Caros amigos,
Como vos contámos no nosso último post, partimos a 9 de fevereiro de Cusco em direção a Águas Calientes, uma vila bastante turística que é o ponto de partida para chegar a Machu Picchu. A viagem foi feita no famoso comboio Expedition da PeruRail. Foi um trajeto maravilhoso, passámos por paisagens idílicas, como podem ver:

Chegámos a Águas Calientes por volta da 1 pm. Por mais estranho que pareça, parecia que tínhamos acabado de chegar à ilha de Krabi na Tailândia. Os enormes morros verdejantes cobertos por alguma neblina, bem como o excesso de restaurantes e hotéis por km quadrado, fizeram-nos logo viajar. Bem, fomos diretos ao hotel deixar a mala (ficámos num hotel bastante modesto, mas com um ótimo quarto. O hotel estava em pleno centro, a 3 min a pé da estação de comboios).
Depois de almoçar um delicioso (e gigante) hambúrguer com batatas fritas, o peso na consciência (e não só) era muito! Assim decidimos ir dar uma longa caminhada pelas redondezas. Metemo-nos floresta adentro, andámos e andámos, até que começou um verdadeiro dilúvio. Parecia literalmente que tinham aberto um chuveiro em cima de nós. Resultado, ficámos encharcados. Voltámos para o hotel por volta das 5 pm. Como tínhamos acordado às 6 am, decidimos ver uma série e descansar. Saímos apenas por volta das 8 pm para jantar!
Finalmente chegou o dia que tanto ansiávamos – o dia de visitar Machu Picchu e Wayna Picchu. Acordámos antes das 4 am, tendo saído do hotel às 4.20 am. Estava noite cerrada quando iniciámos o nosso longo, desgastante e desafiante trekking. Até chegar à porta de Machu Picchu foram 2 horas sempre a subir escadas. Foi duro, muito duro. Entretanto, entrámos em Machu Picchu e fomos diretos à Montanha de Wayna Picchu. Aqui sim, a “pior” parte do trajeto. Esta montanha é altíssima, como se vê na imagem abaixo, tivemos de subir milhares de degraus minúsculos até chegar ao cume. Mais de 1h30 sempre a subir. Contudo, chegar ao cume foi sem dúvida das melhores sensações que podem existir: aquela sensação de dever cumprido, aquela sensação de alcance e superação, wow, fantástico! Decidimos sentar-nos e, no silêncio, contemplar e disfrutar da vista sobre Machu Picchu.


Depois de ~30 min a descansar iniciámos a descida de Wayna Picchu. Foi assustador! Tivemos de passar por sítios claustrofóbicos e descer degraus a pique. De qualquer modo, com calma tudo se faz e assim foi. Chegados novamente a Machu Picchu, fomos visitar tudo o que esta fantástica cidade inca tem para oferecer, nomeadamente: templo do sol, casa do guarda, pedra sagrada, as inúmeras casas, os llamas, os viewpoints, tudo! Ainda decidimos fazer mais um mini trekking de 20 min sobre a Ponte Inca. Tirámos centenas de fotografias, o que nos vai permitir recordar para sempre este local mágico. No final, por volta das 2 pm iniciámos a nossa descida até Águas Calientes…. Tínhamos os nossos fantásticos degraus à espera. Até então, tivemos imensa sorte com a meteorologia, contudo isto mudou na descida, onde apanhámos uma enorme e valente “molha”. Para terem noção, os degraus não se viam, estavam cobertos de água. Foi uma espécie de rafting pedonal (eu cheguei mesmo a torcer um pé, mas felizmente nada de grave). De qualquer forma, estamos muito gratos por ter visitado Machu Picchu e Wayna Picchu em plena época de chuvas e nem uma pinga de água ter caído (pelo menos enquanto estávamos lá em cima). Chegámos mesmo a ter direito a uns raios de sol!


Regressámos a Águas Calientes às 3.30 pm estafados, felizes e realizados. Que dia! Nunca mais nos vamos esquecer! Passámos o resto da tarde “de molho”, ainda tivemos oportunidade de fazer 2 conference calls, uma com os meus pais e outra com o Pepy (irmão do Diogo) e com os pais do Diogo. Fomos jantar bastante cedo, estávamos esfomeados (fizemos os 20 km e apenas tínhamos comido 2 maçãs, 1 banana, 1 pão e 1 barra de cereais).
No dia seguinte, depois de dormirmos mais de 12h seguidas, decidimos presentear-nos com um ótimo pequeno-almoço na Boulangerie de Paris. Comemos um cinamon rol ótimo, acompanhado de um café longo. Passámos a manhã a “trabalhar” (acreditem que planear 9 meses de viagem, neste registo low cost, dá muito trabalho – são milhentas análises de cenários).
Depois de almoçar num dos restaurantes da região, apanhámos o comboio de regresso à Capital Inca – Cusco. Mais uma viagem por paisagens de cortar a respiração. Chegámos a Cusco ao final do dia, instalámo-nos num novo hotel e fomos jantar.
Dia 12 de fevereiro, depois de um pequeno almoço revigorante e de mais um passeio a pé pelas encantadoras ruas de Cusco, decidimos dedicar a tarde ao planeamento da nossa viagem (uma vez que nas próximas semanas estaremos bastante atarefados). Decidimos que iríamos passar os meus 30 anos em Sydney (a nossa viagem de sonho e a nossa lua de mel original). De Austrália, rumaremos à Nova Zelândia e depois às Filipinas. O resto, logo se verá!
Ainda em Cusco, tivemos oportunidade de visitar uma galeria de arte com um café muito giro, o Laggart Café, bem como de comer o melhor hambúrguer das nossas vidas no restaurante Chakruna Native Burgers. Eu comi um delicioso hambúrguer vegan (feito com feijão preto e outros vegetais) e o Diogo um hambúrguer de bovino. Ambos acompanhados por 5 tipos diferentes de batatas fritas, bem como 7 molhos caseiros. Resultado: ficámos almoçados, lanchados e semi-jantados! Por volta das 8 pm apanhámos o voo de Cusco para Lima. Chegados a Lima, apenas tivemos tempo para nos instalar no nosso Airbnb. Mais uma vez o apartamento superou as nossas expetativas. Tratava-se de um estúdio muito cosy, todo em tons de brancos, com quarto, wc e kitchenette. Além do mais, estava localizado numa zona espetacular da cidade de Lima – Barranco.
No dia seguinte, acordámos cheios de vontade de explorar a capital deste fantástico país que em tanto nos tem surpreendido e superado as nossas expectativas. Tomámos um pequeno-almoço home made, com torradas, iogurte, fruta, chá e café. Depois, como já é habitual nas grandes cidades, partimos em busca de uma lavandaria. Estávamos mesmo a precisar, notem que já não lavávamos roupa desde La Paz (Bolívia). Tínhamos mais de 10 kg de roupa para lavar, pelo que foi o serviço de lavandaria mais dispendioso (cerca de 20€). Foram 2h de seca, muita seca, mas felizmente tínhamos wifi. Depois da 1ª hora, decidi ir até ao supermercado mais próximo comprar uma bebida! Estava lá uma banquinha de promoção das novas cápsulas Starbucks para a máquina Dolce Gusto. O promotor achou que eu vivia em Lima e, depois de algumas perguntas básicas (do tipo “Gosta de café?”, “Que tipo de café gosta?”, …) ofereceu-me um delicioso Americano Starbucks. Que bem me soube, ainda não tinha bebido nenhum café bom desde que saímos de Portugal a 31/12/2019. Na América Latina (com exceção do Brasil e da Colômbia), não existe o hábito de tomar café, pelo que o café é sempre mau (aquele Nescafé solúvel). Ou seja, com leite até desenrasca, mas nunca sabe a um bom café. Lá fui eu ter com o Diogo à lavandaria, toda contente com o meu café gratuito!
Bem, lavandaria terminada, fomos a casa deixar a roupa. Foram mais de 2km a pé para chegar a casa e o calor já se fazia sentir (estavam 25 graus). Depois de arrumar a roupa toda, saímos novamente. Já era hora do almoço e queríamos imenso comer peixe (não comíamos desde o Natal, imaginem!). Bem, fomos à Cevichería Miramar Miraflores. Comemos um ceviche de peixe e marisco inacreditável. A acompanhar, umas batatas fritas com um molho tártaro caseiro e uma coca-cola zero. Que maravilha! Para o Diogo foi o melhor almoço da viagem (até então). Já eu, apesar de ter adorado, sou mais exigente!
À tarde decidimos ir literalmente à descoberta. Caminhámos sem rota pré-definida. E que bem que soube! Fomos até perto do mar, já não o víamos há um bom tempo e sabe-nos tão bem estar perto dele. Acreditem que, só quando se perde algo se sente a sua falta. No nosso quotidiano vemos o mar regularmente e chegámos à conclusão de que não dávamos o devido valor a este pequeno prazer. Depois de muitos dias sem ver o mar, sentimos mesmo a sua falta. Soube tão bem sentir aquela brisa fresca, o cheiro a maresia, o barulho das ondas! Foi sem dúvida uma tarde muito bem passada. O declive existente entre a cidade e a zona do mar é fabuloso. Vejam na fotografia abaixo.

Depois, fomos ao supermercado para nos abastecermos para os próximos dias em Lima e fizemos uma refeição caseira.
Acordámos no dia seguinte com um sol maravilhoso. A cidade estava toda decorada com balões e corações, era dia de São Valentim. A nossa manhã foi passada a fazer um free walking tour por Lima. É curioso que este FWT começa uma hora mais cedo que o habitual, para os turistas que se pretendam encontrar em Miraflores, como foi o nosso caso. Miraflores é, a par da vizinha Barraco (a zona do nosso Airbnb) um dos melhores bairros habitacionais de Lima, ficando a sensivelmente 45 minutos de bus do centro (o trânsito de Lima é caótico). Como tal, o FWT disponibiliza dois pontos de encontro. O tour no centro começa efetivamente uma hora mais tarde e dura cerca de 2h.
Depois de apanharmos 2 bus até ao centro, rapidamente percebemos que a cidade de Lima tinha muita desigualdade. A zona onde estávamos era a zona rica. É uma zona bem cuidada, à beira-mar, cheia de praças e jardins, clubes de ténis, piscinas, condomínios fechados, ciclovias, bares, restaurantes, lojas, bem cheia de movida. O centro é muito diferente. Sujo, barulhento, caótico! Mas, ainda assim, encantador! Dos 42 bairros de Lima, apenas 6 têm condições idênticas à de Miraflores. O que nos deixou ainda mais chocados foi perceber que é comum os dirigentes políticos não utilizarem todo o orçamento que têm disponível para tratar dos seus distritos. Aliás, no ano passado, houve um dos dirigentes que apenas utilizou 7% do orçamento!!! Não se percebe… Estamos a falar de distritos que vivem no limiar da pobreza, em condições desumanas. Sendo que, 8 km ao lado, está outra realidade.
Voltando ao FWT, a par de uma explicação inicial sobre o Peru e sobre Lima, visitámos a Plaza de Armas (um clássico). Percebemos a diferença entre os edifícios modernos e os edifícios coloniais e assistimos à mudança da guarda no Palácio do Governo. Esta mudança dá-se várias vezes ao dia, mas a das 12h é a mais imponente. Dura 1h e tem muita música ao vivo.

Tal como aconteceu em Arequipa, durante o tour ouvimos falar bastante do escritor peruano Mário Vargas Llosa (prémio nobel da literatura). Tivemos até um momento “revista cor-de-rosa”. Este senhor foi casado com uma tia, depois com uma prima e agora namora com a mãe do Henrique Iglésias (ex-mulher de Júlio Iglésias). Também era muito amigo do famoso escritor colombiano Gabriel García Marquez, mas cortaram relações devido ao casamento com a prima.
Durante o tour, também falámos bastante da gastronomia Peruana. Lima tem dos melhores restaurantes do mundo. Aliás 2 dos 10 melhores restaurantes do mundo estão em Lima (o Central e o Maido). O menu de degustação custa 150€ por pessoa, sendo necessário reservar com mais de 3 meses de antecedência. No final do tour, tivemos oportunidade de provar, mais uma vez, iguarias locais. A chica morada (que já havíamos experimentado), um sumo natural de maracujá (ótimo) e, como não podia deixar de ser, terminámos o tour com shots de pisco (tradicional e de outros sabores como maracujá, por exemplo).
Após o tour, decidimos voltar para Miraflores a pé (cerca de 8km até Miraflores). Como estávamos esfomeados, ainda no centro, decidimos ir a um cheap eats chamado El Chinito. Um sítio ótimo, onde partilhámos uma sandes de carne na grelha acompanhada com batata doce assada.
Andámos, andámos e andámos. Chegámos a Miraflores e decidimos visitar o Mercado Surquillo 1. Partilhámos um sumo de laranja natural, acompanhado por uma fatia de bolo de laranja caseiro (tudo por 2€). Depois, continuamos mais 1h a pé até a um bar à beira mar, em Barranco. Neste bar saboreámos um delicioso Apperol Spritz enquanto assistíamos ao pôr-do-sol. Chegámos a casa exaustos!

15 de fevereiro, acordei um pouco indisposta. Devo ter comido algo que me fez mal, não sei o quê (comi tudo o que o Diogo comeu e apenas eu fiquei mal!). Assim, o plano para o dia foi um pouco mais modesto (ou deveria ter sido, porque acabámos por andar cerca de 20km a pé). Fomos visitar um centro comercial ao ar livre com vista mar chamado Larcomar, muito giro. Depois, fomos ainda a umas ruínas incas que se situam mesmo no “meio” de Lima. Pareceu-nos um pouco dispendioso para o que era e decidimos ver apenas de fora.
Como a saudade do mar ainda não estava completamente sarada decidimos, uma vez mais, passear à beira-mar. Estava muita gente a fazer praia. Era sábado.
A minha indisposição foi piorando e regressámos a casa ao final do dia. Jantei um pão seco na esperança de melhorar (mas foi em vão). O Diogo, jantou umas empanadas com ótimo aspeto.
No dia seguinte, acordei bastante pior, pelo que ataquei logo com medicação. Decidi passar a manhã em casa, a descansar. Era dia de viagem (tínhamos 3 voos pela frente). Assim, fomos para o aeroporto por volta da 1 pm. O nosso primeiro voo foi até Panama City (cerca de 3h). Depois de uma pequena escala, apanhamos outro voo até Mexico City (cerca de 3h30). Bem, ao aterrar, ficámos “assustados” com a dimensão da cidade. Em Mexico City, apenas mudámos de terminal de aeroporto. Tínhamos 6h de escala (da 1 am até as 7 am). Às 7 am apanhámos o nosso último voo, até Mérida (cerca de 2h). Foi, obviamente, uma noite extremamente mal dormida. Aliás, estamos neste preciso momento a escrever esta parte do post no aeroporto de Mérida a fazer tempo para o check-in no Airbnb. Mas o resto fica para o próximo post!
Obrigada,
F&D



































































