseguimos.

Eram 6 am do dia 30 de janeiro quando chegámos a La Paz, uma cidade que se estranha, mas depois se entranha. Cidade muito pobre (imaginem uma favela gigante), a ~3.600 m de altitude, muito fria e com imenso movimento. Uma vez que ainda estava noite quando chegámos e que a cidade é supostamente perigosa, decidimos aguardar na estação que o dia nascesse. No espaço de 1h fomos abordados por dezenas de pedintes e vendedores ambulantes. Assim que o dia nasceu apanhámos um táxi até um café localizado a ~ 200 m do nosso Aribnb, onde tomámos o pequeno-almoço (na verdade o 2.º porque já tínhamos tomado um 1º às 5 am na camioneta) e aguardámos cerca de 2h para podermos fazer o check-in no apartamento. Este tempo foi passado a reservar algumas das estadias no México (não conseguimos reservar todas porque somos MUITO criteriosos – queremos sempre a melhor relação custo/benefício, assegurando que nos instalámos na zona mais segura e central).

Perto das 11 am deslocámo-nos para o apartamento e conhecemos pessoalmente o dono, o Carlos. Senhor de idade, de chapéu de palha na cabeça, que nos mostrou todo o (enorme) apartamento. Um T2 no 17º piso de um prédio como muito boa pinta, considerando os padrões de La Paz. Tínhamos máquina de lavar e secar roupa, uma sala gigante com uma ótima vista e, cereja no topo do bolo, o melhor colchão em que dormimos desde que iniciámos a viagem. Pareceu-nos muitíssimo bem a decisão de ficarmos 4 noites na cidade.

Depois de nos instalarmos devidamente, decidimos ir dar ma volta com 4 objetivos: i) ter uma primeira impressão da cidade; ii) almoçar; iii) procurar agências de turismo para reservarmos os tours que pretendíamos fazer e; iv) ir ao supermercado para nos abastecermos de pequenos-almoços e jantares. Estava um dia frio e cinzento, tendo chegado mesmo a chover. No início, achámos a cidade horrível: pobre, suja e insegura. No entanto, quanto mais andávamos, mais gostávamos. Almoçamos umas salteñas incríveis (espécie de empanadas bolivianas) num restaurante muito local: Paceña La Salteña.

Alcançámos todos os objetivos descritos anteriormente por volta das 6 pm. Voltámos para casa a pé, tomámos um bom banho e cozinhámos uma excelente massa carbonara. Depois foi dormir, dormir e dormir. Acreditem que a altitude que se faz sentir e, consequentemente, o défice de oxigénio, desgastam muito.

Segundo dia em La Paz, dia de fazer o tour a Chacaltaya e Valle da La Luna. Antes de vos falar do tour, aproveito a oportunidade para agradecer em meu nome e do Diogo ao meu pai, que nos decidiu fazer uma surpresa e oferecer este fantástico tour (não estava nos planos iniciais devido ao seu preço). Voltando ao tour, saímos de casa por volta das 7.30 am. Apanhámos o nosso transporte de ~1h30 até Chacaltaya. Embora a estrada seja má e muito assustadora (muito estreita e em precipício) a fauna e flora circundantes são incríveis (vimos condors, llamas, vicuñas, …). À medida que íamos subindo, a dificuldade em respirar aumentava. Chegámos de carro até aos 5.300 m de altitude. Depois disto tivemos de caminhar até aos 5.430 m de altitude. Demorámos mais de 1h a ir e vir, tal era a falta de oxigénio. Estava a nevar, o que dificultou ainda mais. De qualquer modo, chegámos orgulhosamente ao ponto mais alto da montanha de Chacaltaya, onde tirámos estas fotografias:

Chacaltaya.

O cume da montanha tem uma vista belíssima da cidade, do lago Titicaca e de outras montanhas. Infelizmente, estava muito nublado, pelo que não conseguimos apreciar esta vista. A Cati (nossa guia) disse-nos que, sempre que visitássemos La Paz, deveríamos subir Chacaltaya porque todas as vezes é uma experiência diferente. Mesmo que o vento esteja a 90km/h os tours sobem a montanha!!!

Voltámos a descer e visitámos a estância de ski mais alta do mundo. Parecia um filme de terror, visto que estância está abandonada. Contudo, a infraestrutura ainda está lá toda. A estância foi extinta devido às alterações climatéricas que decorreram nos últimos anos e que resultaram num sobreaquecimento da região e, consequentemente, na redução abrupta da quantidade de neve.

Estância de Chacaltaya.

Durante a tarde, depois de almoçarmos um pão de leite misto na van, descemos até ao centro da cidade para iniciarmos a segunda parte do dia. Fomos até ao Valle de la Luna, tivemos sorte pois estava sol. Há vários vales com este nome na América Latina, desde a Bolívia, ao Chile (que tivemos oportunidade de visitar), à Argentina e ao Brasil. Ainda assim, o da Bolívia foi nomeado por Neil Armstrong em 1970 enquanto, numa visita à cidade de La Paz, se encontrava a jogar golf no clube mais alto do mundo. Este vale nada tem a ver com o vale do Chile, como podem ver nas fotografias. É bastante menos extenso, mas ainda mais diferente daquilo que estamos habituados a ver.

Valle de la Luna.

Depois de visitarmos o Valle, regressámos a La Paz, cada vez mais encantados com a cidade que tanto desprezámos no nosso 1.º dia. Importa referir que uma das melhores coisas desta cidade é ter pouquíssimo turismo, o que nos permite conhecer verdadeiramente a cidade.

Começámos o mês de fevereiro com mais 2 fantásticos tours em La Paz: City Walking Tour e Tour dos Teleféricos. Depois de tomarmos um pequeno-almoço caseiro, rumámos até à Plaza Sucre, ponto de encontro para o nosso walking tour. Este tour durou cerca de 3 horas, tendo-nos permitido conhecer os principais edifícios da cidade (p.e. Igreja de São Francisco, Plaza de Armas, Casa de Gobierno, Catedral, …), bem como os principais mercados (Mercado Lanza e Mercado de Las Brujas). O nosso guia era fantástico, tendo partilhado connosco muitas curiosidades socioeconómicas sobre La Paz. Por exemplo, existe uma prisão na Plaza Sucre (em pleno centro da cidade), onde vivem para além dos prisioneiros, as suas famílias. As famílias podem entrar e sair diariamente, o que exponencia o “tráfico de açúcar branquinho”. Dentro da prisão, existem restaurantes, barbeiros, cafés e uma ala para ricos e outra para pobres. Na ala rica, existe acesso a tablets, pcs, wifi, etc. Surreal!

Outra das curiosidades de La Paz prende-se com as superstições locais. A título exemplificativo, sempre que se quer construir um grande edifício acredita-se que dá sorte enterrar um sem abrigo vivo. Ficámos muito (mesmo muito) chocados com este aspeto. Se a construção for pequena, enterram um llama bebé. Para além de tudo isto, no Mercado de las Brujas, vendem poções para tudo e mais alguma coisa (p.e. saúde, dinheiro, amor, etc).

Depois de terminar o walking tour, dirigimo-nos ao Berlusca para almoçar. Adorámos este almoço. Dividimos um generoso hambúrguer de carne argentina com molho barbecue. O restaurante está integrado num pátio muito giro, onde existem outros restaurantes.

Iniciámos a tarde junto à Igreja de São Francisco, ponto de partida do Tour dos Teleféricos. Antes de mais, importa referir que La Paz tem o teleférico mais alto do mundo. O teleférico tem 10 estações que cobrem a cidade de La Paz e de El Alto (esta última, a cidade no mundo que se localiza a maior altitude – 4.150 m acima do nível do mar). Esta rede de 27 km funciona como transporte público, tendo sido construído por uma empresa suíça em 2014. Retomando ao tour, tivemos imensa sorte e fomos apenas os 2 com o nosso guia Alfonso. Apanhámos um transporte público (uma das muitas vans que circulam pela cidade) até à estação de teleférico. Depois, foram mais de 2h30 a percorrer quase todas as linhas do teleférico de La Paz e El Alto. Foi incrível. Poder observar as condições em que vivem os bolivianos, bem como apreciar as imensas montanhas que circulam a cidade, foi mesmo fantástico. Depois de terminar o tour, o nosso guia ainda nos ofereceu um “trago” (shot) na agência. Os bolivianos gostam muito de beber shots, estando sempre a convidar! Terminámos a noite em casa, exaustos, depois de um dia muito completo.

Começámos o nosso último dia em La Paz com tarefas domésticas, mais explicitamente lavandaria (aproveitámos a máquina de lavar e secar que tínhamos no Aribnb para lavar toda a nossa roupa). Depois disto, e fascinados com o teleférico, decidimos que queríamos voltar a percorrer todas as linhas da cidade! Assim, saímos em direção a El Alto com o objetivo de visitar o maior mercado de rua da américa. Bem, não há palavras para descrever o caos (felizmente há imagens), tanta, mas tanta gente. Vendia-se tudo, até crocodilos.

Mercado de El Alto.

Apenas conseguimos caminhar ~1 hora em El Alto. A altitude é tanta que custa bastante andar a pé. Voltámos ao teleférico. E aí ficamos, percorrendo novamente todas as linhas! E não nos cansámos. “Almoço-lanchámos” numa pastelaria local uma bela empanada, um pão de queijo e uma tarte de lima (tudo delicioso). Depois de repor energias, caminhámos mais um pouco pelo centro. Regressámos a casa ao final do dia, onde aproveitámos para falar com os nossos pais e com os nossos adorados amigos Cátia e Diogo (soube muito bem pôr a conversa em dia).

No dia seguinte, 3 de fevereiro, acordámos bem cedo (5 am) para apanhar o bus em direção ao Peru. De qualquer modo, não foi um dia inteiro em viagem! Começámos por ir até Copacabana (~4h de viagem) onde estivemos a passar o dia. Visitámos o incrível e mítico Lago Titicaca e, posteriormente, fizemos uma viagem de ~1h de barco até à Ilha do Sol. Na Ilha do Sol, tivemos oportunidade de caminhar na montanha, enquanto apreciávamos as vistas do Lago Titicaca e das outras montanhas circundantes. Ao final do dia voltámos a apanhar o barco até Copacabana. Em Copacabana tínhamos um autocarro em direção a Puno (Peru) à nossa espera, mas isto fica para o próximo post!

Saludos,

F&D

Custos & Dicas, Chile

Nota prévia: consultar os “Custos & Dicas Argentina” para perceber o enquadramento da nossa viagem, bem como as nossas “exigências” relativamente a estadia e meios de transporte.

Uma viagem de 10 dias pelo Chile, num formato low cost, custa cerca de 360€ por pessoa (exclui o vôo intercontinental, ida e volta).

Deixamos infra uma listagem dos principais custos que tivemos (recordem-se que estamos num formato low cost e que o Chile não é um país barato). Estes custos são referentes ao seguinte plano de viagem (16 noites):

  • Santiago 5 noites
  • Calama 1 noite
  • San Pedro de Atacama 3 noites

Custos por categoria, por pessoa:

  • Vôos:
    • Santiago – Calama: 41€ (comprado com 10 dias de antecedência)
  • Camionetas:
    • Mendonza – Santiago do Chile: 22,50€
    • Santiago – Valparaíso – Santiago: 9€
    • Calama – San Pedro de Atacama: 5€
    • San Pedro de Atacama – Uyuni: 35€
  • Outros transportes: 2,10€/transporte
  • Alojamento:
    • Santiago: 15€/noite
    • Calama: 11,5€/noite
    • San Pedro de Atacama: 12,5€/noite
  • Refeições:
    • Casa: 4€/dia
    • Restaurantes: 5€/refeição
    • Cerveja: 3€
  • Atividades turísticas:
    • Valle de La Luna: 24€ (transportes + entrada)
    • Geysers del Tatio: 40€ (transportes + entrada + pequeno-almoço)
    • Nota: em Santiago todas as atrações que visitámos foram gratuitas
  • Outros custos:
    • Dados móveis: 2,31€ por 3GB (7 dias)
    • Empanadas: 1,50€/unidade
    • Gelado: 2€/unidade
    • Lavandaria: 3,5€/máquina

Agora vamos às dicas:

  • Geral:
    • Comprar um cartão local com dados móveis. Apenas nos serviu em Santigo, visto que não existia rede da Claro em San Pedro de Atacama (nota: existe internet gratuita na praça principal de San Pedro)
    • Não dividir o prato principal: as doses no Chile são bastante mais pequenas do que as servidas na Argentina
  • Santiago:
    • Fazer free walking tour: permite perceber a dinâmica da cidade, bem como alguma história e dicas relevantes
    • Não utilizar o metro na hora de ponta (fica demasiado cheio e confuso). Privilegiar andar a pé ou de Uber (os táxis são ~20% mais caros)
    • Almoçar no Bar Nacional #1 na Calle Huerfános. Ficar sentado ao balcão para ter uma experiência 100% local. Recomendamos vivamente as empanadas de queijo e a sandes de “Lomito”. Nota: está encerrado aos fins-de-semana
    • Almoçar ou jantar no La Maestranza. Restaurante muito giro e local, no meio de um mercado. Recomendamos o “Plateada com puré rústico” (carne de vitela estufada com um puré e molho divinal) e a “Ensalá Chilena” (salada de tomate, cebola e pimento)
    • Provar o típico “Italiano” e/ou o “Completo”. O primeiro, consiste num cachorro com guacamole e maionese. O segundo, é também um cachorro, mas tem tomate, pimento, cebola e maionese. Podem provar estas iguarias em qualquer boteco da Plaza das Armas
    • Tomar um copo no Barrio Bellavista ao final do dia. As bebidas são bastante caras, principalmente a cerveja (~3€ a caña). A bebida típica chama-se “Piscola” (pisco + coca-cola). Não provámos, visto que não gostamos de bebidas brancas com coca-cola
    • Subir o Cerro San Cristóbal a pé. É cerca de 1,5h a subir, mas vale bem a pena. Terão oportunidade de parar em diversos “viewponts” para apreciar a vista sobre a cidade de Santiago, bem como sobre as montanhas dos Andes
    • Visitar o Londres 38 (uma casa em que foram praticados atos de tortura a opositores da ditadura de Pinochet)
    • Visitar o Centro Cultural La Moneda, que se localiza num belíssimo edifício debaixo do Palacio de La Moneda, sede oficial da Presidência da República do Chile. Visitar o Centro Cultural Gabriela Mistral (este edifício tem várias exposições permanentes que se podem visitar gratuitamente)
    • Fazer um day tour a Valparaíso. Viajar de autocarro (~2 horas) na companhia Turbus. Os bilhetes podem ser adquiridos online e não precisam de ser impressos
  • Valparaíso
    • Provar as empanadas do Delicias Express
    • Caminhar pela parte alta da cidade, apreciando as diferentes vistas
    • Caminhar à beira mar (Playa los Placeres) e com sorte avistar focas no seu habitat natural
  • San Pedro de Atacama
    • Apanhar um voo para Calama e depois um transfer direto para San Pedro de Atacama (~80 km). Caso aterrem em Calama depois das 9pm, dormir em Calama e apanhar o 1º transfer na manhã seguinte. Recomendamos ficar num hostel/hotel perto da estação de camionetas
    • Ficar a dormir no centro da cidade, visto que facilita em muito o dia-a-dia (i.e. deslocações para tours, idas aos mini-mercados, refeições, etc). Caso estejam num formato low cost recomendamos o nosso hostel: Ecoexplor. Ficámos num quarto duplo com casa de banho partilhada por apenas 25€/noite
    • Fazer o tour do Geysers del Tatio. Embora obrigue a madrugar (saída às 4.30 am), quer as paisagens, quer o fenómeno natural dos geysers, compensam! Recomendamos a empresa Ecoexplor (reservas feitas no Hostel Ecoexplor)
    • Visitar o Valle de la Luna e, se possível, assistir ao pôr-do-sol na Pedra del Coyote. Os mais corajosos podem fazê-lo de bicicleta (são cerca de 30km ida e volta), desde que saiam com o nascer do sol e levem bastante água, roupa “em camadas” (notem que a amplitude termina é gigante, pelo que terão frio de manhã e muito, mesmo muito, calor por volta das 11 am), snacks para o dia e protetor solar (acima de 50). Alternativamente, podem reservar um tour a este local. Recomendamos novamente a empresa Ecoexplor. Excelente relação qualidade/preço.
    • Fazer uma refeição no La Picada del Indio. Se estiverem num formato low cost podem aproveitar os menus de almoço (~8€ por pessoa)
    • Almoçar ou lanchar no La Franchutería
    • Outros tours que nos pareceram interessantes: Lagunas Altiplanicas, Pedras Riojas e Laguna Cejar e Lagunas Escondidas

Até já,

F&D

Deserto de Atacama, Chile

Como vos contámos no último post, apanhámos o voo de Santiago para Calama. Entrar num aeroporto foi uma verdadeira “lufada de ar fresco”! Acreditem que, depois de tantas viagens de camioneta, sabe pela vida entrar no aeroporto apenas com 2 malas em cima de um carrinho. O voo partiu de Santiago após as 9 pm, tendo aterrado em Calama cerca de 2h depois. Calama é uma cidade de passagem para San Pedro de Atacama. Como já era tarde, decidimos dormir em Calama e partir na camioneta das 8 am para San Pedro. Foi uma viagem bastante curta (~1h30) e agradável.

Entrar em San Pedro do Atacama deu-nos a sensação de estar a entrar num filme: milhares e milhares de quilómetros de planície, circundados por inúmeras montanhas, criando uma paisagem idílica. A cidade em si é bastante pequena e turística, mas ainda assim, muito bonita! Toda a cidade é em tons castanhos, as casas são térreas e os caminhos de terra batida. Existem inúmeros cafés, padarias, bares, restaurantes e lojas com artesanato local. Todos os locais estão bem cuidados.

Centro de San Pedro de Atacama.

Bom, assim que chegámos fomos diretos ao nosso hostel. Chegar ao hostel foi uma aventura, não tínhamos rede, dados móveis nem wi-fi. Como tínhamos um cartão local com dados móveis não nos preocupámos em carregar o trajeto da estação para o hostel em Calama. Fomos muito ingénuos ao achar que teríamos internet móvel em pleno deserto. Depois de andar rua acima e rua abaixo com a mochila às costas e de questionar todas as pessoas com quem nos cruzámos (maioritariamente turistas), lá encontrámos o nosso hostel e, “guess what?”, era a 5 min a pé da estação.

Fomos recebidos pelo dono, um peruano na casa dos 40 anos, o Víctor. Bem, embora simpático, tinha uma personalidade peculiar. Era bastante prepotente e “viciado” em regras. Obrigou-nos a ler todo o regulamento e, posteriormente, reviu cada uma das regras connosco. No final, ainda nos foi “exemplificar” algumas das regras. Depois de tudo isto, ainda nos tentou convencer a marcar os nossos tours com ele. Num tom intimidatório alertou-nos que devíamos reservar com ele sob pena de reservarmos num outro local com muito piores condições. Um dos exemplos dado é que o hostel corria o risco de, quando nos viessem buscar a meio da noite, deitarem o portão abaixo enquanto chamavam por nós, enfim… só ridículo numa vila tão tranquila e turística!

Algures em San Pedro.

Começando pelo hostel – Ecoexplor – era um hostel com um carácter ecológico, daí a existência de tantas regras, que iam desde a reciclagem à reutilização da água dos banhos. Tinha apenas 2 camaratas quadruplas e 4 quartos duplos, sendo bastante limpo (mau era se não o fosse, com tanto regulamento) e agradável. Aliás a cozinha era tão limpa que até chegámos a cozinhar algumas vezes, coisa que nunca tínhamos feito num hostel.

Relativamente aos tours, tínhamos 4 dias em San Pedro e queríamos fazer 2 “day-tours”: Valle de La Luna e Geysers del Tatio. Embora existissem muitos mais locais para visitar naquela região, era tudo muito caro (~40€ por pessoa, sem qualquer tipo de refeição). Assim, e depois de ler alguns blogs de outros viajantes, decidimos que estes seriam os melhores passeios!

Decidimos dedicar o nosso 1º dia a conhecer San Pedro (embora seja uma cidade, tem a dimensão de uma vila: em 15 min a pé consegue-se percorrer os principais pontos de interesse) e a fazer a aclimatização à altitude (estávamos a 2600m acima do nível do mar). Aproveitámos ainda para nos abastecer na mercearia local e para planear os dias que se seguiam.

Diretamente de San Pedro.

Na nossa 1ª volta por San Pedro, aproveitámos para ver os preços e as condições dos tours em diferentes agências. Concluímos que os preços eram todos elevados e que o nosso hostel seria efetivamente o local mais apropriado para contratualizarmos os serviços. Assim, regressámos ao hostel, cerca de 5 min a caminhar desde o centro, e conhecemos o Israel, paulista, na casa dos 25 anos, que se encontrava a trabalhar há menos de 1 semana. Reservámos os Geysers del Tatio logo para o dia seguinte e decidimos que faríamos o tour ao Valle de La Luna por conta própria. Como eram apenas 30 km (ida e volta), planeámos alugar uma bicicleta e ir à descoberta. Mais uma vez, pesquisámos em alguns blogues e todas referiam que, apesar do clima quente e seco e da elevada altitude, ir e vir de bicicleta ao Valle de la Luna era algo fazível e bastante mais em conta do que ir num day tour, apenas teríamos de ir logo pelo nascer do sol.

Tivemos ainda oportunidade de almoçar no La Picada del Indio (restaurante com ótima relação preço/qualidade indicado pelo Israel). À tarde voltámos a dar outra volta por San Pedro e continuámos a apreciar a sua beleza. Terminámos o dia a beber uma cervejinha no pátio do nosso hostel.

Segundo dia, dia de “supostamente” visitar os Geysers de Tatio. Acordámos por volta das 3.30 am e, como combinado, às 4.30 am estávamos na receção prontos para partir. Estava um gelo, a amplitude térmica do Atacama é enorme, vai mesmo dos 0 aos 30 graus. Connosco estavam outros 3 casais que também iam fazer este tour. Estivemos 40 min à espera e… o nosso transporte nunca chegou. Acabámos por ligar ao Israel, que, depois de investigar o que se passava, percebeu que tinha feito asneira e se tinha esquecido de nos reservar 2 lugares para o tour (embora já estivesse tudo pago e o tivéssemos recordado na noite anterior). Imaginem a frustração, acordar de madrugada, ficar pendurado à porta do hostel, enquanto todos os outros casais iam felizes para o tour. Bem, quem nos conhece sabe que somos um pouco “intolerantes” a um mau serviço. Assim, o Israel viu-se obrigado a ligar para todas as agências e táxis da vila, tentando ainda encaixar-nos num tour para os geysers. O tempo passou, eram 6.30 am e nada. Visto que os geysers ficam a 1h45 de viagem e que o fenómeno mais espetacular acontece por volta das 8 am, dissemos que não valia a pena continuar a tentar. Alternativamente, o hostel teria de nos recompensar. Assim, acordámos adiar os geysers para o dia seguinte e, em contrapartida, o hostel oferecer-nos-ia o tour ao Valle de La Luna. Assim foi! Ficámos satisfeitos com a solução.

Ainda nesse dia, aproveitámos para almoçar num sítio giríssimo que tínhamos descoberto no nosso passeio por San Pedro: La Franchutería. Padaria estilo francês, localizada num jardim cheio de canas de bambu, não só a comida era ótima, em especial a baguete com alho, como o ambiente era muito giro!

La Franchutería.

Eram 3.30 pm quando partirmos no nosso tour ao Valle de La Luna. Foi … INCRÍVEL! Estar no meio do deserto, com paisagens de cortar a respiração (e não, este corte não se deveu à elevada altitude 😊), não há mesmo nada que pague este privilégio. Estivemos cerca de 3-4h a caminhar pelas montanhas, aproveitámos para tirar muitas fotografias, bem como perceber os fenómenos geológicos que originaram a tão bela região do Atacama. É mesmo caso para aplicar o velho provérbio “uma imagem vale mais do que mil palavras”:

Valle de la Luna.

No final, terminámos o tour a apreciar um pôr do sol único, que gostávamos de partilhar convosco. Acreditem que, estar no cimo de uma montanha, sem qualquer preocupação, desligados do mundo, só os dois a ver o pôr do sol… é maravilhoso.

Por do sol no Valle de la Luna.

Como referimos acima, o nosso objetivo inicial era ir ao Valle de La Luna de bicicleta e, no dia seguinte, ao tour dos geysers. Contudo, esta solução acabou por ser muito positiva porque, além de pouparmos o valor do aluguer das bicicletas, poupámo-nos também ao desafio que seria irmos sozinhos até aos vales (recordem-se que nos encontrávamos sem rede, a mais de 2600 metros de altitude, no deserto).

No nosso terceiro dia em San Pedro do Atacama, conseguimos, finalmente, ir aos Geysers del Tatio. Acordámos novamente às 3.30 am e, às 4.30 am lá estávamos nós sentados na van a caminho dos geysers. Fomos com o próprio Víctor (dono do nosso hostel), bem como com mais 2 casais e um grupo de 5 turistas chilenos. Apesar da sua personalidade, o Víctor revelou-se um guia fantástico, que, no final do tour, ficámos a adorar. Há mesmo males que vêm por bem! Visto que íamos para mais de 4500m de altitude, o Víctor recomendou-nos que dormíssemos toda a viagem (~1h45), pois seria a maneira mais fácil do nosso corpo se adaptar à falta de oxigénio, e assim foi.

Chegámos aos Geysers del Tatio pouco depois das 6 am, estava noite cerrada e muito frio (abaixo dos 0 graus). Relativamente à altitude, quer eu, quer o Diogo, não tivemos qualquer problema. Bastou respirar com calma e não fazer grandes esforços. À nossa volta, algumas pessoas acabaram por passar mal.

Caminhámos cerca de 20 min, apreciámos o nascer do sol e vimos o fantástico fenómeno natural causado pelos geysers. Depois de visitar os vários geysers, foi hora de tomar um excelente pequeno-almoço cozinhado pelo Víctor. Bebemos chá de coca (para aguentar a altitude), comemos pãozinho quente (sim, o Vítor levou um disco para aquecer pão), ovos mexidos, salame, queijo, bolo e cookies de aveia. Estávamos sem comer nada desde o jantar da noite anterior e, acordados desde as 3 am, soube-nos pela vida!

Geysers del Tatio.

Seguimos para os banhos termais, umas piscinas naturais, localizadas dentro da cratera de um vulcão inativo e rodeadas, mais uma vez, por paisagens idílicas. Não fomos corajosos o suficiente para entrar na água, que embora estivesse a ~40ºC, lá fora o frio era muito. Posteriormente, fomos observar lamas, visitámos o Pueblo de Machuca e ainda fomos contemplados com uma enorme lagoa cheia de flamingos andinos. Regressámos à cidade por volta da 1 pm.

Pueblo de Machuca.
Flamingos andinos.

Estávamos muito cansados, foram 2 dias seguidos a acordar às 3.30 am e, no dia seguinte, tínhamos camioneta para o Uyuni às 3 am (ou seja, tínhamos de acordar às 2 am). Assim, tirámos a tarde de folga. Relaxámos um pouco no jardim do nosso hostel, onde aproveitámos para almoçar uma refeição caseira (uma “bela” massa com polpa de tomate). Depois fomos passear novamente por San Pedro. Jantámos cedo num dos muitos restaurantes da cidade e fomos dormir! Às 2 am lá estava o despertador a tocar. Foi “assustador” quando pensámos “quem nos dera estar no dia de ontem para só ter de acordar às 3.30 am”.

Seguiu-se mais uma nova e longa viagem de camioneta! Foram 14h até ao Uyuni. Mas essa aventura fica para outro capítulo!

Obrigado!

Beijinhos e abraços,

F&D

Santiago & Valparaíso, Chile

Novo país, nova cidade, novo post! Bienvenidos a Santiago do Chile. Ora bem, partimos de Mendoza (Argentina) às 11pm e chegámos a Santiago às 7am. A viagem foi feita de camioneta (já sabem que adoramos, não é? 😊) e foi bastante custosa. Embora tivéssemos viajado em classe executiva (sim, cá as camionetas têm classes. A executiva basicamente tem poltronas bastante largas e reclináveis, manta e melhores refeições), passámos 2h na fronteira entre a Argentina e o Chile. Imaginem ter de estar de pé entre as 3am e as 5am numa fila enorme (not good, right?).

Bem, finalmente chegámos, prontos para fazer aquilo que mais gostamos: “turistar”. Assim, pegámos na nossa mochila e decidimos apanhar o metro até ao nosso Airbnb (optámos pelo metro uma vez que o táxi era bastante caro e não tínhamos internet para chamar um Uber). Que aventura! Apanhar o metro em plena hora de ponta, com mais de 20Kg às costas, parecíamos sardinhas enlatadas em vácuo (sim porque não havia mesmo espaço para a água/azeite/óleo vegetal). Finalmente, saímos da estação e caminhámos cerca de 10 min. Ficámos num Airbnb maravilhoso: prédio de 25 andares, a ~5 min a pé do centro e com uma piscina no topo. Estávamos esfomeados (tínhamos jantado novamente um delicioso pão com fiambre – a nossa comida de eleição nas viagens de camioneta – e ainda não tínhamos comido mais nada) e partimos em busca de um local para o pequeno-almoço. Era sexta-feira, as ruas já estavam bastante movimentadas, principalmente na zona “New York” (zona financeira de Santiago). Bem, imaginem lá, o primeiro café que nos apareceu era um estilo Hooters dos cafés. Mais explicitamente, empregadas altíssimas, com tops e minissaias super curtas e justas. Inicialmente, achámos que era uma cadeia, mas à medida que caminhávamos iam aparecendo mais e mais cafés deste tipo, todos cheios de homens engravatados (as únicas mulheres eram as funcionárias). Não nos sentámos em nenhum, tendo acabado por finalmente encontrar uma padaria onde tomámos um café e um brioche!

Praça junto ao Palacio de La Moneda.

Relativamente aos cafés estilo Hooters, fomos pesquisar, e percebemos que se tratavam dos “Cafés con piernas”. “Long story short”, no início do século XX, imigrantes que se mudaram para o Chile viram que não existiam cafés em lado nenhum. Pensaram tratar-se de uma oportunidade de negócio única, pelo que abriram inúmeros cafés pela cidade. Contudo, o povo chileno não estava (nem está) habituado a tomar café, pelo que a maioria destes negócios foram à falência pouco depois de abrirem. Na esperança de conseguirem reverter esta situação, decidiram colocar mulheres jovens, bonitas e vestidas de forma atraente a servir café. Adivinhem? Resultou e dura até hoje. Acreditem que é algo bizarro, os cafés estavam todos cheios e aparentemente frequentados por “business men” de sucesso.

Retomando o nosso primeiro dia em Santiago, depois do pequeno-almoço decidimos ir passear de “forma aleatória” pela cidade. Percebemos rapidamente que se tratava de uma cidade bem mais confusa e suja do que as cidades que visitámos na Argentina. Como estávamos cansados (tínhamos dormido ~4h) decidimos “tirar a tarde de folga”. Assim, fomos ao supermercado, almoçámos em casa uma bela massa com tomate e parmesão e depois fomos para a piscina. A tarde foi passada entre mergulhos, sestas e livros. Soube pela vida! Ao final do dia, decidimos ir tomar um copo. Optámos por ir a pé até à zona da Bellavista. Bem, se o arrependimento matasse… Estava tudo a correr bem, até entrarmos na Alameda (uma avenida muito larga e comprida). Começámos a ver um movimento anormal, muita gente, tudo com lenços pretos, bandeiras pretas, óculos de ski e máscaras na boca (aquelas dos filmes de terror, que têm um tubo com furinhos). De repente, estávamos no meio dos protestos do chile que tiveram início em Outubro de 2019. A polícia começou a atirar jatos fortes de água numa espécie de tanques militares. Começou toda a gente a correr e nós também. Tínhamos 2 hipóteses: desistir do copo e regressar a casa, ou dar uma volta maior e ir na mesma ao copo. Claro que o nosso espírito aventureiro falou mais alto e aí fomos nós. Valeu a pena pelo passeio. Rapidamente percebemos que os chilenos gostam bastante da movida e têm variadíssimos sítios giros para se entreterem. Enfim, posto isto acabámos por beber a cerveja em casa porque nos pareceu que todos os bares e restaurantes, ainda que giros, eram bastante caros e não podíamos dar-nos a esse luxo neste dia. Voltámos para o Airbnb e cozinhámos uma bela refeição caseira, bem como tomámos a nossa cerveja Escudo comprada no supermercado por menos de 1€.

Piscina no topo do nosso Airbnb.

No nosso segundo dia, partimos em busca da cidade, o primeiro ponto que visitámos foi a Biblioteca Nacional do Chile, mas encontrava-se encerrada (deixámos a visita para outro dia). Seguimos para o Cerro Santa Lucía, onde podemos apreciar uma bela vista da cidade. É um cerro pequeno, mas muito central e com jardins muito bonitos! A vista é próxima, mas extraordinária (compensa a pequena subida).

Vista do Cerro Santa Lucía.

Em seguida, por conselho de um amigo de uma amiga (chileno), fomos almoçar a um sítio incrível perto do Mercado Persa Bio Bio chamada Maestranza. O restaurante é giríssimo e comemos maravilhosamente bem. Ficou acima do que o nosso budget permite, mas valeu muito a pena (ficou por ~18€ para os dois). Depois de passear um pouco no mercado, queríamos ir até ao Barrio Italia, mas estava um sol insuportável, 34 graus e, recordem-se, tínhamos uma piscina à nossa espera! Assim, rumámos até ao nosso Airbnb (a pé, claro!).

Maestranza.

Durante os passeios deste segundo dia, percebemos que, fruto dos protestos que têm assolado o Chile, a cidade está completamente vandalizada: todas as paredes, de todos os edifícios, estão escritas e grafitadas com “gritos de revolta”, a maioria contra o governo e o seu presidente. As igrejas estão na sua maioria queimadas e/ou vandalizadas, as estátuas estão quebradas e/ou pintadas, os caixotes do lixo queimados, as paragens de autocarro partidas e queimadas, os expositores da JC Decaux (um clássico!) sem vidro e sem anúncio, os vidros dos edifícios partidos (com inúmeras marcas de pedras que foram atiradas contra os mesmos). Ficámos bastante chocados com a destruição. Não se sente perigo, mas atmosfera é intensa. A partir do pôr-do-sol convém ter algum cuidado a andar na rua e deve-se evitar passar na Alameda, o centro de todos os protestos/manifestações.

Alameda. Zona de confrontos entre a polícia e os manifestantes.

No terceiro dia, fizemos o nosso já tradicional Free Walking Tour. Este FWT focou-se no centro histórico de Santiago. Visitámos uma série de sítios icónicos e tivemos a oportunidade de ser enquadrados também nos motivos que levaram a população chilena a manifestar-se desde outubro de 2019 até ao presente. Terminámos o nosso FWT na Plaza de Armas e, por sugestão da guia, fomos comer numas barraquinhas locais um cachorro completo, umas batatas fritas e uma coca-cola (dividimos um menú e ficou 4€ para os dois, o que sempre compensou o almoço do dia anterior).

Iglesia San Francisco de Borja. Danificada pelas manifestações e pelos incêndios ateados como protesto sobre casos de violação.

À tarde decidimos cometer a loucura de ir desde a Plaza de Armas até ao Cerro San Cristóbal e daqui até ao nosso apartamento. Só nestes dois trajetos fizemos 17km a pé. Notem que, nós não somos apenas malucos por andar a pé, contudo, este “meio de transporte” permite-nos ter uma visão mais abrangente de toda a cidade, conhecendo não só as zonas históricas ou de caráter mais turístico, como também bairros locais e zonas habitacionais. Tudo isto leva-nos a uma visão clara do ritmo e estilo de vida da cidade. À vinda do cerro, por alguma ingenuidade nossa, passámos pela Alameda, ou seja, pelo foco das manifestações. Felizmente não foi um dia muito intenso em manifestações, pelo que apenas se encontravam alguns jovens a “incomodar” a polícia e a polícia a responder com jatos fortes de água. Conseguimos passar aquela zona com alguma “tranquilidade” e chegar ao apartamento a salvo! Não obstante, tivemos novamente de “dar uma corridinha”. Do nada, estavam carros militares a todo o gás por cima dos passeios.

Quarto dia, dia de visitar Valparaíso! Tínhamos ouvido dizer que era uma cidade diferente de Santiago, mas que valia muito a pena. Fizemos, mais uma vez, a viagem de autocarro e demorámos cerca de 1,5h (no regresso um pouco mais ~2h, devido ao trânsito). Assim que chegámos percebemos logo a beleza da cidade. Banhada pelo Oceano Pacífico Sul, trata-se de uma cidade portuária na costa chilena. Esta cidade tem cores incríveis e casas em cima de casas colina acima! É de uma beleza ímpar. Subimos e descemos a cidade várias vezes para conhecer os vários pontos de interesse. Adicionalmente, visitámos dois ou três “cerros”. Almoçámos uma excelente empanada no Delicias Express. À tarde estivemos junto ao mar, na praia, a descansar e a apreciar o dia-a-dia de uma série de focas (à vontade duas dezenas!). Regressámos a Santiago ao cair da noite.

Algumas das paisagens de Valparaíso.

Finalmente, no nosso quinto dia em Santiago conseguimos visitar a Biblioteca Nacional do Chile. Um edifício imponente, com funcionários extremamente simpáticos. Uma curiosidade, todo o edifício é iluminado com luz natural graças aos tetos construídos com vitrais de várias cores. Posteriormente, almoçámos no Bar Nacional #1 (recomendado por um amigo chileno de uma grande amiga nossa) e… que refeição! Sítio super local, com três pisos dos quais o do meio era ao balcão e servia sandes e comidas rápidas. Sentámo-nos obviamente no do meio e comemos umas empanadas (a de queijo era absolutamente divinal) e uma sandes de “lomito” simples também muito, muito boa. A acompanhar tivemos direito a um sumo de várias frutas 100% natural (e era de facto 100%, ótimo!).

Biblioteca Nacional do Chile.

Durante a tarde, o Diogo foi (finalmente) cortar o cabelo e, diga-se de passagem, foi um dos melhores cortes de sempre. A preços locais não foi o mais barato (~8€), mas tendo em conta a higiene e o profissionalismo do sítio valeu bem cada euro. Depois ainda fomos dar um passeio até ao Barrio Italia. Bairro giro cheio de sítios para comer e beber!

No nosso sexto e último dia, aproveitámos para visitar alguns locais que ainda não tínhamos tido oportunidade, nomeadamente: Londres 38 (uma casa em que foram praticados atos de tortura a opositores da ditadura de Pinochet); Centro Cultural La Moneda (localizado debaixo do Palacio de La Moneda, sede oficial da Presidência da República do Chile), onde tivemos a oportunidade de ver algumas exposições de fotografia e peças Bauhaus; e o Centro Cultural Gabriela Mistral (este edifício tem várias exposições permanentes que se podem visitar gratuitamente). No final, demos um mergulho na piscina e rumámos até ao aeroporto, onde apanhámos o vôo para Calama (felizmente escrevo o vôo e não o bus, safámo-nos de 22h). De Calama, partiremos de madrugada para San Pedro de Atacama, mas isso fica para outro post!

Centro Cultural La Moneda.

Até já,

F&D

Custos & Dicas, Argentina

Decidimos criar esta secção de “Custos & Dicas” para ajudar todos os nossos leitores que, tal como nós, são apaixonados por viagens. Notem que vamos estar a viajar durante 9 meses, pelo que estamos num registo low cost.

As nossas exigências são limitadas, nomeadamente:

  • Privilegiamos sempre Airbnb (apartamento inteiro para nós) em detrimento dos hostels, de forma a garantir que fazemos ~75% das refeições em casa. Quando temos de ficar em hostels optamos sempre que possível por quarto de casal, podendo a casa de banho ser privada ou partilhada (privilegiamos privada, mas depende do preço)
  • Gostamos de beber uma cerveja ou copo de vinho ao final do dia (aproveitando a famosa Happy Hour)
  • Tentamos sempre que possível provar a maioria das iguarias locais
  • Embora gostemos muito de andar a pé, quando carregamos a mochila (+15 Kg), não fazemos mais de 1,5 km neste meio de transporte

Vamos agora ao que interessa! Uma viagem de 2 semanas pela Argentina, num formato low cost, custa cerca de 1.500€ por pessoa (inclui o voo intercontinental, ida e volta)

Deixamos infra uma listagem dos principais custos que tivemos (mais uma vez, recordem-se que estamos num formato low cost e que a Argentina não é um país barato). Estes custos são referentes ao seguinte plano de viagem (16 noites):

  • Buenos Aires 5 noites
  • Ushuaia 3 noites
  • El Calafate 2 noites
  • Bariloche 1 noite
  • Mendoza 3 noites
  • Transportes 2 noites

Custos por categoria, por pessoa:

  • Voos:
    • Porto – Buenos Aires: 300€
    • Buenos Aires – Ushuaia: 150€
  • Camionetas:
    • Ushuaia – El Calafate: 60€
    • El Calafate – Bariloche: 125€
    • Bariloche – Mendonza: 65€
    • Mendonza – Santiago do Chile: 22,50€
  • Outros transportes (notem que gostamos bastante de andar a pé, evitando ao máximo os transportes. Apenas recorremos a transportes nos seguintes casos: i) temos a mochila connosco e temos de percorrer mais do que 1,5km a pé; ii) o que pretendemos visitar fica a mais de 6km; ou iii) temos de fazer a deslocação durante a noite/madrugada): 2,50€/transporte
  • Alojamento: 15€/noite
  • Refeições:
    • Casa: 4€/dia
    • Restaurantes: 5€/refeição
    • Cerveja: 1,50€
    • Copo de vinho: 2,50€
  • Atividades turísticas:
    • Parques nacionais: 10€/entrada
    • Transportes para as atrações: 11€/transporte
    • Prova de vinhos + visita adega Trapiche: 8€
  • Outros custos:
    • Dados móveis: 4,30€ por 3GB
    • Medicamentos: 17,50€ (brufen, antibiótico e fluimicil)
    • Empanadas: 0,50€/unidade
    • Alfajor: 1€/unidade

Agora vamos às dicas:

  • Geral:
    • Comprar um cartão local com dados móveis: isto é bastante útil para decidir o que visitar, chamar um uber, escolher um restaurante, utilizar o google maps e, em algumas cidades, poder utilizar meios de transporte que funcionam via app (p.e. trotinetas, bicicletas, etc.)
    • Fazer as deslocações de camioneta durante a noite: a par de minimizar a seca da viagem, permite poupar uma noite. As camionetas são muito confortáveis. Andámos nas seguintes companhias: Marga Taqsa e Cata Internacional. Ambas são muito confortáveis e seguras, mas a Cata Internacional é mais pontual e tem melhor serviço (p.e. na Cata Internacional tivemos direito a refeição quente com vinho, enquanto que na Marga Taqsa, em 26h, deram-nos 2 alfajores e 2 pães com fiambre)
    • Dividir o prato principal: aqui na Argentina as doses são enormes. Por exemplo, no El Club de La Milaneza em Buenos Aires dividimos um prato e tivemos de nos esforçar para o acabar. O mesmo se passou no El Asadito em Mendoza.
  • Buenos Aires:
    • Fazer free walking tours: permitem perceber a dinâmica da cidade, bem como alguma história e dicas relevantes
    • Andar de bicicleta: Buenos Aires tem uma rede de bicicletas espalhada pela cidade. Estas bicicletas são gratuitas durante 1h (2h ao fim-de-semana), permitindo uma deslocação rápida, segura e eficaz
    • Tomar um copo na Plaza Serrano ao final do dia. As cervejas artesanais são ótimas
    • Comer uma milaneza no El Club de La Milaneza
    • Provar as empanadas do El Juanito (em La Recoleta)
    • Assistir a um espectáculo de tango
    • Piquenicar num dos muitos parques de Buenos Aires
  • Ushuaia:
    • Visitar o Parque Natural Tierra del Fuego: fazer a visita sem guia e comprar o bilhete de autocarro no terminal rodoviário (é muito mais barato e agradável)
    • Visitar as lagoas Turquesa e Esmeralda: não deixar de ir à lagoa Turquesa porque a vista sobre a Esmeralda é deslumbrante
    • Havendo budget: visitar a ilha dos pinguins e fazer um passeio pelo Canal Beagle
  • El Calafate:
    • Visitar o Glaciar Perito Moreno: fazer a visita sem guia e comprar o bilhete de autocarro no terminal rodoviário (mais uma vez, é muito mais barato e agradável)
    • Provar o guisado de borrego do La Zorra
    • Passar 1 noite em El Chaltén, visitando a Laguna de Los Tres
    • Havendo budget: fazer o mini trekking sobre o glaciar (são mais de 100€ por pessoa)
  • Bariloche:
    • Fazer o Cerro Otto, apanhando o teleférico
    • Fazer o Cerro Campanario, apanhando o autocarro público
    • Visitar a Catedral Nuestra Señora del Nahuel Huapi
    • Provar os chocolates da chocolateria Rapa Nui
    • Tomar um copo na Cervecería Manush
  • Mendoza
    • Fazer um “On your own walking tour” (novo conceito por nós inventado) pelo centro da cidade. Fazer uma pausa para almoço no Mercado Central e comer um gelado de doce de leite num dos muitos cafés Bianco Y Nero
    • Tomar um copo na calle Arístides Villanueva. Recomendámos o Chachingo, que tem ótima cerveja artesanal
    • Comer um Asado no El Asadito (restaurante típico com carne maravilhosa)
    • Fazer um wine tour na Bodega Trapiche em Maipú. Escolhemos esta bodega por recomendação de uma pessoa local e por ter transportes públicos até lá (cerca de 45 min de bus desde o centro de Mendoza). Necessário reservar no dia anterior através do website
    • Piquenicar no Parque General San Martín
    • Tomar um brunch/teanner/brinner (o mix de refeições que se quiser) no Bröd Bakery Café: o budín de chocolate é ótimo

Esperamos que considerem esta informação útil!

Un saludo,

F&D

Patagónia, Argentina

Eram 9.30 am quando aterrámos em Ushuaia (a.k.a Fim do Mundo). Para nós o dia já ía a meio, uma vez que tivemos de acordar às 3 am para nos deslocarmos para o aeroporto de Buenos Aires. Aterrámos cheios de energia, fomos diretos para o nosso Airbnb (fantástico by the way, T1 espaçoso e muito bem equipado e localizado). A deslocação para o Airbnb também foi perfeita: em troca de um discurso comercial falhado, levaram-nos até casa (claro que a nossa propensão à compra foi caindo à medida que nos aproximávamos do apartamento).

Ushuaia é conhecida como fim do mundo, uma vez que é a cidade habitada que se localiza mais a sul do hemisfério sul. Na verdade, está mesmo “colada” à Antártida. Querem imaginar a paisagem? Têm 3 hipóteses:

  1. Fechem os olhos e recordem o anúncio do bacalhau da Noruega (aquele com os homens vestidos com capas amarelas, em barcos no meio do nada)
  2. Pesquisem o anúncio supra citado no YouTube
  3. Vejam a fotografia abaixo
Ushuaia.

Embora seja denominada desta forma, acaba por ser uma cidade com bastante vida:

  • A população residente aumentou 50% nos últimos 2 anos (passaram de 50k para 75k habitantes)
  • A rua principal tem 5 farmácias (se ainda não vos dissemos, a Argentina tem, literalmente, uma farmácia a cada 2 esquinas)
  • Têm diversos serviços úteis, nomeadamente: escolas, supermercados, correios, restaurantes (inlcusive o conhecido Hard Rock Cafe)
  • Denota-se também um elevado movimento portuário

Depois desta introdução, vamos ao que realmente interessa: o que fizemos? Retomando o nosso 1.º dia, depois de nos instalarmos devidamente (incluindo a típica visita ao supermercado), fomos até ao Posto de Turismo. Aqui informámo-nos de tudo o que Ushuaia nos tinha para oferecer: trekkings pela montanha, visita a lagoas, passeios de barco, observação de pinguins, etc. Sentados num banco de jardim, enquanto observávamos as montanhas nevadas do Chile, planeámos os nossos próximos 2 dias em Ushuaia.

Ainda no 1.º dia, acabámos por caminhar bastante pela cidade e pela sua marginal. 2.º dia, depois de um pequeno almoço reforçado (pelo menos à nossa maneira), apanhámos o bus das 10h para o Paque Nacional Tierra del Fuego (que by the way é caríssimo – bus + entrada ~1800 ARS, 30€ por pax). Neste parque, onde passámos todo o dia, tivemos oportunidade de fazer 1 trekking de 15 km. Vimos paisagens maravilhosas, uma combinação de lagos, com neve e montanhas. Ainda tivemos oportunidade de ver um leão marinho. A mãe natureza foi muito generosa com esta zona da Argentina. Nunca tínhamos estado num sítio tão bonito e tranquilo, simultaneamente. O melhor de tudo é não ter praticamente turistas. Imperdível. Acabámos o dia exaustos (15 km na montanha é bem pior que 30 km na cidade, já para não falar do frio que se fazia sentir).

Parque Nacional Tierra del Fuego.

O nosso último dia em Ushuaia foi dedicado a visitar 2 lagoas: Turquesa e Esmeralda. Mas calma, foi uma visita muito, mas mesmo muito, desafiante. Apanhámos novamente o bus das 10h e fomos “largados” só os 2 numa estrada no início do trekking para a lagoa Turquesa. O resto das pessoas seguiu para a lagoa Esmeralda. Tínham-nos dito que a trilha para a lagoa Turquesa era muito complicada, mas nós como “jovens” que gostam de um bom desafio não demos ouvidos. Começámos a estranhar quando vimos que eramos os únicos a fazer a trilha. Long story short, subimos uma montanha a pique, agarrados a troncos e folhagens, foi mais de 1h para subir 3km, perdemo-nos e decidimos voltar para trás. Se subir foi um desafio, imaginem descer. Meu deus, que montanha russa. Enquanto descíamos, íamos dizendo mal da nossa vida. O Diogo só dizia “tanto suor para nada”. Mas, no final, vimos uma pessoa. Começámos aos berros a chamá-lo (afinal de contas continuávamos perdidos). O Nadav, israelita que se encontra a viajar pela Argentina e Chile durante 8 semanas, aguardou enquanto nos dirigíamos a ele. Depois de nos conhecermos, o Nadav mostrou-nos o seu mapa e, juntos, conseguimos encontrar (finalmente) a trilha para a lagoa Turquesa. Notem que ele próprio estava banhado em lama e perdido. Mas com a fantátisca capacidade de interpretação de mapas do Diogo, andámos mais um pouco e chegámos. Fantástico! Água verde, muito límpida (e gélida), rodeada de montanhas pintadas de neve. Melhor do que esta lagoa, só mesmo a vista incrível para a lagoa Esmeralda (vejam pf a foto infra). Valeu sem dúvida o esforço.

Lagoa Turquesa.

Entretanto, descemos e pusemo-nos a caminho da lagoa Esmeralda. Pela entrada percebemos desde logo que era uma lagoa bem mais turística. Nada de extraordinário, mas um vendedor ambulante (ainda que único) transparece logo isso. Estava indicado que ir e vir seriam 4h e nós tínhamos apenas 3h (eram 2 pm e o nosso autocarro voltava às 5 pm). Bem, nem pensámos, pusemo-nos em marcha rápida e fizemos a ida em pouco mais de 1h. E ainda bem que poupámos tempo na ida… Já a chegar à lagoa começou a chover de forma intensa… o regresso não correu como planeado! Estava tudo cheio de lama e escorregadio. Foi particularmente difícil, mas ainda chegámos 3 minutos antes do autocarro partir, ufa!!! Estávamos bastante desconfortáveis: molhados e com lama. Só os pés é que estavam secos, graças às fantásticas sapatilhas que comprámos para esta viagem. A nível de sujidade, é melhor passar à frente. Chegámos a casa e fomos diretos para o banho, nunca pensámos dar tanto valor a tomar um banho quente.

Lagoa Esmeralda.

No dia seguinte, 8 de Janeiro, apanhámos 1ª camioneta de longo curso da nossa vida. Saímos de Ushuaia as 7 am e chegámos a El Calafate às 2 am. Que loucura de viagem. Tivemos de sair da Argentina (por sair entenda-se sair da camioneta, entrar no posto de fronteira, aguardar na fila, carimbar o passaporte, passar a segurança, passar as malas pelo raio x e voltar a entrar na camioneta), entrar no Chile, sair do Chile e voltar a entrar na Argentina. Todas estas paragens implicaram realizar novamente o processo que acabei de descrever. A par de tudo isto, ainda apanhámos um ferry e, “cereja em cima do bolo”, já passava das 12 am quando fomos parados pela polícia. Procuravam um fugitivo, pelo que inspecionaram toda a camioneta. “Aterrámos” em El Calafate de madrugada, já não haviam táxis e estavam 2 graus. Pés ao caminho, mochilas às costas e seguimos a pé cerca de 1,5 km até ao  nosso hostel. Embora o hostel fosse bastante limpo e “boa onda” sentimos falta de privacidade (ficámos num quarto só para nós, mas ainda assim, partilhar casa de banho é algo desagradável). Também sentimos falta de autonomia, visto que não tínhamos uma cozinha só para nós. Tendo em conta que, pelo menos na Argentina, o preço do Hostel é equivalente ao do Airbnb, vamos reduzir ao máximo estadias em hostels.

No nosso primeiro dia em El Calafate fomos logo visitar aquilo que mais nos atraiu à região e, até mesmo, ao país: Glaciar Perito Moreno. Este glaciar tem 254 km2, sendo maior do que a cidade de Buenos Aires. Tem mais 65 m de altura e deixa qualquer ser humano espantado, colado, absorvido, admirado. Resumindo, corta a respiração a qualquer um. É incrível. Sem dúvida a paisagem natural mais bonita que vimos até então. Vale MUITO a pena. Pontos menos positivos: embora no pico do verão, os termómetros não ultrapassavam os 5 graus, por outro lado podemos considerar ser um assalto à carteira de qualquer um (visita sem guia 2.000 ARS , ~35 € por pax). Estivemos cerca de 6 horas a visitar o glaciar. Não nos cansámos de dizer que é incrível. Optámos por não andar de barco, nem caminhar em cima do glaciar, por questões orçamentais (em 9 meses há muitos “imperdíveis” e temos de os ir controlando durante a viagem).  Acabámos o dia num restaurante típico muito cool, onde comemos uma bela sopa e um chili com carne. A sopa foi sem dúvida o ex-líbiris da refeição.

Glaciar Perito Moreno.

No nosso 2.º e último dia em El Calafate, aproveitámos para visitar o Lago Argentino e o centro da cidade. Começando pelo lago, é muito bonito: água azul turquesa, rodeada de inúmeras montanhas, com o sol a raiar. Ainda fomos contemplados com a presença de dezenas de flamingos. A cidade de El Calafate é amorosa: vila muito pequena toda em madeira escura e com muitos restaurantes, lojas e claro, farmácias. Tivemos ainda oportunidade de almoçar num restaurante com  muito boa onda onde provámos a especialidade da região: caldeirada de borrego (que delícia). No final do dia, seguimos para mais uma viagem de camioneta, agora sim a mais longa das nossas vidas. Falámos de 28h de camioneta em direção a Bariloche (estimadas 26h + 2h de atrasos). Pontos postivos: a camioneta era extremamente confortável e espaçosa, as paisagens por onde passámos eram idílicas, estávamos cansados e aproveitámos para ler, escrever e ver filmes. E o melhor de tudo, fizemos a mítica Rute 40. Pontos negativos: o preço (8.050 ARS, ~125 € por pax).

Iniciámos a nossa viagem às 7 pm de dia 10-Jan, tendo chegado chegado a Bariloche às 10 pm do dia seguinte.

Chegados a Bariloche, fomos logo para o hostel. Ficámos num hostel muito giro, uma casinha em madeira, amorosa. O único senão? Apenas arranjamos uma camarata de 4 pessoas (estávamos nós os 2, um rapaz da Arábia Saudita e um Espanhol). Mais uma vez, vamos tentar marcar sempre Airbnb. Ainda conseguimos aproveitar algumas horas da noite para passear por Bariloche. Era sábado e havia imensa “movida”. As ruas estavam cheias de jovens a fazer botellón.

No dia seguinte, acordámos cedo e desfrutámos de um maravilhoso pequeno-almoço: pão caseiro, doces caseiros (incluindo doce de leite!!), ovos mexidos, leite e café (finalmente um café bom). Depois, fomos passear pela cidade. A cidade é girissima e dada a falta de tempo, não conseguimos ver tudo o que queríamos. Se fosse agora, tínhamos ficado pelo menos mais uma noite. De qualquer forma, este é o primeiro arrependimento da nossa viagem.

Lago Nahuel Huapi.
Catedral Nuestra Señora del Nahuel Huapi.

Aqui terminou a nossa visita a Patagónia. A Patagónia é uma região que toda a gente devia visitar pelo menos uma vez na vida, embora seja extremamente cara, as paisagens e atividades compensam. Tudo transmite calma e serenidade. Estamos felizes!

Segue-se o próximo e último destino Argentino: Mendoza (mais umas 18h de camioneta!).

Ruta 40.

Um abraço,

F&D

Buenos Aires, Argentina

Ora bem, aterrámos em Buenos Aires às 21h00 de dia 31 de dezembro. Ficámos bastante surpreendidos com a eficácia do aeroporto: em apenas 20 min já tínhamos passado o controlo de passaportes, recolhido a nossa casa (i.e. mochila que carregaremos estes 9 meses) e sido inspecionados pelos beagles (sim, são mesmo cães. Aqui na América do Sul é comum, visto que esta raça tem um faro muito apurado. Episódio com piada: casal ao nosso lado não passou na inspeção e, quando lhes abriram a mala, o que é que lá estava? Uma bela perna de presunto espanhol).

Bem, posto isto, e tendo em conta que estávamos na noite de passagem de ano, acabámos por ficar “retidos” no aeroporto. Tentámos chamar um uber, tentámos apanhar um táxi e ainda ponderámos ir a pé (mas eram 32 km de mochila às costas). Depois de nos terem dito que o táxi tinha fila de espera de 4h optámos por apanhar um autocarro público até ao Porto de Buenos Aires (490 ARS por pax, 40 min). Acabámos por passar a passagem de ano dentro do autocarro, ao lado de uma ponte de Calatrava e com um magnífico espectáculo de fogo de artifício. Na viagem, ainda tivemos tempo para conviver com o nosso companheiro de avião, um senhor italiano, o Pietro Zegna, na casa dos 40 anos. Chegados à estação, apanhamos um táxi até ao nosso Airbnb e deixámos o Pietro no seu hotel. Acabámos por ter um jantar de passagem de ano muito diferente: um iogurte e um pão com fiambre (restos que tínhamos trazido do avião). Não obstante, fomos recebidos com um grande fogo de artifício à porta do prédio onde se localizava o nosso Airbnb.

Dia 1 de Janeiro, primeiro dia de uma nova década! Acordámos às 9h30 e saímos logo para a rua, estavam 26 graus e o sol raiava. Estávamos esfomeados e estava tudo fechado. Andámos cerca de 30 min até encontrar algum boteco aberto. Finalmente, uma miragem! Problema? Apenas vendiam refrigerantes, água e cachorros quentes! Por isso, o nosso primeiro pequeno almoço do ano foi um belo cachorro quente!

Depois disto, passámos todo o dia a caminhar por Buenos Aires. Visitámos os seguintes locais: Palácio Barolo, Teatro Avenida, Café Tortoni, Catedral Metropolitana, Plaza Mayo, Casa Rosada, Puerto Madero, La Bombonera e Caminito. Foram 30 km e um belo dia de passeio! O que mais gostámos? La Boca, onde se localiza o mítico estádio do Boca Júnior.

La Bombonera.

No dia seguinte, acordámos cedo e dedicámos toda a manhã a planear os dias que se seguiam (afinar o itenerário Argentino, reservar transportes, hotéis, Airbnbs, etc). Almoçámos no apartamento e “siga para a movida Argentina”. Começámos com uma visita à Claro (já tínhamos saudades do mundo Telco) onde comprámos um cartão com dados móveis (3 GB por 280 ARS, fundamentais para podermos alugar bicicletas, chamar ubers e utilizar o google maps). Posteriormente, passeámos pelos inúmeros parques de Buenos Aires: tal como “nuestros hermanos” os argentinos sabem viver a vida. Passavam poucos minutos das 18h00 e os parques estavam cheios de movimento, pessoas de todas as idades a aproveitar a vida (desde pessoas deitadas no relvado a ler, a casais a apreciar o seu chá mate, até familías a brincar com os seus filhos). À noite, encontrámo-nos com um grande amigo do Diogo, o Diogo Evaristo, que já não víamos há uns bons anos e que se encontra aqui a trabalhar num projeto temporário. Fomos beber um copo à Plaza Serrano (praça cheia de bares, na zona mais in de Buenos Aires – Palermo) e jantar ao Clube La Milaneza (onde provámos mais uma das iguarias locais: panado com tomate e mozarela).

El Club de la Milanesa.

No terceiro dia do ano acordámos bastante cedo e preparámos um pequeno almoço digno de hotel (sabe bem estar de férias e tomar o pequeno almoço com muita calma). A calma foi tanta que quando nos demos conta estávamos atrasados para o nosso Free Walking Tour. Resumindo, tivemos de fazer 6 km em 45 min com uma temperatura já acima dos 25ºC. Finalmente, chegámos ao ponto de encontro, onde optámos por fazer o tour em Castellano ao invés do Inglês (era o grupo com menos “povo”). Fizemos o tour da La Recoleta e visitámos uma série de sítios, a saber:

  • Teatro Colón (ponto de encontro)
  • Palacio de la Justicia de la Nación
  • Templo Libertad
  • Teatro Cervantes
  • Avenida 9 de Julio (uma das avenidas mais largas do mundo)
  • Obelisco
  • Palacio San Martín
  • Pasaje Corina Kavanagh
  • Basília del Santíssimo Sacramento (onde casou Diego Maradona)
  • Plaza Embajada de Israel
  • Nunciatura Apostólica
  • Cemiterio de la Recoleta
  • Floralis Generica
  • Entre outros
Floralis Generica.

Findo o tour, acabámos por celebrar o nosso “semaniversário” a comer umas ótimas empanadas num jardim incrível perto da Faculdade de Direito de Buenos Aires. Ainda vimos mais uns edifícios dignos de visita e terminámos os festejos do dia a tomar uma cerveja numa das praças mais icónicas da cidade, a “nossa” Plaza Serrano.

Último dia em Buenos Aires, acordámos cedo e alugámos umas bicicletas para percorrer as grandes avenidas da cidade. Basicamente fomos de nossa casa (Bairro de Palermo) até à Estação de Combóios do Retiro. Aqui, decidimos apanhar o comboio de cerca de 50 min até Tigre. Bem, Tigre é tipo a Q uarteira cá do sítio, montes de turistas, um casino, um parque aquático, um parque de diversões e mil e uma lojas de souvernirs. Não é de todo o nosso género de turismo. Assim sendo, apenas passámos cerca de 3 horas nesta cidade. Não nos arrependendemos de ter ido: conhecemos uma nova zona, almoçámos um estupendo “Asado” (carne no churrasco) e ainda vivemos a experiência de andar de combóio na Argentina (uma loucura, milhares de vendores ambulantes, pessoas a cantar, pessoas a tocar instrumentos, a verdadeira feira latino-americana). Chegados a Buenos Aires decidimos ir a pé até casa (mais 7 km), neste passeio tivemos oportunidade de visitar o El Ateneo Grand Splendid, considerados por muitos (e por nós) uma das bibliotecas mais bonitas do mundo. Imaginem um teatro antigo que é uma livraria (se não quiserem imaginar vejam a foto 😊). Depois disso foi jantar e dormir.

Parque de a Costa
Puerto de Frutos.
El Ateneo Grand Splendid.

Eram 4h00 de dia 5 de janeiro e estava na hora de dizermos um adeus a Buenos Aires. Era hora de partir rumo a um novo destino, o fim do mundo: Ushuaia na belíssima Patagónia.

Até breve,

F&D

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